OPOSIÇÃO ACUADA

Por Rupsilva

Pra início de conversa não vejam no título nenhuma desconsideração ao papel desse importante segmento político. Pelo contrário.

Inviabilizá-lo, criar-lhe obstáculos, estreitar seu campo de ação é a estratégia sistemática do governo e aliados para impedir o seu retorno ao comando do Estado. O título reflete, portanto, um quadro conjuntural realista.

O cerco à oposição e a quem ousa desafiar a ordem estabelecida (aqui conhecida como Harmonia) é uma manobra conhecida e repetida a cada eleição. Uma jogada introduzida entre nós por Sarney e seguida pelos que podem, de uma forma ou de outra, interferir nos resultados eleitorais.

Claro que isso só ocorre com quem tem medo do voto como é o caso de Sarney que rejeita a disputa democrática, preferindo o tapetão, usando o poder que agregou a sua imagem ao longo de sua controversa carreira que funciona para o bem (muito pouco) e para o mau, hoje em cheque no bojo da crise do senado.

O conceito que tem de si e a importância que se dá, não admite derrota eleitoral ou qualquer outra que venha manchar essa imagem. Na derrota iminente, sabe como apelar e para quem apelar.

Enfim, usa meios pouco republicanos para chegar à vitória como isolar o adversário, valendo-se de sua importância e autoridade política, do caráter cartorial e fragilidade ideológica dos partidos, cujos dirigentes, a maioria sem voto, transformaram em siglas de aluguel.

Por fim passa ao eleitor, maquiavelicamente, a idéia que a oposição nunca mais ganhará uma eleição no Estado, causando desânimo na militância cujos reflexos já se detecta em algumas de seus mais importantes setores, que preferem o silencio a protestar contra o sistema.

Por isso as coligações perderam seu caráter ideológico, tanto que a incoerência é visível quando essas parcerias são formalizadas junto ao TRE.

Partidos como PT, PC do B, PCB, PV, PDT, PPS não mais consideram, como antes, os fundamentos e princípios basilares da velha esquerda, na hora de se juntar. Mais que isso, não respeitam sequer princípios elementares da sociedade moderna, que o Estado existe para servir o cidadão.

Isso resulta a dificuldade maior das oposições. Hoje há novas exigências, motivações e interesses, a maioria condenável, se comparado aos antigos padrões. Hoje, em qualquer discussão para formação de coligações, o privado prevalece sobre o público. É a política do toma lá dá cá.

Os meios e artifícios de convencimento, quando se dispõem dos recursos públicos, transitam de várias maneiras, como se fala aos quatro ventos. Das vantagens pecuniárias, da generosa distribuição de cargos públicos, entre familiares e amigos próximos, aos negócios nebulosos com o Estado.

Hoje PSB, PSOL e o PMN é tudo que restou de oposição no Amapá. O PT, após a ascensão de Lula a presidência, rasgou seu ideário político, seu código de ética e nunca mais foi o mesmo. Sua aliança com o PMDB comprometeu gravemente sua imagem.

Por tudo isso cada eleição no Amapá, juntar os trapos é um parto doloroso para as oposições. Em particular pra o PSB, herdeiro do espólio oposicionista e caudatário das insatisfações populares, a quem coube o papel de resistir.

Como desconhecer essa luta bracaleônica contra um poder cada vez mais endinheirado, poderoso, intolerante e antiético e ter de quebra a indisfarçável má vontade da justiça eleitoral?

Membros do partido reconhecem as dificuldades de alianças. Segundo uma fonte creditada o parceiro desejado é o PT, recompondo uma velha aliança que governou o Estado por oito anos. Com Antonio Nogueira, prefeito de Santana, na cabeça de chapa ao governo, com um vice seu.

Arrisca perder o apoio do PSOL, com quem fez uma bela dupla em 2008, que prefere os petistas no pelourinho. Mas que, estranhamente, se não for mais um factoide, parece não se incomodar em se unir ao PTB do sarneysista Lucas, de Roberto Jefersson e Collor de Mello, igualmente da base lulista.

Prevalecerá a realidade objetiva. O PT, cuja musculatura será tonificada com a candidata Dilma Housseff é, sem dúvida, o caminho da lógica. Mas para construir essa engenharia, Nogueira terá a dura tarefa de ganhar o controle do PT, hoje com Dalva Figueiredo, numa eleição difícil em novembro e convencer a cúpula do PT.

Dalva e companheiros, como sabemos, são simpáticos a Sarney. Há que afirme que ele decide pelo partido, como ficou claro no recente episódio do Senado quando esnobou seus senadores, deixando claro que seu compromisso é com Lula.Essa ingerência constitui um obstáculo poderoso a superar.

Não há dúvida que o PSB é o carro chefe das oposições pela força de suas lideranças. Mesmo diante das perseguições sistemáticas do poder e da indiferença silenciosa de antigos companheiros, gozam de irrefutável prestígio eleitoral, provado a cada eleição.

Não fosse por questões éticas, poderiam até fechar com Jorge Amanajas (PSDB), que finalmente quedou-se a realidade e se descobriu no “mato sem cachorro” ou Lucas Barreto (PTB), que carrega o estigma de ser fiel a Sarney, de quem recebia benesses do Senado e é ligado visceralmente ao Status quo.

Ambos, como de resto todos que militam na política, sabem que o PSB é o fiel da balança e decidirá a sorte do pleito em 2010. Por isso é a noiva mais cortejada da política amapaense.