O Cinema amapaense em Estado de Site

O descaso sentido pela classe do audiovisual no Amapá é um questionamento que ao poucos vem criando forma e se transformando em uma grande interrogação.

O que parecia ser temor ao que o segmento poderia aprontar mostrando as mazelas do estado para o mundo, através de suas ruas esburacadas e sem saneamento, sem sinalização, abrigos e pontos de ônibus virtuais, sem falar nos conflitos de gangues e disputa por pontos de vendas, vem se tranformando na grande pergunta: Os fomentadores de cultura locais sabem realmente o que é cinema?

Não estamos falando do prédio, onde ação nenhuma é realizada para que a classe de “baixa renda” possa conhecer essas salas de espetáculos e tampouco para que aja algum crescimento nos setor.

Estamos falando da cinematografia que provoca como poucas outras artes o envolvimento de vários segmentos culturais e até sociais, sem falar no turismo.

Um exemplo desconcertador para os fomentadores locais e para todas as outras capitais da federação é a cidade de Paulínia, a 108 km da capital São Paulo, que através de seu secretário de cultura, Emerson Alves, está criando o Pólo Cinematográfico daquela cidade.

Em 2003, a cidade cuja principal economia era baseada em indústrias petroquímicas, realizou uma pesquisa através da FIPE – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas para avaliar quais os segmentos gerariam mais emprego para a cidade. Não deu outra, “o Cinema foi uma das áreas mais apontadas como de maior retorno em menos tempo”, explicou o secretário em uma coletiva na última sexta-feira, em um dos estúdios já prontos.

A proposta desse polo é não só incentivar o cinema local, mas também provocar que outras produções, através de editais, usem Paulínia como base de suas filmagens, com no mínimo 25% das cenas rodadas no local. Para isso serão construídos mais quatro estúdios com uma média de 1000 m2 cada.

E enquanto isso, o Amapá

O que temos a oferecer para a classe do audiovisual local que vem crescendo e tomando forma, contrariando as premonições e agouros oficiai? Já estamos na terceira esdição do DocTv, já temos a ABDeC, como representante nacional e a pré-produção do primeiro longa metragem genuinamente amapaense.

Mas, ainda não temos um edital que contemple a classe e os demais segmentos A lei de incentivo fiscal nasceu cancerígena e morreu, ou “levou o farelo” como dizemos por aqui. Temos que nos contentar com os prováveis editais de outros estados e as mudanças na Lei Rouanet, que nos cheguem.

Bom, mas enquanto isso, os políticos locais estão cuidando para que as produções externas não pisem na lama ou caiam nos buracos da cidade e que apontem suas câmeras para o maravilhoso e imponente Rio Amazonas e pererecas e pororocas.

O cinema está desempenhando um papel fundamental em nossos dias devido a sua articulação com outros mercados, pelos elementos de ordem social e cultural que carrega em suas produções e pela sua inserção social. A indústria cinematográfica com todo o seu aparato tecnológico ultrapassa a dimensão econômica, criando modelos sociais e atitudes morais, agregando outros símbolos culturais que constituem atualmente a primeira fonte de riqueza nos paises desenvolvidos.

Continuaremos sendo apenas um marco Zero no meio do mundo? Apenas uma esquina onde rodaremos nossas bolsinhas e passaremos nossos pires?

Já podemos realizar muito mais que isso!

Opção de Cinema da Amazônia – OCA / Assessoria