Remédios são roubados de dentro do hospital de clínicas

Texto e fotos: Emanoel Reis
FENAJ 1.380-DRT/PA
9976.4715 - 8111.2230

Medicamentos para tratamento de câncer que custam em torno de R$ 850,00 a caixa com 20 comprimidos desapareceram misteriosamente do depósito da Farmácia Ambulatorial do Hospital Geral (HG), localizado na avenida FAB, Macapá. Os crimes ocorrem desde novembro passado, mas, somente agora foram denunciados pelos quatro funcionários que trabalham no local. Inclusive, já chegou ao conhecimento da Polícia Civil, por meio de um boletim de ocorrência, em que o autor do BO denuncia os furtos.

O assunto foi mantido em sigilo até a manhã de sexta-feira, 27. Porém, o funcionário Luís Gonzaga, 63 anos de idade e há 22 no serviço público, procurou o deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá, para informar sobre os furtos que, segundo ele, ocorrem com frequência no depósito da Farmácia Ambulatorial. Remédios que deveriam ser doados às pessoas carentes, em tratamento de câncer ou de outras doenças como hanseníase e tuberculose, simplesmente desapareceram do depósito. São remédios caros, raramente adquiridos pelo Governo do Estado. Um prejuízo aos cofres públicos que, segundo ele, ainda não pode ser mensurado

Conforme Luís Gonzaga, o clima entre os funcionários está numa tensão crescente porque a direção do Hospital Geral de Macapá os incluiu na lista de principais suspeitos de envolvimento nos crimes. No entanto, afirma ele, as acusações são mentirosas e têm o objetivo de desviar os holofotes dos verdadeiros culpados. "Lamentável é que nós, funcionários, estamos vivendo uma situação delicada, suspeitos de um crime que não cometemos".

Outra denúncia de Luís Gonzaga igualmente surpreendeu o deputado Camilo Capiberibe. De acordo com o funcionário, há mais de dois anos o depósito em que os medicamentos são armazenados não é higienizado. A sujeira pode ser percebida à olho nu. Estantes empoeiradas, com teias de aranha, caixas vazias de todos os tamanhos, amontoadas nos cantos, e cetenas de remédios acondicionados desleixadamente completam esse cenário de debacle.

Gonzaga também informou ao pessebista que o sistema interno de vigilância não funciona há, pelo menos, um ano e meio. As duas câmeras - uma delas oculta numa das estantes e a outra embutida dentro de um velho aparelho de televisão - são "peças de museu" e não garantem "a segurança de nada", alardeia ele. "Quem entra no depósito age tranquilamente", arrematou Gonzaga, acrescentando que a responsável pela Farmácia Ambulatorial do Hospital Geral, Carolina Almeida, vem sendo pressionada pela direção do HG para assumir a responsabilidade pelos misteriosos sumiços de remédios para tratamento de câncer. "Mas isso não vai ficar assim", bradou Gonzaga.