Fórum na AL debate a Comunicação Social
como ferramenta de direitos e de cidadania
Contando com a presença do jornalista Jonas Valente, mestre
em Políticas de Comunicação pela Universidade
de Brasília (UnB), a Comissão de Direitos Humanos da
Assembleia Legislativa do Amapá (CDH-AL), presidida pelo deputado
estadual Camilo Capiberibe (PSB), realizou na tarde da última
terça-feira, 02 de junho, o 1º Fórum Pró-Conferência
Estadual de Comunicação do Amapá. Na pauta, a
"comunicação e os meios para a construção
de direitos e de cidadania na era digital".
Os debates, no entanto, não se concentraram somente no item
proposto. O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Amapá
(Sindjor-AP), Volnei Oliveira, abriu a caixa de ferramentas contra
as empresas de Comunicação amapaenses. Segundo Oliveira,
ultimamente elas estão reduzindo a contratação
de jornalistas. Preferem vender espaços ou horários
para veiculação de colunas ou de programas radiofônicos
e televisivos. Isso vem acontecendo, inclusive, nos jornais, revelou
o presidente.
A relação entre jornalistas e empresas de comunicação
no Amapá, assinalou Volnei Oliveira, resvala para a "prostituição"
da mão de obra profissional. Em bom português, com o
jornalista enfrentando dificuldades para exercer sua atividade condignamente,
a tendência é que acabe enveredando para o jabaculê
(diz-se, nos meios de comunicação, de qualquer prática
de corrupção ou desonestidade no serviço de um
profissional de Imprensa). E isso, prossegue o líder sindical,
acontece com muita frequência em Macapá porque o mercado
de trabalho ainda patina entre amadorismo e profissionalismo.
Integrante do Coletivo Brasil de Comunicação Social
(Intervozes), Jonas Valente não se surpreendeu com as declarações
de Volnei Oliveira. Com larga experiência na profissão
(já trabalhou no Movimento Nacional de Direitos Humanos, na
Agência de Notícias Carta Maior e atualmente contribui
com a Organização da Conferência Nacional de Políticas
Públicas para a Juventude), Valente enalteceu a iniciativa
da CDH-AL em realizar o 1º Fórum Pró-Conferência
Estadual de Comunicação no Amapá, e aproveitou
para corroborar as informações do presidente do Sindjor-AP.
De acordo com Jonas Valente, o aviltamento da profissão de
jornalista no Brasil ainda passa, lamentavelmente, pela discussão
que vem se desenrolando há anos sobre a regularização
profissional e a validade ou não do diploma. São questões
que, argumenta ele, nem deveriam entrar na pauta do Supremo Tribunal
Federal. Por conta dessa fragilidade ocasionada por este debate "desgastante"
sobre a validade ou não do diploma, empresários inescrupulosos
se aproveitam para minimizar a importância do profissional de
Imprensa e pagar salários irrisórios.
Por isso, exultou Valente, a realização da I Conferência
Estadual de Comunicação no Amapá ganha em importância.
"A comunicação precisa de mecanismos democráticos
de formulação, monitoramento e acompanhamento de políticas
públicas. Trata-se de um pleito antigo da sociedade civil objetivando
o debate sobre os destinos da comunicação brasileira".
De acordo com o jornalista, esses temas sempre foram tratados em conversas
reservadas, em gabinetes refrigerados, entabuladas por empresários
e por políticos interessados na Comunicação Social
como instrumento de poder particular.
Ao final do encontro no plenário da Assembleia Legislativa
do Amapá, ficaram estabelecidos os seguintes compromissos:
1.Cobrar do Executivo Estadual que convoque e dê suporte à
realização de uma Conferência Estadual de Comunicação
bem como as Conferências Municipais nos moldes das conferências
de outros setores já realizadas no Amapá e no Brasil;
2.Pelo fim do controle político-partidário sobre as
concessões de rádios comunitárias;
3.Pelo fim do controle político da ANATEL que penaliza a comunicação
comunitária e protege os interesses da comunicação
comercial e a mercantilização dos espaços na
mídia;
4.Que se viabilize a transmissão ao vivo das sessões
de todos os legislativos em nível estadual e municipal como
mecanismo de transparência e democratização da
atuação política parlamentar;
5.Lutar pela criação do Conselho Estadual de Direito
a Comunicação;
6.Adequação dos gastos de publicidade a legislação
nacional vigente;
7.Promover uma campanha e a mobilização social pela
democratização das verbas publicitárias públicas.
8.Desenvolvimento, pelo Fórum e organizações
parceiras, de critérios democráticos e transparentes
de distribuição das verbas públicas que visem
à democratização da comunicação
e que se efetivem como legislação e políticas
públicas;
9.Proposta de revisão dos critérios e “parâmetros
técnicos de mídia” utilizados pela administração
pública, de forma a combater os fundamentos exclusivamente
mercadológicos e viabilizar o acesso a veículos de menor
circulação ou sem verificação.
10.Contribuir na promoção de outras políticas
públicas de incentivo à pluralidade e à diversidade
por meio do fomento à produção e à distribuição;
11.Lutar pelo estabelecimento de políticas democráticas
de comunicação, na perspectiva de um novo marco regulatório
para o setor que inclua um novo processo de outorga das concessões,
a democratização e universalização da
banda larga e a adoção do padrão nacional nos
sistemas brasileiros de TV e rádio digital, além do
fortalecimento das rádios comunitárias;
12.Mapear as diversas iniciativas da mídia livre visando o
conhecimento sobre a realidade do setor e o reconhecimento dos diversos
fazedores de mídia;
13.Propor a implementação de pontos de mídia,
como política pública, integrados e articulados aos
pontos de cultura, veículos comunitários, escolas e
ao desenvolvimento local, viabilizando, por meio de infra-estrutura
tecnológica e pública, a produção, distribuição
e difusão de mídia livre;
14.Estimular a criação e fortalecimento de modelos
de gestão colaborativa das iniciativas e mídias, com
organização não-monetária do trabalho,
por meio de sistemas de trocas de serviço.
15.Que o debate sobre comunicação envolva e incorpore
as propostas inerentes às questões de gênero,
diversidade sexual e da questão étnico-racial.
16.Que os deputados apreciem e aprovem o projeto de lei de autoria
do deputado Camilo Capiberibe que busca viabilizar a transparência
nos gastos com publicidade.
17.Que se realize uma audiência pública conjunta da
Assembléia Legislativa e das Câmaras de vereadores de
Macapá e Santana para discutir as Comunicações
e suas peculiaridades no estado do Amapá.
Em função destes compromissos, nos propomos a:
•Realizar encontros preparatórios nos municípios
ou regiões do estado do Amapá;
•Somar-se às entidades de luta pela democratização
na luta por uma conferência ampla, democrática e descentralizada,
passando a integrar a Comissão Pró-Conferência
Estadual de Comunicação;
•Envolver os movimentos sociais nas ações pelo
fortalecimento da mídia livre;
•Agendar em âmbito estadual e municipal reuniões
com o Poder Executivo, Legislativo e Judiciário para reivindicar
a realização das Conferências Locais de apresentar
as reivindicações tiradas no Fórum;
Repudiamos:
• O corte de cerca de 80% dos recursos orçamentários
destinados à realização da primeira Conferencia
Nacional de Comunicação e reivindicamos que o governo
federal reafirme seu compromisso com a democratização
das comunicações devolvendo os recursos que vão
viabilizar a realização de uma Conferência ampla,
plural e democrática.
Convite
•O Coletivo pró-conferência estadual de comunicação,
em relação à nota publicada no jornal Tribuna
Amapaense na semana da realização do I Fórum
de Debates Sobre as Comunicações, convida o referido
jornal e o jornalista encarregado a democraticamente participar do
coletivo e debater sem receios e com espírito democrático
e construtivo. Fazemos este convite acreditando que este debate é
fundamental e precisa ser plural.
Volney Oliveira, presidente do Sindjor
João Batista, Presidente da Abraço Amapá
José Gomes Almeida , Presidente da Rádio Comunitária
Novo Tempo
Vereadora Cristina Almeida PSB-Macapá, Presidente da CDH-CVM
Mauricio Medeiros, Coletivo Pró-Conferência de Comunicação
do Amapá
Gleidson Souza, Presidente do SindSaúde
Osmaíde Silva, Rede de Mulheres em Comunicação
Rildo ferreira, Federação das Entidades dos Servidores
Públicos do Amapá
João Bosco, membro do Sinsepeap
Artagnan da Silva Cardoso, Pres. Associação dos Moradores
do Bairro Hospitalidade
Deputado Estadual Camilo Capiberibe PSB-AP, Presidente CDH-AL
Girlene Oliveira, Jornalista
Luciana Capiberibe, Especialista em Comunicação e Blogueira
Heverson Castro, Blogueiro
Carlos Carmezin, Comunicador Comunitário
Raimundo Souza, Rádio Comunitária Novo Tempo
Emerson Freitas, Sec. Municipal de J uventude do PT de Santana
Alessandra Gomes, Comitê Estadual da Marcha Mundial de Mulheres
em Santana
Chico Terra, Músico, fotógrafo
Pérola Pedrosa, Jornalista
Kelson Rocha, Coordenador do Centro Acadêmico de Filosofia da
UEAP
Juliano Del Castilo Silva, Movimento Negro Socialista
Lucinete Tavares, Comitê Estadual do Enfrentamento ao Abuso
e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Amiraldo Ferreira, Presidente do Diretório Municipal do PT
de Santana
Jorge Penha, Dirigente da Central Única dos Trabalhadores do
Amapá
Emanoel Reis
Karen Cardoso