Comissão da Amazônia debaterá situação
indígena na região
Brasília, 12/03/2008 - A Comissão da
Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento
Regional (CAINDR) vai aprofundar o debate sobre a situação
da população indígena na Amazônia. Para isso,
serão realizadas durante este ano audiências públicas
com diversos órgãos do governo federal para discutir questões
como saúde, infra-estrutura e mineração em terras
indígenas.
Requerimento de autoria da deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), presidente
da CAINDR, foi aprovado na reunião ordinária da comissão
realizada nesta quarta (12). Serão convidados para os encontros
ministros de diversas áreas, associações indígenas,
representantes da Funai e das Forças Armadas.
Pela proposta inicial, o debate estava previsto para abranger somente
o Amapá e Norte do Pará, porém, a parlamentar acatou
as sugestões dos deputados Astrubal Bentes (PMDB-PA) e Iderlei
Cordeiro (PPS-RO) para verificar a situação nos outros
estados da região e ainda ampliar o número de audiências.
Situação no Norte do Amapá
A presidente da CAINDR, Janete Capiberibe, argumentou que a partir
da década de 90, com o advento do mercado globalizado, a fronteira
norte do Amapá (Oiapoque e terras indígenas), fronteira
com a Guiana Francesa, passou a ser integrada a essa economia “por
meio de projetos desenvolvimentistas de alcance colonizador e de integração
econômica”.
Com isso, segundo a parlamentar, cresceu o fluxo migratório
contribuindo com o inchaço populacional, sucateamento e degradação
da saúde. Além disso, é cada vez maior os ilícitos
ambientais (roubo de madeira, tráfico de animais, biopirataria,
pesca e caça predatórias), prostituição,
propagação de drogas, pressões sobre terras indígenas
e acirramento das tensões.
Capiberibe afirmou que esse modelo econômico, junto a iniciativa
do governo federal e estadual em asfaltar a rodovia Macapá-Oiapoque
(BR-156), com seu traçado cortando a Terra Indígena Uaça,
causou impactos negativos aos povos indígenas do Oiapoque que
foram excluídos do processo de consulta “bem como às
medidas de mitigação e de compensação”,
o que provou indignação nas comunidades indígenas.
“Não bastasse esse problemas, tem ainda, não menos
importante, a questão da saúde dos índios, das
dez pistas de pouso que dão acesso ao Parque Tumucumaque e do
garimpo clandestino”, afirmou a presidente da CAINDR. Como benefícia
a população indígena, ela quer a regularização
das pistas de pouso.
Foto
Sizan Luis Esberci
Iram Alfaia