Brasileiro denuncia maus tratos na Guiana Francesa.


Prezado amigo, fiz essa denuncia em todos os orgão de relações exteriores do Brasil e do Amapá. Estou encaminhando a cópia para seu conhecimento.

DENUNCIA

JEFFERSON PRADO FASSI, brasileiro, residente e domiciliado na capital do estado do Amapá, na Avenida Marcilio Dias, 1309, Bairro Jesus de Nazaré, jornalista, portador da cédula de identidade numero 724.308-SSP-PI, CPF 226935723-04, vem com as honras de estilo dispensadas a Vossa Excelência para COMUNICAR e requerer PROVIDENCIAS diante os fatos que passa a narrar:

O jornalista, ora requerente, o consultor empresarial Bruno Terralta, residente a mais de 20 anos na cidade do Oiapoque, estado do Amapá, juntamente com empresários e políticos franco/guianenses, há tempos estudam e trabalham a criação de elemento sócio-cultural, uma Revista Bilingue, que seja contribuinte para a equalização e formatação da edificação da tão sonhada relação BRASIL-FRANÇA, com o termo da construção da tal “Ponte da Amizade”, entre Guiana Francesa-França e o Estado do Amapá-Brasil.

Este grupo formado por brasileiros e franceses, em seus estudos preliminares observaram que, apesar das distancias econômicas/sócios/culturais, que em tese existam naquela estreita região fronteiriça entre os habitantes da Vila Brasil (Oiapoque), e os de Saint George-GF, verificou que poucas são as diferenças, pois é notório que as duas populações comungam da mesma realidade social. Apesar do maior poder econômico dos franco-guianenses naquela região, uma cidade não existe sem a outra.

Por isso, agendaram para o dia 02/11/2009, ao meio dia, almoço em Saint George, a fim de tratarem da criação deste veículo de comunicação entre as duas comunidades, ocasião em que este jornalista, acompanhado do consultor Bruno Terralta, que mora a muito tempo na região e fala perfeitamente a língua estrangeira, e da comerciante Raquel Lima Nunes, dirigiram-se até aquela localidade, chegando em Saint George às 10:00 horas, ocasião em que fizeram algumas fotografias recordativas. Ao meio dia, horário do almoço marcado, foram abordados por policias locais que pediram os documentos pessoais e logo após conduzidos a sede da PAF, onde receberam voz de prisão em flagrante delito como imigrantes clandestinos e jogados nas celas daquela delegacia. Mesmo o requerente se identificando com identidade da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais) e relatando que estava ali a trabalho e que havia um termo de cooperação entre o SINDJOR-FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas da França, onde havia livre acesso entre os profissionais nos dois países, tais argumentos não foram ouvidos.

Logo após os policiais leram os nossos direitos afirmando que se não tivéssemos advogado, o estado Francês cederia um gratuitamente. Aceitamos a proposta mas nenhum advogado apareceu.

Após diálogo informal entre o consultor Bruno Terralta e o policial responsável pela prisão, restou claro que no dia subseqüente estariam em Saint George o prefeito de Cayenne e o Chefe de Policia da Guiana Francesa, por isso tal policial tinha “que fazer o trabalho sujo”, expressão usada por ele mesmo para definir que tal trabalho era encher as cadeias de brasileiros visando demonstrar a eficácia do trabalho daquela policia especializada na região.

Excelência, sem qualquer pedido de explicações, sem qualquer depoimento tomado, sem presença de advogado, sendo nitidamente a prática de um ato ilegal, os brasileiros, inclusive nós, foram despojados de seus pertences pessoais e jogados na celas aguardando a expulsão que deveria ocorrer no dia seguinte, na presença das autoridades francesas que iriam chegar.

Diante de tal situação a empresária Raquel Lima Nunes começou a passar mal pois já havia ouvido relatos de mulheres brasileiras, solteiras e casadas, que foram violentadas sexualmente por policiais franceses naquelas circunstancias. Fato este para eles comum, pois tagarelavam a beleza física da empresária. O que a levou ao medo e conseqüente desespero de estar diante possibilidade real de ter seu corpo violado.

No momento que eles estavam lendo nossos direitos, o consultor Bruno Terralta conseguiu telefonar para um dos empresários que nos aguardavam para o almoço, e lhe relatou os fatos. Ele imediatamente se dirigiu àquela delegacia e explicaram ao delegado chefe que nós havíamos sido convidados por eles para visitarem Saint George e que trataríamos de assuntos de interesses das duas comunidades. Diante dos argumentos do empresariado local e do representante do prefeito de Saint George, fomos enfim liberados pelo chefe da PAF, que nos acompanhou até a porta de saída com pedidos de desculpas. Ora Excelência, esse simples fato demonstra a natureza ilegal de nossas prisões. Os empresários que nos convidaram, envergonhados e constrangidos com tal situação, nos pediram desculpas também pelo comportamento de seus conterrâneos.

Todavia, Excelência, nos causou muita estranheza a forma como as coisas foram conduzidas, vez que sem qualquer sem pedido de explicações, sem qualquer depoimento tomado, sem qualquer motivo aparente, sem presença de advogado, aquela policia passou a caçar brasileiros, sem qualquer critério, (como bem disse o policial francês, fazendo o trabalho sujo) para engrossar as estatísticas visando ser bem vista por seus superiores.

Uma senhora idosa de pré-nome Maria Luiza, nativa da Vila Brasil, ficou na mesma cela que a empresária Raquel Nunes e relatou que tinha apenas trazido os documentos do filho, fato que não se concretizou, pois fora presa antes. Certamente esta idosa deve está agora em Manaus, Belém ou Recife, pois havia um avião que iria fazer a deportação no dia seguinte, na presença das autoridades francesas.

O mais impressionante Excelência, é que mesmo diante da forma cortez como nos comportamos, pois além de estarmos em território estrangeiros, jamais desacataríamos qualquer cidadão daquele país, principalmente estando em terra estrangeira, fomos vítimas da arrogância, do mau-humor, do desrespeito a nossa dignidade, do despreparo daqueles agentes no trato com os brasileiros, e por fim, da agressão verbal ao nosso país, pois ao pedirmos água, nos ordenaram beber água com a irônica frase: “bebe da pia, você está na França, a água daqui é boa”, sugerindo a má qualidade de vida em solo da mãe gentil, pátria amada Brasil.

Diante de tudo isto exposto, requer as providências aos órgão competentes para que as “Donas Marias Luizas” e nosso povo não sejam humilhados e despojados de toda a dignidade diante povo tão desrespeitoso.

 

Obrigado pela atenção

Macapá, 04 de novembro de 2009
JEFFERSON PRADO FASSI
Cidadão Brasileiro
Fone 96.8112.8807