Projeto que cria programa de prevenção ao
HPV aprovado na Assembleia Legislativa

Será encaminhado à sanção do governador Waldez Góes o Projeto de Lei da deputada estadual Francisca Favacho (PMDB), que cria no Estado o Programa de Prevenção e Erradicação do Vírus HPV - Human Papilloma Virus (Papiloma Vírus Humano). A proposta foi aprovada na última segunda-feira, 23, na Assembleia Legislativa.

A principal meta do projeto é disponibilizar vacinas contra o HPV nas unidades básicas de saúde em todos os municípios do Amapá.

O texto aprovado cria também o "Mês de Prevenção e Erradicação do Vírus HPV", que ocorrerá anualmente em maio. O evento é para dar à população o conhecimento dos riscos à saúde daqueles que contraem o microorganismo.

Francisca Favacho "amarra" também em sua proposta que a vacina é obrigatória para as mulheres na faixa etária de 10 a 34 anos e para os homens com atividade sexual de risco potencial (atividade sexual com várias parceiras). Para as mulheres acima de 34 anos a vacina é facultativa.

"Também fizemos questão de colocar no projeto que os pais ou responsáveis pelos menores entre 10 a 18 anos são obrigados a encaminhá-los aos postos de vacinação, sob pena de responsabilidade", explicou a parlamentar peemedebista.

Francisca Favacho explicou ainda que, por tratar-se de uma doença transmissível, qualquer pessoa que tiver conhecimento da omissão de pai ou responsável, em relação ao menor sob sua guarda, deverá comunicar o fato ao Juizado da Infância e da Juventude de sua região, para que a criança não fique sem a cobertura vacinal.

O Governo do Estado também deverá criar mecanismos para a execução de uma campanha de conscientização junto à população, pelo menos 45 dias antes do início do Mês de Prevenção e Erradicação do Vírus HPV.

O programa também terá ampla divulgação nas escolas da rede estadual de ensino, principalmente no que diz respeito aos benefícios proporcionados pela vacinação anti Papiloma Vírus Humano.

O vírus

O HPV é um vírus transmitido sexualmente e atinge a área genital tanto de homens como de mulheres. Pertence a uma família de vírus de mais de 80 tipos. Alguns causam apenas verrugas no corpo, enquanto outros infectam a região genital, podendo ocasionar lesões que, se não tratadas, transformam-se em câncer de colo do útero.

Uma das características do vírus é que ele pode ficar encubado no corpo humano por muito tempo sem se manifestar, entrando em ação em determinadas situações, como na gravidez ou numa fase de estresse, quando a defesa do organismo fica abalada.

A infecção pelo HPV não apresenta sintomas. A mulher tanto pode sentir uma leve coceira, ter dores durante a relação sexual ou notar um corrimento. O mais comum, segundo os especialistas, é ela não perceber qualquer alteração em seu corpo.

Pesquisas apontam que 90% das mulheres que têm câncer de colo uterino foram antes infectadas pelo vírus. Nos estágios iniciais, as doenças causadas pelo Papiloma Vírus Humano podem ser tratadas com sucesso em cerca de 90% dos casos, impedindo que a paciente tenha maiores complicações no futuro.

"A melhor arma contra o HPV, portanto, dizem os médicos, é a prevenção e fazer o diagnóstico o quanto antes", explicou a deputada Francisca Favacho. O diagnóstico de suspeita é feito através do exame papanicolau ou da colposcopia. A confirmação é feita por meio da biópsia da área suspeita. Existem também exames que identificam o tipo do vírus e se os mesmos são cancerígenos.

"Há diversos tipos de HPV, mas a maioria das infecções é causada por apenas quatro deles. As versões 16 e 18 são responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero. Já os HPV 6 e 11 respondem por 90% das verrugas genitais. O tratamento do HPV é por destruição química ou física das lesões indicadas e realizadas por médicos especialistas.

Joel Elias