Educação Pública! Direitos de todos,
dever do Estado.
Kelson Rocha[i]
Monique Taiane[ii]
Nathanael Zahlouth[iii]
Yasmim Valente[iv]
Quando falamos em política, muitos remetem esse debate às
eleições, principalmente porque esse é um ano
eleitoral. No entanto, abordaremos neste artigo, um diálogo
acerca da política educacional em nível superior, e
através dele, mostrar o quanto o Brasil e principalmente o
Estado do Amapá, estão aquém de uma boa intervenção
nessa área.
O artigo 205 da constituição brasileira afirma que:
“A educação, direito de todos e dever do Estado
e da Família, será promovida e incentivada com a colaboração
da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo
para o exercício da cidadania e sua qualificação
para o trabalho”. Portanto, destaca-se no artigo 205 desta Carta
Magna, que a educação, é “um dever do estado”[v],
e como tal, de ações políticas desta Instituição,
para que assim se torne um “direito de todos” e cabe a
sociedade zelar por uma educação de qualidade.
Países que adotaram no século passado ações
voltadas para uma qualificação profissional (educação)
deram um grande salto de qualidade em seu desenvolvimento econômico
e tecnológico, um exemplo claro disso foi à Coréia
do Sul que nos últimos anos vem exportando tecnologia para
o mundo inteiro.
No Brasil, embora tenha assumido o mesmo sistema da Coréia
do Sul (neoliberalismo) não se prioriza a qualificação
e educação, ainda hoje temos um Estado que prioriza
o capital financeiro, ou seja, uma instituição que de
acordo com a Constituição deveria oferecer uma educação
de qualidade prefere isentar instituições privadas a
investir em educação pública, um exemplo é
o programa universidade para todos - PROUNI. Com isso podemos perceber
certa apatia política por parte da sociedade brasileira e também
amapaense, no que diz respeito à luta por uma educação
de qualidade.
Trazendo esse debate para a realidade amapaense, mas precisamente
para a Universidade do Estado do Amapá – UEAP, que enfrenta
hoje vários problemas estruturais, que vão desde a falta
de laboratórios para os cursos de licenciatura, passando pela
falta de professores e técnicos no quadro efetivo (porque não
houve concurso), até falta de um regimento Interno/ Estatuto,
que normatize e regulamente a “vida” político-pedagógica,
financeira, administrativa e sua própria autonomia. Percebe-se
que o Estado, enquanto Instituição que deveria dar conta
de oferecer uma educação de qualidade “para todos”,
ou pelo menos aos acadêmicos que já iniciaram seu curso,
simplesmente se “abstém” de cumprir seu papel.
Em abril deste ano, o atual Secretário de Desenvolvimento
Social do Estado e o Reitor da UEAP garantiram em uma reunião
com a presença de representantes de todos os cursos da universidade,
que estaria sendo enviada a Assembléia Legislativa do Estado
– que até o momento não aprovou nenhuma modificação
na constituição do Estado, regulamentando o ensino superior
no Amapá - uma minuta de edital para que se pudesse convocar
um concurso público para contratação de professores
e técnicos para o quadro efetivo da universidade, assim como
a aprovação de um regimento interno/estatuto para UEAP.
Desse modo, observa-se o descaso do chamado “ensino superior”
no Amapá e no Brasil, embora, o exemplo tratado seja amapaense,
muitas universidades pública brasileira passam pela mesma situação
da UEAP, logo se percebe que o problema está em uma política
educacional que dê conta de fato do estagio de apatia do Estado
brasileiro. Cabe a sociedade reivindicá-lo.
--------------------------------------------------------------------------------
[i] Acadêmico de Filosofia da UEAP, Coordenador Geral do CAFIL/UEAP
e Membro do Diretório Estadual do PT-AP.
[ii] Acadêmico de Filosofia da UEAP.
[iii] Acadêmico de Filosofia da UEAP e Secretário de
Comunicação do CAFIL/UEAP.
[iv] Acadêmico de Filosofia da UEAP.
[v] Art. 205 da Constituição Federal.