Presidente do TRE-AP repreende compra de votos no interior
do estado
Dione Amaral

Em visita a dez municípios do estado, o presidente do TRE-AP,
desembargador Carmo Antonio, ouvia a mesma reclamação
dos eleitores: pressão por compra de votos. A denúncia
surgia durante as entrevistas nas rádios comunitárias.
Os candidatos utilizam das necessidades do eleitor, a maioria humilde,
para ameaçar o cidadão ou a sua família que se
não votar nele perderão benefícios, como o bolsa
família, por exemplo. “O pior crime eleitoral que o candidato
possa cometer é se aproveitar da miséria humana para
conseguir votos”, repreende o desembargador Carmo Antonio aos
candidatos que se utilizam dessa prática.
A pressão acontece em diversas situações. Em
Pracuúba, por exemplo, há candidatos que ameaçam
cortar a entrega de gás no município para as pessoas
que não votarem neles. Outros que querem pedir votos de eleitores
após a meia noite. “Os gestores tem que ter a consciência
que a máquina pública deve ser usada para o uso do município
e não para o interesse próprio do candidato”,
reitera o presidente.
Em Mazagão, município que teve 60 candidatos impugnados
pelo MP, os candidatos desafiam a justiça eleitoral em não
obedecer à propaganda eleitoral. A comissão de fiscalização
notificou candidatos com placas na calçada, propaganda em local
de uso comum como bares e comércios, pintura de muro que excediam
o tamanho permitido, uso de alto-falante próximo a órgãos
públicos e propaganda sem o CNPJ ou tiragem.
“O mínimo que alguém que se inscreve em um concurso
público é conhecer o edital. Não se admite que
uma pessoa que queira administrar um município não saiba
o mínimo de legislação eleitoral”, explica
o desembargador.
Confira as principais reclamações dos eleitores
e candidatos.
| Reclamação |
Orientação
do TRE-AP |
| Ameaça
de corte de benefícios federais como o bolsa família |
Os benefícios
independem da autorização da prefeitura |
| Ameaça
de corte do transporte escolar |
Em
relação aos veículos, a Justiça Eleitoral
solicitou a lista de todos os veículos da prefeitura, inclusive
os alugados. “Os veículos não são da
Prefeitura, mas sim pagos com os impostos dos munícipes”,
diz o presidente. |
| Ameaça
de suspensão de entrega de gás |
| Visitas de
candidatos em horários inoportunos como à noite
ou na hora do almoço |
Não
atendê-los e no mínimo criar antipatia pelos mesmos. |
| Perda de
cargos e contratos |
Filmar ou
gravar a ameaça |
| Uso abusivo
de alto-falantes |
É
proibido o uso de alto-falantes a 200 metros de locais públicos.
“Nas cidades do interior é praticamente impossível
passar um carro de som já que os locais são próximos
das ruas principais”. |
| Disputa de
candidatos numa mesma localidade |
Em Pracuúba,
houve a reclamação do funcionamento de dois carros
de som de candidatos diferentes. O TRE-AP sugeriu que as coligações
elaborassem uma agenda para evitar confusões. |
| Apoio velado
de servidores e da força policial para certos candidatos |
O TRE-AP
orienta os servidores públicos a não indicarem apoio
velado a um candidato. Os policiais militares, por exemplo, prestam
serviço à população e não a
um candidato. |
| Transferência
ilegal de servidores |
Gravar ou
filmar |
| Suposto controle
por parte de candidatos em quem o eleitor vai votar |
A urna é
inviolável. É uma relação entre o
eleitor e a máquina. Não existe a possibilidade
de ninguém saber em quem se votou. Nem a Justiça
Eleitoral tem esse controle, portanto, vote sem medo. |
SERVIÇO:
ASCOM TRE-AP
(96) 3214 1728
(96) 8129 4240
(96) 9981 6152