MORTE DO DELEGADO
Promotor oferece denúncia criminal
Evilázio
Alexandre promotor da comarca do Eusébio,
protocolou a denúncia ontem, às 15h10 (Foto: Kid Júnior)
Procurador será processado por homicídio duplamente
qualificado. A pena pode chegar a 30 anos de reclusão
O promotor de Justiça da Comarca do Eusébio (Região
Metropolitana de Fortaleza), Evilázio Alexandre, ofereceu,
ontem, a denúncia-crime no processo que apura o assassinato
do delegado de Polícia Civil, Cid Júnior Peixoto do
Amaral, 60, morto com um tiro de pistola na cabeça, desferido
pelo procurador de Justiça, aposentado, Ernandes Lopes Pereira,
59. Alexandre enquadrou o réu no crime de homicídio
duplamente qualificado, pelo motivo torpe e surpresa. Se condenado,
Ernandes pode receber uma pena de 12 a 30 anos de prisão.
´´Cancão, você já matou alguém?´,
de súbito, o denunciado saca da pistola Glock que portava na
cintura, aponta em direção à vítima e,
sem qualquer comentário ou discussão, efetua um único
disparo vindo a atingir-lhe a cabeça´.
Este é um dos trechos da denúncia e revela o momento
em que o procurador pratica o crime. Antes de atirar, ele se dirige
a seu motorista particular, Carlos Alberto Bezerra Herculano, o ‘Cancão’,
e antecipa o que irá fazer, isto é, atirar na cabeça
do delegado.
Indefeso
´O gesto repentino praticado pelo denunciado, em sacar, apontar
e disparar contra a indefesa vítima, fato comprovado pela prova
testemunhal, fortalecida nas fotografias que instruem a prova técnica,
demonstrando a posição que o corpo foi encontrado, relaxado
e com as mãos sobre o braço da cadeira, não pairam
a menor dúvida de que a inditosa vítima não tinha
como perceber a atitude agressiva que sofreria, não dispondo
de tempo nenhum para esboçar qualquer gesto de defesa. Em suma,
foi colhida de surpresa, totalmente despreparada e desprevenida como
demonstra o laudo pericial de exame em local de morte violenta´,
diz outro trecho do documento do MP fundamentando a qualificadora
da surpresa.
´Ante a fortaleza da prova testemunhal e a prova técnica
que repousam nos autos, não paira nenhuma dúvida, muito
pelo contrário, denota-se, de forma clara e insofismável,
de que a atividade fática deliberadamente praticada pelo denunciado
Ernandes Lopes Pereira, foi a causa determinante da lesão corporal
fatal sofrida pela indefesa vítima, o delegado Cid Júnior
Peixoto do Amaral”, concluiu o promotor.
Conforme o assistente da acusação, criminalista Paulo
Quezado, a defesa do réu terá agora o prazo legal de
10 dias para ser citada (intimada) e se posicionar diante da denúncia.
O procurador permanece preso no Quartel dos Bombeiros.
Fernando Ribeiro
Editor