Presidente da CDH-AL participa
de seminário sobre homofobia

O deputado Camilo Capiberibe (PSB), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá, participou da quarta rodada de debates do Seminário Direitos Humanos GLBT, realizado no auditório do Centro Integrado de Defesa Social (Ciodes), entre os dias 17 e 23 de maio. Promovido pelo Grupo das Homossexuais Thildes do Amapá (Ghata) e Núcleo de Referência Anti-Homofóbica da Universidade Federal do Amapá (NAH/Unifap), o encontro possibilitou amplos debates sobre a homofobia (aversão a homossexuais) e suas variantes.

Camilo Capiberibe compareceu ao evento na quinta-feira, 21, quando da realização do Seminário Escola Sem Homofobia, promovido pelo NAH, Aghata e Associação de Gays Travestis, Transsexuais do Estado do Amapá (AGTEAP). Na ocasião, os participantes debateram um suposto pronunciamento que o vereador Charly Jhone fizera no plenário da Câmara Municipal de Macapá, condenando o homossexualismo. Jhony teria afirmado, segundo denúncias dos vereadores Clésio Luís (P-SOL) e Cristina Almeida (PSB), que se tivesse um filho gay o mataria.

Para o parlamentar socialista, a manifestação do vereador “envergonhou a classe política”, mas, com certeza, prosseguiu ele, trata-se de um pensamento compartilhado por uma minoria. “Foi uma ideia muito infeliz”, comentou Capiberibe durante discurso no auditório do Ciodes. “Isso que o vereador fez foi muito grave. Principalmente, sendo ele religioso não poderia agir com tanta intolerância. Creio que a religião não deve ser usada para justificar a intolerância”, comentou, acrescentando que a educação é o melhor instrumento para combater todo tipo de intransigência.

Compartilhando das opiniões do socialista, o professor universitário e coordenador do NAH/Unifap, Alexandre Pereira, fez uma apresentação didática sobre a homofobia. Utilizando slides para ilustrar seus argumentos, Pereira assinalou, em um deles, que a educação é uma prática cultural e um direito social que propicia condições para definição de espaços pedagógicos que promovam a inclusão social e o respeito à diversidade de forma articulada. Segundo ele, a “violência sexista e homofóbica está em ascendência assustadora nas escolas e até mesmo nos campus universitários, onde os estudantes temem revelar suas opções sexuais”.

O preconceito contra travestis, transsexuais, drag queens, crossdressers, gays, lésbicas e transformistas foi o tema principal da fala da presidente da AGTEAP, Débora Lyon, que ano passado participou das eleições municipais, disputando uma vaga para a Câmara de Vereadores de Macapá. Segundo a ativista, que é travesti, a desinformação sobre a diversidade sexual é o combustível da homofobia. “Para cada identidade sexual existe um tipo de homofobia. Por exemplo, os travestis sofrem mais porque são pessoas que nasceram com um sexo, mas, como não têm nada a haver com ele, optam em viver uma outra sexualidade. Por isso, vestem-se e agem diferente”, disse Débora, lembrando que na adolescência foi vítima contumaz de preconceito nas escolas em que estudou e, em algumas situações, a professora ou ou o professor foram coniventes com os homofóbicos.

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO AMAPÁ

Gabinete do deputado Camilo Capiberibe - PSB/AP