E AGORA?

RupSilva

Era só o que faltava. Ou seria a resposta para as nossas dúvidas? Ou a prova provada para convencer a tropa de choque da harmonia? Ou o fundo do poço que nunca pensamos chegar?

Olha que já trilhei caminhos e mares nunca navegados. Já vi coisas inimagináveis com esses olhos que a terra um dia há de comer, segundo minha sábia mãe e o dito popular.

Vi passar os governos da ditadura e sua truculência irracional e institucionalizada. Vivi a era de governos pusilâmines que não queriam nada com o caroço. Fui contemporâneo de tempos difíceis de perseguição política e até tentativa de homicídio, quando bravos companheiros quase perderam a vida e outros tiveram que se exilar para não serem mortos.

Em todos esses anos de experiência e de vida, mesmo naqueles dos períodos discricionários, pairava sobre nossas cabeças a espada da lei. Havia em cada cidadão o respeito pelos seus operadores, pessoas ilibadas e acima de qualquer suspeita, plenas de dever cívico e responsabilidade social.

As decisões dela emanadas tinham da sociedade a garantia da isenção e do respeito aos seus princípios e valores fundamentais. As eleições, que podemos citar como exemplo, refletiam a vontade do povo e nunca se ouvira falar que algum candidato se elegera comprando voto ou que tivesse a sua ajuda..

Agora vem à tona a sórdida trama engendrada pelos advogados de Roberto Góes, diplomado prefeito por força de uma liminar exarada pelo desembargador Carmo Antonio, induzido a proferir liminar apoiado num procedimento grave e doloso por ser um ato deliberado e intencional. Certo Jose Sena?

Não há dúvida que os caras, da forma colocada pela defesa do PSB, agiram criminosamente e de má fé, o mesmo entendimento de outros advogados consultados. Mesmo assim não vai interessar a Comissão de Ética da OAB, como de praxe não interessaram outras questões relevantes ocorridas nesse governo sob seu insensível nariz. Na contra mão da sociedade que espera resposta para algumas questões que parecem cruciais, senão vejamos.

Uma é o fato do Presidente do TRE desconhecer a função e tarefa de seus comandados, em se tratando de um órgão colegiado, a ponto de questões comezinhas como essa acontecerem sem o conhecimento e demanda do presidente do órgão. Fica difícil admitir que aquela autoridade desconhecesse a natureza do trabalho do bom juiz Marconi Pimenta que incluía ouvir testemunhas, como de fato aconteceu e atuar no processo, como de verdade ocorreu.

Depois, até onde alcança o entendimento desse escriba, por isso peço vênia ao douto José Sena, erro tão grosseiro jamais poderia passar despercebido de qualquer jurista, pela sua gravidade e complexidade, seja qual for sua qualificação e nível de formação.

O que nos arremete ao drama de Colombo diante do ovo. Quem nasceu primeiro? O desrespeito à justiça ou da justiça com a sociedade? Daí que fatos dessa natureza, que tanto incomodam o Jose Sena, encaminham a uma questão que só ajudam a criar em torno da instituição TRE a sombra nefasta do comprometimento com o status quo, que já se arrasta há várias eleições.

De minha parte, respeitador das instituições, não quero acreditar em conivência, por considerar o erro inerente ao ser humano, por mais douto que seja. Mas devo admitir a dificuldade em aceitar que falha tão primária prospere incólume depois de submetida ao crivo de um jurista tido dos mais brilhantes da banca acadêmica do Estado.

Entendeu Jose Sena? Isso não é besteira, não se trata de bobagem, muito menos campanha para comprometer a imagem do TRE e de seus membros, que mais que outro qualquer, tem a obrigação de preservar. O que não é admissível é que fatos dessa relevância aconteçam e fiquem por isso mesmo, sem uma resposta sequer. Não contra o prefeito diplomado ao arrepio da lei, mas em favor da sociedade que precisa acreditar na imparcialidade de suas instituições.