OPOSIÇÃO A OPOSIÇÃO

Por Rupsilva

No Amapá, infelizmente, acontecem coisas que até Deus duvida. São tantas as aberrações acontecendo na terra de Dona Antonia, que me leva ao exercício transcendental de refletir sobre a existência. Existimos ou não? Ou vivemos um sonho?

Por força do oficio, mas a contra gosto, sou obrigado a ler jornais - pouquíssimos por sinal, ver televisão e escutar rádio que divulgam teorias estapafúrdias, cada vez mais me convenço da ignorância que campeia a mídia da terrinha.

Agora, recentemente, parida do nada surgiu a tese que Lucas Barreto (PTB), candidato ao governo ou quem sabe ao senado, dependendo de Sarney, amigo fiel a quem presta assessoria, é oposição no Amapá.

Oposição a quê, cabe perguntar? À verdadeira oposição ou ao governo instalado? Qualquer pessoa, medianamente informada, sabe que ao governo jamais pois Lucas Barreto é feito do mesmo barro, sem querer ofender.

Lucas nasceu e criou-se politicamente ali, maquinando e combatendo os oposicionistas de verdade. Apesar das benesses generosas do poder, ele, Julio Miranda e Jorge Amanajas se encarregaram de materializar o velho sonho de apoderar-se do governo.

Refiro-me ao “projeto de poder da AL”, conhecido de todos na terra de São Jose de Macapá. Portanto é forçar a barra colocá-lo na mesma seara do PSB e do PSOL, como querem alguns, vendendo gato por lebre.

Lucas foi presidente da AL onde fez um trabalho elogiado por uns e contestado por outros por não fazer aquilo que mais se esperava dele: abrir a “caixa preta” da instituição, cuja dotação orçamentária exorbita a de secretarias chaves, inclusive de áreas sociais e limita investimentos em obras importantes ao nosso desenvolvimento.

Este governo é uma tragédia em todos os sentidos. Não há um dia que não se tenha noticia de fatos escabrosos produzidos em suas entranhas. Ainda assim, apesar de tanta iniqüidade, de morte de cidadãos nas filas dos serviços de saúde e pela ineficiência do aparato de segurança, não se tem noticia de um protesto, um grunhido sequer, um balbuciar de contrariedade do ex-deputado Lucas Barreto.

Por que então o rótulo de oposição? Óbvio que visa - aí se desconfia de maquinação de Sarney, fragilizar e apoderar-se d’um naco da verdadeira oposição do Estado capitaneada pelo ex-senador Capiberibe, inimigo figadal de Sarney e sua troupe.

Legitimidade que pertence, repito, aos socialistas por merecimento. Pelo seu empenho e comprometimento com as causas sociais e com segmentos pobres da população, posição um dia dividida com o antigo PT do companheiro Batista, que não é a praia de Lucas.

Ao contrário, Barreto é amigo dos empresários cujos interesses se contrapõem ao desenvolvimento sustentado do Estado e a proteção dos excluídos, a quem na verdade exploram com um modelo empresarial que se apropria das vantagens fiscais que não repassam aos preços dos produtos, entre outras práticas comprometedoras.

E mais, nunca foi esclarecida ou desmentida sua propalada relação com o Poder Judiciário, evocada com freqüência por gente da sua confiança, a quem se atribui uma simpatia nada republicana de quem cabe, justamente, estabelecer o equilíbrio das disputas sociais, entre as quais as eleitorais.

Trata-se de uma questão conjetural. É difícil afirmar-se como verdadeiras essas suspeitas, apesar do que falam seus amigos ao encher-lhe a bola para impressionar os adversários.

Mas seria injusto e historicamente incorreto situar o filho do bom Arinaldo Barreto no campo das oposições, que por sinal, em favor da verdade, não detém o monopólio do justo e do correto, como prova Lula e seu governo.

Qualquer um tem o direito de escolher o seu caminho e o seu lugar. Melhor seria que não abrisse mão dos bons valores trazidos de berço. Só não pode é querer se posicionar onde não está. Passar pelo que não é.

Ao contrário dessas teorias encomendadas, o que se espera é que Barreto assuma a sua verdadeira identidade e venha a público expor o que pensa sobre Amapá, o governo atual e as inúmeras denuncias que sobre ele pesam. Afinal essa é uma tarefa de qualquer cidadão responsável que se coloca no papel de candidato do cargo maior do Estado.

Sem aquela imagem de bom moço, fala macia que não fede nem cheira, artificial, discurso vazio, obra de marqueteiro idiota que já nos impôs um Presidente como Collor de Mello que deu no que deu.

Como não se assume nos dá o direito de achar que o seu silêncio é uma revelação que poderá fazer, junto com os amigos, o mesmo que esse governo faz quando lá chegar. Sarney a tira colo.