Reajustes devem sair em agosto
Luciano Pires
Correio Braziliense
23/7/2008
São cada vez menores as chances de publicação
ainda neste mês das duas medidas provisórias que vão
autorizar aumentos salariais para cerca de 300 mil servidores do Executivo
federal. Embora as negociações com os sindicatos que
representam servidores públicos tenham sido encerradas há
duas semanas, o governo ainda não fechou a redação
de uma das MPs. A decisão tomada pelo Palácio do Planalto
é baixá-las no mesmo dia.
Insatisfeitos com essa demora, um grupo de funcionários públicos
formado por representantes do Fisco, do Banco Central, dos gestores
e dos advogados públicos da União se reuniu ontem com
Duvanier Paiva, secretário de Recursos Humanos do Ministério
do Planejamento, instituição que concentra essas negociações.
Os servidores não conseguiram respostas para todas as perguntas
e deixaram o encontro pessimistas. “Está tudo indefinido,
pouco claro”, reclamou um dos sindicalistas descontentes.
A Secretaria de Recursos Humanos não assumiu compromisso com
nenhuma data para a publicação das MPs. Nas contas das
entidades sindicais, se os textos não estiverem no Diário
Oficial até 8 de agosto, é quase certo que o dinheiro
do aumento só virá em setembro.
Categorias
De acordo com a última estratégia traçada por
assessores do Palácio do Planalto, uma das medidas provisórias
abrigará exclusivamente as categorias que passarão a
receber salários na forma de subsídio.
A outra medida provisória atenderá os setores que continuarão
no modelo clássico de remuneração, com gratificações
e vantagens pessoais preservadas, conforme acordos. Ao todo, 54 categorias
serão contempladas.
Por causa dos sucessivos adiamentos, a Confederação
dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef)
estuda convocar uma reunião plenária extraordinária
a fim de avaliar o que pode ser feito para pressionar o governo. A
maioria dos 300 mil servidores que aguarda o reajuste faz parte da
base da entidade.