Senado deve votar em breve projeto que combate escalpelamentos
Brasília,
17/06/2009 – Está na ordem do dia do Senado
Federal o PLC (Projeto de Lei da Câmara dos Deputados) 109/2008,
que obriga instalar proteção no eixo e em outras partes
móveis do motor dos barcos, tornando a navegação
ribeirinha mais segura. O projeto foi apresentado pela deputada federal
Janete Capiberibe (PSB/AP) com o número 1.531, na Câmara
dos Deputados, em julho de 2007. A proposta já foi aprovada
pela Câmara e pelas Comissões do Senado e aguarda votação
pelos senadores quando a pauta for desobstruída das medidas
provisórias.
Segundo a autora, quando for aprovado, o projeto tornado lei atacará
a maior causa de escalpelamentos nas regiões ribeirinhas, que
são os acidentes nas embarcações de pequeno porte
que navegam nos rios da Amazônia, comumente barcos usados para
o transporte das famílias. Nos acidentes, o cabelo se enrola
no eixo do motor arrancando o couro cabeludo das vítimas.
Nesta quinta, 18, a partir das 10 horas, a Comissão da Amazônia,
Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional da
Câmara dos Deputados realiza uma audiência pública
para debater os avanços na prevenção e combate
ao escalpelamento.
Cidadania – “Em 2007, iniciamos o processo
de inclusão das vítimas de escalpelamento nas políticas
públicas governamentais. As tiramos da invisibilidade e as
trouxemos para o centro do poder para exigirem seus direitos”,
lembra a deputada socialista, para enumerar outras conquistas desde
aquela época.
Na II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres,
em 2007, e no Congresso Nacional, as vítimas de escalpelamento
saíram da invisibilidade para reivindicar políticas
públicas que as atendessem.
Agora, estão incluídas no programa de cirurgias reparadoras
do Sistema Único de Saúde – SUS e podem até
serem indenizadas pelo acidente que sofreram. Uma cooperação
técnico-científica e cultural entre a Defensoria Pública
e a Fundacentro, com vigência inicial de dois anos, busca o
desenvolvimento tecnológico para aperfeiçoar os mecanismos
de navegação ribeirinha. A Fundacentro, do Ministério
do Trabalho, já desenvolveu e testou um protótipo de
carenagem segura e de baixo custo que cobrirá as partes móveis
dos motores, em substituição aos arranjos improvisados
e de pouco eficácia. Outro progresso é o convênio
com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica para capacitar
cirurgiões plásticos nas cirurgias de reparação.
A deputada Janete também considera positivo o Grupo de Trabalho
que sugeriu ao Ministério dos Transportes, quando presidiu
a Comissão da Amazônia, e que está elaborando
uma política pública para o setor, inexistente até
então. Nesta política já estão previstas
a capacitação dos operadores da navegação
em centros navais, em cada estado da Amazônia, e desburocratização
do acesso dos construtores navais aos recursos do Fundo da Marinha
Mercante para financiar a renovação da frota com juros
menores do que os de mercado.
Recursos – A deputada socialista também
reservou R$ 100 mil das suas emendas individuais para aprimorar o
trabalho de prevenção ao escalpelamento. Do valor, R$
70 mil foram usados para reformar a lancha “Piracuí”
e R$ 10 mil para a balsa “Alvarenga”. Ambas são
usadas, entre outras finalidades, para levar ações preventivas
para combater o escalpelamento. Mais R$ 20 mil serviram para reformar
viaturas da Capitania de Santana. A deputada Janete foi a única
política do Amapá que reservou dinheiro das emendas
para a prevenção do escalpelamento.