Juiz Paulo Madeira alerta para a prostituição
infantil em Pedra Branca do Amapari
Em reportagem publicada nesta terça-feira (29), no segundo
caderno do Jornal do Dia, veículo de circulação
diária no Estado, o titular da Comarca de Serra do Navio, responsável
pelo posto avançado da justiça em Pedra Branca do Amapari,
juiz Paulo César Madeira, falou sobre os principais problemas
enfrentados pela população deste último município.
Na entrevista concedida ao repórter Carlos Lima, o magistrado
citou entre os fatos mais graves, o da prostituição
infantil. Praticada em sua maioria por meninas com idade entre 9 e
15 anos, a venda do próprio corpo é a saída para
o cenário de pobreza que muitas enfrentam dentro de casa.
Arredias, ariscas, desconfiadas, agressivas, elas vivem às
margens das ruas ou nos bares da cidade. O corpo franzino de algumas,
revela a total falta de compreensão do peso real do que fazem.
Sem a mínima maturidade sexual ou emocional, elas não
têm capacidade para avaliar, tampouco optar se realmente querem
ser prostitutas.
No Amapá, por ser uma região fronteiriça, o
crime de violência sexual contra adolescente é comum,
principalmente em regiões como o município de Oiapoque,
que faz fronteira com a Guiana Francesa. A rota da exploração
sexual inclui ainda os municípios de Laranjal do Jari (Beiradão),
Santana e a capital, Macapá.
O crime contra vítimas infanto juvenis vem ganhando proporções
preocupantes, tanto que a justiça de Pedra Branca registrou
só no ano passado, um aumento de 40% nos casos de violência
praticados contra crianças e adolescentes.
Parte desse problema se deve ao crescimento populacional enfrentado
pelo município nos últimos anos. O censo demográfico
de 2007, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), identificou mais de sete mil pessoas vivendo na região.
“A população aumentou consideravelmente em razão
da vinda de muitas famílias, na maioria homens em busca de
trabalho nas mineradoras", ressaltou o juiz. O extrativismo mineral
pode ser visto através de pequenos garimpos em algumas localidades
do município, como Jornal e Abacate.
Paulo Madeira explica que mesmo com a instalação de
novas empresas, muitos munícipes não conseguem se empregar.
Sem trabalho, sem dinheiro e vivendo às margens da sociedade,
o caminho escolhido é o da violência.
"Os filhos acabam optando pela marginalidade, com um aumento
preocupante. Temos muitas dificuldades para lidar com isso em razão
da falta de estrutura de trabalho do Conselho Tutelar local e também
da própria policia, insuficiente para a demanda”, afirmou
Madeira.
De acordo com o “Mapa da Violência dos Municípios
Brasileiros 2008”, publicado pelo Ministério da Justiça,
Pedra Branca do Amapari registra uma taxa média de 46,1% de
homicídios, ocupando o 187º lugar no ranking nacional.
Desses, 1,4% envolvem jovens.
Pedra Branca do Amapari
Está a 180 km da capital amapaense, Macapá. Carente
de infra-estrutura e com escassez de emprego e renda, a atividade
comercial de serviços oscila em pequenos e médios estabelecimentos
diversificados, voltados ao consumo básico de produção
no setor industrial. A maioria das famílias possui renda familiar
de 1 a 3 salários mínimos e o número de desempregados
engrossa a fila dos 3%, com menos de um salário. (Da Corregedoria
Geral de Justiça do Estado)