Parceiros Nota Zero
Ruy Smith- Deputado estadual
Quem não se lembra da Parceria Nota 10, aquela celebrada
entre o atual prefeito de Macapá e o governo do Estado para
reeleger Waldez, e que hoje, moribunda, continua, mas agora executada
pelo próprio governo do Estado. É o asfaltamento da
cidade, é o pagamento pelo recolhimento do lixo domiciliar.
O governador gostou de ser prefeito!
Nessas eleições municipais, quase todos os candidatos
a prefeito da capital têm, na ponta da língua, o discurso
pronto de que querem manter a parceria com o governo estadual, pois
a lógica dos pretendentes, desprovida de qualquer senso crítico,
acrescento, é a de que, se a parceria ajudou a reeleger o governador,
também ajudará a eleger o futuro prefeito.
O povo gosta do governador ajudando o prefeito! O povo quer o governador
ajudando o prefeito! O povo precisa da parceria! O povo gosta de asfalto!
O povo, novamente, vai ser enganado! Não percebe, esse povo,
que o dinheiro gasto para fazer o asfalto e retirar o lixo, sai da
saúde, da segurança, da habitação, da
água, da energia; isso para citar só alguns dos graves
problemas que o executivo estadual enfrenta.
De um lado, os candidatos que dizem, claramente, que não
são capazes de administrar sozinhos, que não têm
qualquer outra saída para os problemas de Macapá que
não sejam inspiradas no orçamento estadual, na parceria;
não falam em esforço de arrecadação, modernização
da máquina municipal, racionalidade dos recursos, nem em prioridades
de programas e projetos, austeridade, eficiência, e tudo o mais
que sirva para arrecadar mais e gastar melhor.
De outro lado, um governador que faz a parte do prefeito, mas não
faz a sua própria. O investimento é menor que 5% do
orçamento, a economia estadual ficou mais dependente do orçamento
público, a CEA – que deve mais de R$ 500 milhões
– será federalizada, a CAESA – que deve mais de
R$ 120 milhões – está falimentar, a rede de esgotos
não avançou um palmo sequer, a saúde está
sucateada. Um mamógrafo custa menos que 2 km de asfalto; um
cistoscópio custa menos que 500 metros; um endoscópio
infantil, menos que 300 metros; não tem dinheiro para comprar
esses equipamentos que salvam vidas, mas tem para o asfalto parceiro!
Parceiros nota zero! A verdadeira parceria, raciocinemos, é
o governador fazer a sua parte, e o prefeito, a que lhe cabe. Se o
governador, dentre outras, amplia a rede de esgoto, adota políticas
eficazes para as ressacas, amplia a distribuição de
água e energia pelos bairros periféricos, e cuida da
saúde pública, está colaborando com as ações
do prefeito. Se o prefeito limpa a cidade, recolhe e trata o lixo,
asfalta e sinaliza as vias, organiza a expansão urbana, mantém
os postos de saúde funcionando, e garante as crianças
na escola, está colaborando com a administração
do governador. E o povo, penhorado, agradece!