Maniçoba pronta
Costuma-se dizer na imprensa amapaense que na eleição
de 2004, um candidato folclórico e inexpressivo foi o causador
da derrota da candidata que até as vésperas das eleições
liderava com folga as pesquisas de intenções de votos
para a Prefeitura de Macapá. Porém, se analisarmos friamente
e sem paixões o cenário eleitoral no nosso Estado mudou
muito. Primeiro perdeu-se a inocência. Se não estou enganado
a última candidatura a prosperar naquela de se dizer orgânica
foi a da Profª. Marivalda em 2000, eleita vereadora em virtude
da votação maciça que obteve no bairro do Zerão.
De lá pra cá candidatos que não dispõem
de meios de barganhar votos não se elegeran. Não me
venham com essa lenga-lenga de trabalho social, o que interessa mesmo
é o toma lá da cá. O eleitor quer saber de cerveja
e feijão. Tive mos excelentes lutadores sociais em todos os
partidos, com empatia e respeito da sociedade mais que não
conseguiram se eleger. O negócio a partir de 2004, é:
- ou o candidato tem dinheiro ou cargo para nomear ou não adianta
candidatar-se.
Até que tenhamos um Estado com mais de um milhão de
habitante, quem tiver dinheiro ou estiver no poder é só
se candidatar, cozinhar a maniçoba e esperar o dia da eleição.
Temos uma Justiça Eleitoral que pouco faz, resta saber qual
o motivo. A lei eleitoral brasileira não permite o tráfico
de influência muito menos capitação de sufrágio,
coisas estas que estão se tornando eventos correntes nas últimas
eleições. Chega o período eleitoral, corruptos
e corruptores se esbaldam enquanto os pressupostos democráticos
são jogados no lixo.
A moda do memento é fechar o estabelecimento educacional,
como ocorreu na Escola Antÿnio M essias (15/08/08) e na Escola
Padre Dário (22/08/08). Nos dias de sexta-feira não
tem aula. Uma equipe do Gosverno em Ação ocupa a escola
e arma o cenário romano do pão e circo para no sábado
executar os serviços ou seria capitar votos! Não adianta
denunciar a harmonia entre os poderes constituídos não
permite importunar quem trabalha em "benefício" do
povo. Chega a ser cÿmico. Mas o que está ocorrendo no
Amapá é ruim pra toda a população. Somos
um estado novo e se esses níveis de corrupção
não forem debelados em menos de vinte anos a Administração
Estadual entrara em colapso. Já experimentamos alguns indícios
preocupantes, tais como o IDHM, da Firjan para Macapá e o caos
das redes públicas estaduais e municipais da saúde.
Já tem muito candidato com a maniçoba fervendo, pois
sabe que a justiça é cega e que o seu eleitorado Í
? especial, basta servir-se de uma onça que o voto está
garantido. Triste combinação: - eleitor que vende sua
alma; judiciário inoperante; candidato desonesto, resultado
espaço social caótico. Nesse sentido, se eu não
fosse pobre e preto daria aqui o nome de sete vereadores (as), que
a contar pela riqueza e capacidade de influência de seus pais
o Tribunal Regional Eleitoral já pode providenciar os seus
respectivos Diplomas de Vereadores (as) eleitos do Município
de Macapá, no próximo 05 de outubro vindouro.
Existem também aqueles candidatos cuja "musculatura"
eleitoral é proveniente de farta distribuição
de cargos públicos em nomeação. Aí é
uma farra. Essa gente representa no GEA mais de quinze mil pessoas,
ou seja, com simples telefonemas é possível remanejar
milhares de votos para uma candidatura, como ocorreu em 2004, quando
a militança do careca projétil abandonou a vencedora
e desembarcou na cand idatura do João Beija-Flor no dia da
eleição, dando a este a vitória naquele pleito.
E pensar que a eleição do Profº Azevedo Costa,
em 1985, foi um pleito limpo. O que significa dizer que o perfil do
eleitorado macapaense está piorando a cada eleição.
Azevedo foi eleito porque assim quis a maioria do povo, contrariando
os poderosos de então. Hoje o que se observa é um jogo
de cartas marcadas, os poderosos de antemão decidem quem irá
nos governar e, induzem a população a obedecer cegamente.
Lamentável. O que me preocupa é que o pior está
por vim.
Por: Gil Barbosa. Prof. Mestrando em Antropologia. RG: 026.991-AP;
CPF: 225.919.312-91. AV: Tereza Maciel Tavares, 522 - Muca. Fone:
9981-0093.