Atos secretos envolveram 37 senadores desde 1995
23/06/2009 - http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/
É grande o rol de senadores envolvidos, direta ou indiretamente,
no escândalo da burocracia clandestina do Senado.
Notícia levada nesta terça-feira (23) às páginas
do Estadão pelos repórteres Leandro Colon e Rosa Costa
informa:
Desde 1995, pelo menos 37 senadores figuram como beneficiários
ou signatários de atos secretos do Senado. Freqüentam
a relação também 24 ex-senadores.
O escândalo é pluripartidário. Encontram-se no
caldeirão de malfeitos políticos filiados a nove legendas:
PT, DEM, PMDB, PSDB, PDT, PSB, PRB, PTB e PR.
Os nomes emergem de atos administrativos antigos. Documentos que
permaneciam à sombra e foram publicados, com data da retroativa,
nos últimos 30 dias.
Nesta terça, a Mesa diretora do Senado recebe o relatório
da comissão constituição em 28 de maio para esquadrinhar
os atos editados em segredo.
Detectaram-se cerca de 650 papéis sonegados à Opinião
Pública. A prática foi coonestada por todos os presidentes
e primeiros-secretários dos últimos 14 anos.
José Sarney, que diz desconhecer os atos secretos, é
signatário de alguns deles. Heráclito Fortes, que encomendou
o levantamento, também.
Eis alguns exemplos colecionados pelos repórteres:
1. Em março de 2007, Lia Raquel Vaz de Souza foi transferida
secretamente do gabinete de Demóstenes Torres para o de Delcídio
Amaral.
Lia é parente de Valdeque Vaz de Souza, um dos principais
assessores de Agaciel Maia, ex-diretor-geral. Delcídio e Demóstenes
afirmam que nem a conhecem.
2. Documento secreto de 6 de dezembro de 1996, trata do controle
de frequência dos servidores lotados nos gabinetes dos senadores.
Traz a assinatura do presidente de então, José Sarney.
É rubricado também pelos integrantes da Mesa da época,
entre eles Renan Calheiros.
3. Em 1998, toda a Mesa presidida por Antonio Carlos Magalhães,
morto em 2007 assinou a criação sigilosa de oito cargos
de confiança.
4. Cinco anos mais tarde, sob Sarney, criaram-se mais 25 cargos
por meio de ato administrativo secreto.
5. Em 21 de fevereiro de 2005, sob a presidência de Renan
Calheiros, o Senado dotou os gabinetes dos 81 senadores de sete novos
cargos de confiança.
Gente que entrou pela janela, sem concurso, com vencimentos mensais
de R$ 9,9 mil. Tudo em segredo.
6. Senadores licenciados, os ministros Edison Lobão (Minas
e Energia) e Hélio Costa (Comunicações) valeram-se
de atos secretos para nomear parentes e amigos.
Os senadores que figuram como beneficiários de atos secretos,
com ou sem o consentimento pessoal, são os seguinte:
- Aldemir Santana (DEM-DF)
- Antonio Carlos Júnior (DEM-BA)
- Augusto Botelho (PT-RR)
- Cristovam Buarque (PDT-DF)
- Delcídio Amaral (PT-MS)
- Demóstenes Torres (DEM-GO)
- Edison Lobão (PMDB-MA)
- Efraim Moraes (DEM-PB)
- Epitácio Cafeteira (PTB-MA)
- Fernando Collor (PTB-AL)
- Geraldo Mesquita (PMDB-AC)
- Gilvam Borges (PMDB-AP)
- Hélio Costa (PMDB-MG) licenciado (ministro)
- João Tenório (PSDB-AL)
- José Sarney (PMDB-AP)
- Lobão Filho (PMDB-MA)
- Lúcia Vania (PSDB-GO)
- Magno Malta (PR-ES)
- Marcelo Crivella (PRB-RJ)
- Maria do Carmo (DEM-SE)
- Papaléo Paes (PSDB-AP)
- Pedro Simon (PMDB-RS)
- Renan Calheiros (PMDB-AL)
- Roseana Sarney (PMDB-MA, hoje governadora do MA)
- Sérgio Zambiasi (PTB-RS)
- Serys Slhessarenko (PT-MT)
- Valdir Raupp (PMDB-RO)licenciado (ministro)
- Wellington Salgado (PMDB-MG)
Os senadores que freqüentam a lista por ter assinado, consciente
ou inconscientemente, atos secretos como integrantes da Mesa diretora
são:
- Antonio C. Valadares (PSB-SE)
- César Borges (PR-BA)
- Eduardo Suplicy (PT-SP)
- Garibaldi Alves (PMDB-RN)
- Heráclito Fortes (DEM-PI)
- Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR)
- Paulo Paim (PT-RS)
- Romeu Tuma (PTB-SP)
- Tião Viana (PT-AC)
Levado ao pelourinho, o ex-diretor-geral Agaciel Maia dissera que
os senadores não ignoravam a existência de atos não
publicados.
A julgar pelo tamanho da lista, parece mesmo improvável que
todo o Senado ignorasse a prática.
Escrito por Josias de Souza às 04h43