CAIXINHA DE SEGREDOS
Ruy Guarany Neves

O Senado brasileiro, enfrenta uma situação delicada, que irá depender de muito esforço, tanto da presidência, quanto dos senadores, para sair da crise que colocou aquela casa de leis em baixa, perante a opinião pública. Vigiado de perto pela grande imprensa, os escândalos que ali acontecem, vêm sendo objeto de denúncias, merecedoras de apuração. Tudo começou com o caso que envolveu o senador Renan Calheiros, que culminou com a sua renúncia ao cargo de presidente . Com a eleição do senador José Sarney-PMDB-AP, político dotado de larga experiência,que já havia dirigido aquela casa, havia a esperança de que, o consenso voltaria a servir de parâmetro, para que o Senado voltasse a funcionar em toda a sua plenitude, afirmação essa expressada por José Sarney, em pronunciamento feito , tão logo assumiu o importante cargo.

No cumprimento da sua missão de porta voz da sociedade, a imprensa denunciou o escândalo das passagens aéreas, atingindo as duas casas do Congresso Nacional. Comprovada a denúncia, tanto José Sarney, quanto Michel Temer, adotaram medidas corretivas, vedando o fornecimento das passagens aéreas, à parentes e amigos dos parlamentares.

Quando tudo indicava, que o Congresso Nacional , voltaria a merecer a confiança da sociedade, a imprensa volta a carga e denuncia a existência de várias nomeações secretas de apaniguados políticos, que ocupam cargos no Senado, alguns, percebendo polpudos salários, com a agravante, de que, o protecionismo atingia pessoas que não cumpriam o expediente , mas tinham os salários depositados em suas contas bancárias. As investigações procedidas pelo Ministério Público Federal e o TCU, constataram, que, entre os “secretos”, estava uma sobrinha do presidente José Sarney,contrariando a Súmula do STF, que proíbe o nepotismo , em todas as esferas do Serviço Público. Enquanto as investigações prosseguem, o TCU anuncia a disposição de adotar medidas, que obriguem aos “secretos”, devolverem todo o dinheiro recebido.

Colocado no “olho do furacão”, o senador José Sarney, resolveu quebrar o silêncio e ocupou a tribuna do Senado, nesta terça feira, na tentativa de se defender. Pálido, abatido e de mãos trêmulas, Sarney disse , entre outras coisas, que a crise não é sua e sim, do Senado. Para a maioria dos senadores , o discurso não convenceu. Para a grande imprensa, que hoje comenta o pronunciamento do senador, entende, que, muita coisa ainda precisa ser explicada. Significa dizer, que, as pressões contra José Sarney, irão continuar. Quanto aos desdobramentos da crise, tudo irá depender das apurações do MPF , sobre essa “caixinha de segredos” existente no Senado da República.