Perigo real e imediato
Fabio Grecchi

Esta coluna foi a primeira a denunciar, no final do ano passado, a ampliação de um pólo de mineração em pleno Pantanal mato-grossense. O projeto vem sendo liderado pela EBX, grupo que pertence ao empresário Eike Batista, que também há poucos meses foi expulso da Bolívia exatamente porque a siderúrgica que montava em Puerto Quijaro, no Departamento (estado) de Germam Busch, danificava violentamente o sistema ecológico da região.

Pensava-se que tal denúncia serviria para engrossar o coro das entidades de defesa do meio ambiente e que, a partir dali, se criaria pelo menos um debate em relação à obra, amparada pelo ex-governador José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT. A campanha do então candidato André Puccinelli, hoje eleito governador, chegou a sinalizar que gostaria de se inteirar sobre a planta antes que estivesse concluída e o dano sacramentado. Mas o discurso não correspondeu à prática.

Da maneira como funciona hoje, o pólo ainda não atingiu o estágio de uma pré-Cubatão. Mas aquilo que o secretário Carlos Minc (Meio Ambiente) disse que não aconteceria aqui no Rio, na região de Sepetiba, corre o risco de ocorrer por lá. Somente a MMX, outro braço da EBX, ganhou de Zeca do PT área de 250 hectares na região de Maria Coelho. Porteira aberta, com ela vieram as mineradoras Vetorial e Pirâmide, que se somaram à Urucum e à Corumbaense, que estão no local há quase 40 anos.

Não bastasse o impacto sobre o meio ambiente - uma vez que não foram realizados estudos que atestem a capacidade da região suportar mais exploração do solo e das minas -, algumas discrepâncias puderam ser verificadas. Por exemplo: a MMX pediu o licenciamento ambiental da siderúrgica em janeiro de 2006, obteve a licença prévia em julho e, 28 dias
depois, conseguiu a definitiva. O Hotel Fazenda Rio Negro, que fica em área de conservação ambiental, levou dois
anos para renovar a licença para operar.

Mais: a MMX pretende consumir 225 mil toneladas/ano de carvão vegetal vindas do próprio Estado, sendo os 30% restantes importados da Bolívia e do Paraguai. Ressalte-se que 17% da cobertura vegetal original do Pantanal já foram
destruídos, à taxa de desmatamento de 2,3% em 2004 - na década de 90 era de 0,46%.

O detalhe, porém, é que a MMX não disse de onde virá o carvão vegetal que consumirá. Justifica o mistério como segredo comercial. Firmou Termo de Compromisso e Conduta com o Ministério Público Estadual de Corumbá de que não comprará carvão pantaneiro. Mas se desmente a seguir através do EIA/Rima, em cujos documentos afirma que fará parcerias com fazendas em diversas regiões do Estado, dentre as quais a Anastácio. Que - vejam só! - fica dentro do Pantanal.

Peso-leve
Eike Batista não nega que atua no jogo político falando a língua que todos entendem: a do dinheiro. Para a campanha do senador Delcídio Amaral (PT) ao governo do Estado, doou R$ 400 mil. O vitorioso André Puccinelli (PMDB) recebeu outros R$ 400 mil, um dia antes de a MMX receber a licença de instalação, em 15 de agosto passado.

Vander Luiz Loubet, candidato a deputado federal, também levou um dote de R$ 400 mil para a campanha. Quem ele é? Sobrinho de Zeca do PT.

Peso-pesado
Faça-se justiça a Eike Batista: ele jamais negou suas intenções ao desembolsar R$ 1,2 milhão em constribuições para campanhas. Em 19 de novembro passado, confirmou ao jornal "Folha de S. Paulo" que colaborou com os políticos sul-mato-grossenses.

E deu os motivos para isto: "Para impedir que licenças ambientais para seus empreendimentos sejam recusadas por razões políticas".



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