A MÚSICA AMAZÔNICA NA EDUCAÇÃO
AMBIENTAL
O poder da música e o papel que ela pode desempenhar na vida
dos seres humanos são conhecidos, desde a antiguidade, onde
há registros em papiros médicos egípcios do século
1500 a.C., sobre a influência da música na fertilidade
das mulheres; ao seu uso na atualidade, em aplicações
lúdicas, terapêuticas e educacionais.
O tema música e educação tem sido alvo de pesquisas
de profissionais de diversos ramos de atividade, tais como psicólogos,
neurologistas, educadores e músicos. Como resultado de uma
longa experiência de trabalho como musicista, educadora e pesquisadora,
a professora Maria de Lourdes Sekeff (UNESP), considera necessário
o uso da música como ferramenta auxiliar do processo educacional
escolar , compreendido de forma ampla, para além da sala de
aula.
Na educação não-formal, a música também
tem sido frequentemente empregada como recurso de aprendizagem, recreação
ou simples reflexão. Com este propósito, A Embrapa Rondônia
tem elaborado dinâmicas utilizando este recurso como ferramenta
para a sensibilização sobre questões ambientais
aplicando-as em atividades de educação ambiental, utilizando
músicas de artistas da região amazônica.
A reflexão a partir de canções de temáticas
regional é uma atividade que aproxima as áreas de comunicação
e educação e leva em consideração o contexto
no qual estão inseridos os participantes do ato educativo.
As canções amazônicas, desde os clássicos
do maestro Waldemar Henrique às toadas de bois, retratam a
região de forma simples e direta, embora sempre impregnadas
de poesia. Mas não fica nisso a contribuição
dos artistas da região, embora alguns recusem o rótulo
de “música regional”, canções de
vários artistas amazônicos têm possibilitado seu
uso para a prática educativa.
Em recente evento envolvendo alunos do ensino médio, da Escola
Marcelo Cândia, em Porto Velho (Rondônia), foi promovido
a audição de nove canções, cuja temática
não se restringe ao espaço amazônico, mas à
dimensão planetária das questões ambientais.
A atividade proposta decorre das ações do projeto Com.Ciência
Florestal, coordenado pela Embrapa Rondônia, que visa a popularização
da ciência, por meio da elaboração de mensagens
que levem ao entendimento do público leigo a aplicabilidade
da ciência no dia-a-dia da sociedade.
A audição e discussão da temática das
músicas e sua contextualização regional, resultou
na seleção pelos estudantes, de cinco canções
para elaboração de videoclipes educativos a serem utilizados
em atividades de divulgação cientifica e educação
ambiental. As canções escolhidas são de artistas
dos estados do Amapá, do Amazonas e de Rondônia.
De Macapá, vieram as músicas “Pela cauda de um
cometa” (Nivito Guedes e Fernando Canto, na voz de Juliele Marques),
cujo apelo “...eu quero que você coopere com a vida do
Planeta” sensibilizou os jovens; e “Pérola Azulada”
de Zé Miguel e João Gomes, cuja letra rende tributo
ao planeta Terra e conclama o respeito à natureza e cuja melodia
animou os jovens a cantar juntos.
Do Amazonas, foram escolhidas duas toadas dos bois de Parintins (Caprichoso
e Garantido). De Rondônia, foi escolhida a canção
“Não deixe secar o coração”, composição
de Túllio Nunes, gravada pelo Nossas Raízes, um grupo
de canto-coral regido por Silvia Helena. O grupo, dirigido por Timaia,
é formado por 18 crianças (meninos e meninas na faixa
de 7 a 19 anos), que produzem suas músicas com temas da realidade
por eles vivenciada. Além disso, produz seus instrumentos de
percussão, com o aproveitamento sustentável de madeira
da área de reserva florestal em que vive, no distrito de Nazaré,
as margem do rio Madeira, a 6h de barco de Porto Velho.
O envolvimento de alunos do ensino médio na elaboração
e produção coletiva de recursos didáticos audiovisuais
é uma das estratégias adotadas para que os videoclipes
sejam produzidos numa linguagem adequada ao público a que se
dirige. Depois de finalizados, os videoclipes serão inseridos
em um DVD multimídia e distribuídos para bibliotecas
de escolas visando sua utilização em atividades educativas
que contribuam para a sensibilização quanto às
questões ambientais e a importância da pesquisa florestal.
Vânia Beatriz de Oliveira
Pesquisadora da Embrapa Rondônia
sac@cpafro.embrapa.br