O papel do jornalista
O artigo de conclusão de curso que aborda a cobertura do caso
Liana Friedenbach no jornal O Globo lembra o jornalismo policial em
Porto Velho. A autora do trabalho Paula Cambraia Grassini fala que
a imprensa tem o poder não só de interferir no desdobramento
dos acontecimentos, mas também de ser agente.
O jornal O Globo realizou campanha, de forma mascarada, pela redução
da maioridade penal. Segundo Paula, a ação do Jornal
foi superficial, baseada na emoção e em recortes do
cotidiano. De acordo com a opinião da autora, o discurso do
Globo defendeu o sistema neoliberal que exclui pessoas e depois, pune.
Os comunicadores não devem esquecer seu papel social e deixar
de fiscalizar os órgãos públicos para assumir
o papel que é da polícia.
Lembra-se do caso Josafá em maio de 2006? O jovem foi morto
por policiais no bairro Marcos Freire. Um jornal da cidade noticiou
na capa: “Líder de gangue é morto por policiais”.
O apresentador de um programa policial também disse, no ar,
que o jovem era bandido? Quais eram as provas? Só havia relatos
por parte da polícia, ou seja, uma única fonte. No dia
seguinte, a imprensa teve que se retratar do que disse. O jovem não
era bandido, era professor. Alguns jornalistas esqueceram de dois
princípios básicos da profissão: ouvir o maior
número de fontes e que não cabe ao jornalista julgar
e sim, relatar.
Vamos vestir a camisa do jornalismo investigativo, aquele que vai
além do fato e mostra o que está por trás do
cenário. Façamos como prega a Gestal, psicologia da
forma, “um todo não pode ser compreendido com a separação
das partes”. Reunamos o quebra cabeça da violência
e abandonemos a visão maniqueísta de que o criminoso
é bandido e polícia, o mocinho.
Antes de defendermos uma bandeira, como o da redução
da maioridade, devemos lembrar que antes da punição
vem a prevenção. Discursos punitivos são uma
forma de jogar um problema social pra debaixo do tapete. A mídia
deve se preocupar com o poder de influência que tem na sociedade.
Outro cuidado é para não ser manipulada pelo Estado
neoliberal e atender os interesses dele, ao invés de atender
os do cidadão.
Dalila Nogueira Pinto - Acadêmica do 6° período
de jornalismo