Nossa representatividade

Algumas são as Instituições Públicas que representam os interesses da coletividade brasileira, no caso amapaense temos o Ministério Público Estadual, a Assembléia Legislativa, o próprio Governo do Estado, o Judiciário, entre outros órgãos que deveriam verificar nossos problemas de ordem social, políticos e econômicos, tais instituições questionariam o poder público no sentido de forçar o Estado a dar soluções para os anseios da população mais carente. Um questionamento aguça nossa curiosidade, o que está ocorrendo com nossa representatividade maior que é o parlamento amapaense, nossa casa de leis, onde se deveriam criar leis de interesse da coletividade e fiscalizar as ações do executivo, não que lá nossos parlamentar es não estejam produzindo leis, contudo ainda percebemos pouca ou quase nem um interesse em nossos deputados em investigar ou ao menos cobrar respostas do governo do estado sobre a má utilização de verbas públicas pelo mandatário da educação.

Devemos ter a compreensão do real papel de um deputado estadual, quando eleito para um mandato de quatros anos, o parlamentar recebe do povo, que é o verdadeiro dono do poder, uma parcela desse poder, pois a cada processo eletivo somos nós que os elegemos, as 24 cadeiras da Assembléia Legislativa do Estado serão ocupadas por pessoas escolhidas por nós nas urnas. Ora! Eles foram eleitos para representar nossos interesses e anseios, não os deles, quando mandamos nossos filhos para escola queremos que sejam educados minimamente pelo estado, não podemos solucionar os problemas inerentes a educação, mas nossos deputados podem cobrar do poder público que dê solução para falta de professores, de merenda escolar, falta de estrutura mínima para que se desenvolva uma educação gratuita e de qualidade. Nossos representantes não podem ignorar qualquer denúncia que seja envolvendo a administração de verbas que deveriam servir simplesmente para beneficiar a população menos prestigiada. É inadmissível que eles se comportem assim dessa maneira como se nada estivesse acontecendo, como se todas essas denúncias surgissem do imaginário do empresário Luciano Marba, até onde sabemos, ele já apresentou provas consistentes comprovando o real envolvimento dos denunciados.

Nossos deputados deveriam buscar inspiração no mundo grego, pois para os gregos a política nasce da preocupação ética de como as cidades deveriam ser organizadas para que se fosse possível viver a melhor vida possível, eles entendiam a vida política como sendo uma associação moral para a vida comum, incrível no Senado Federal temos o incomum José Sarney, mas o foco aqui não é ele, aliás! Poderíamos até utilizá-lo como exemplo maior da apropriação de nossa representatividade. Queremos criar o mínimo de criticidade em nosso povo, gostaríamos que o povão que tem menos conhecimento acerca desse mundo obscuro e complexo, que é o mundo político, procure em nossos representantes essa postura ética e moral que os gregos tinham quando faziam política, será que ainda existe interesse em nossos parlamentares em resolver realmente nossos problemas. Max Weber classificaria uma parcela considerável dos deputados de nossa casa de leis como indivíduos que vivem da política e dela dependem economicamente, não é difícil de entender essa referência, pois eles entram lá simples professores e se tornam grandes proprietários de terra e pseudos produtores de alimento, outros entram médicos e se tornam donos de parcela considerável de nossa mídia, poderíamos falar de cada um deles, mas vamos deixar somente esses dois exemplos para que o povo reflita e os julgue nos próximos pleitos eleitorais.

Temos que entender que todo poder emana do povo, quando agimos com passividade diante dos fatos que arvoram a educação de nossos filhos, estamos legitimando essa falta de atitude de nossos deputados estaduais, bem como a corrupção desenfreada e sistematizada no governo do estado, não podemos e nem devemos deixar de cobrar um posicionamento deles sobre as denúncias feitas por Luciano Marba, sabemos o quanto é importante para eles que a maioria da população continue desinformada, pois isso possibilita um melhor e maior controle do povo amapaense, principalmente os mais carentes. É preciso que eles priorizem o interesse comum e coloquem em segundo plano seus interesses, a população cabe cobrar de nossos nobres parlamentares, segundo Dal mo Dallari ao povo sempre interessa participar, ou para tomar decisão, ou para estabelecer regras que possibilite maior participação nas decisões políticas, não podemos simplesmente delegar as resoluções de nossas necessidades a um pequeno grupo de pessoas, pois no caso amapaense já sabemos como eles agem quando sentam em seus imponentes “tronos” em nossa Assembléia Legislativa do Amapá.


Alex Gomes- Bacharel em História pela UNIFAP