Curso da Embrapa orientou sobre técnicas de cultivo
de açaizal irrigado
O pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental (Belém-PA),
João Tomé de Farias Neto, foi um dos palestrantes do
curso "Manejo de açaizais nativos de mínimo impacto",
realizado pela Embrapa Amapá no período de 11 a 15 deste
mês, com aulas teóricas e práticas em áreas
de experimentos de açaizeiros.
Cerca de 40 técnicos de extensão agrária e florestal
do Amapá estiveram na palestra do pesquisador, focada nos procedimentos
adequados de irrigação em açaizais cultivados
em terra firme.
João Tomé apresentou um quadro geral da cadeia produtiva
do açaí no Pará e detalhou as técnicas
de cultivo irrigado implantada há 10 anos, em uma área
da Embrapa no município de Tomé-Açu, no nordeste
paraense. "O plantio em terra firme foi feito em março
de 2003. O material genético foi coletado em Afuá (localidade
do Baiano) e Chaves, porque nestes municípios ocorre produção
no período da entressafra", explicou o pesquisador.
Instalada em uma área de 1,2 hectares, a unidade experimental
de açaí irrigado amplia o tempo de produção
e a safra é mais longa.
Durante a palestra vários técnicos manifestaram suas
dúvidas com relação aos procedimentos corretos
para o cultivo irrigado de açaizeiros. O pesquisador ressaltou
que é fundamental seguir um planejamento de ações
para se obter resultados satisfatórios, em quantidade e qualidade
de
frutos de açaí. Ao descrever as etapas do planejamento
da irrigação, lembrou que primeiro é preciso
definir quanto irrigar, a proporção de quantidade de
água para cada planta, sendo que o consumo de água depende
da espécie, da idade, da área foliar, da profundidade
das raízes, do espaçamento e da ocorrência de
ervas daninhas.
Em seguida, o produtor precisa observar como irrigar, se por método
de superfície que tem a desvantagem do desperdício de
água ou da irrigação pressurizada, que tem o
sistema convencional por aspersão e o localizado que é
o gotejamento e microaspersão. "Ainda na fase de planejamento,
o produtor de açaí precisa ficar atendo para definir
quando iniciar a irrigação, o ideal é no segundo
semestre do ano, a freqüência de irrigação
ou turno de rega deve ser feito todos os dias, o tempo de rega depende
da vazão", acrescentou João Tomé.
O açaizal irrigado rende três vezes mais em relação
ao não irrigado e proporciona uma colheita quinzenal, ou seja,
maior produtividade de frutos com cachos com mais frutos pesados,
maior altura da planta e maior número de folhas emitidas. Já
o açaizeiro não irrigado apresenta sazonalidade na produção
(a partir dos cinco anos, no segundo semestre), menor produtividade
dos frutos, menor altura das plantas, baixo sombreamento e alta queda
de frutos, comparou o pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.
Entre as recomendações, João Tomé destaca
que as mudas precisam ter pelo menos oito meses de idade, o plantio
deve ser feito no início das chuvas do ano seguinte, em fevereiro
e março e com sementes de boa qualidade visando a produção
de mudas.
BRS PARÁ - Na oportunidade, o pesquisador também descreveu
o processo de produção da cultivar de açaí
BRS Pará, lançada há cerca de quatro anos pela
Embrapa Amazônia Oriental, como resultado de um trabalho que
iniciou em 1984, sob a liderança de Rubens Lima. O pesquisador
aproveitou para bater papo com os velhos amigos da Embrapa Amapá,
unidade onde ele trabalhou até 2001.
Dulcivânia Freitas