Traduzir Ciência é proporcionar cidadania
Vânia Beatriz de Oliveira
Mestre em Extensão Rural, Pesquisadora da Embrapa Rondonia.

Traduzir o conhecimento científico para uma linguagem acessível ao público leigo é uma tarefa que desafia os profissionais da educação e da comunicação. Por meio da alfabetização científica , se busca a popularização da Ciência e a formação do indivíduo para a cidadania, levando-o a entender e tomar decisões sobre, por exemplo, o processo de reprodução in vitro, a evolução e tratamento de um câncer, ou a produção de alimentos transgênicos.

No Brasil, segundo pesquisa do Ibope (2001), 9% da população brasileira na faixa de 15 a 64 anos se encontra na situação de analfabetismo. Já os alfabetizados são classificados em três níveis de alfabetismo funcional, de acordo com a capacidade de utilizar a leitura e a escrita para atender as demandas de seu cotidiano. A pesquisa evidencia que temos 65% da população que embora saibam ler e escrever, têm grande dificuldade para entender o que lêem. Apenas os que se classificam no nível 3 (26% da população) apresentam domínio pleno das habilidades avaliadas.

Esses dados devem ser levados em consideração, quando se pensa em alfabetização científica para desenvolver a capacidade do público de entender a pesquisa científica e seus termos técnicos, e principalmente, conscientizar sobre os impactos da Ciência e da Tecnologia na sociedade. Instituições de pesquisa como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, têm procurado dar sua contribuição para a divulgação da produção científica brasileira, estabelecendo articulações e interações entre saberes populares, escolares e acadêmicos. O apoio a equipe de estudantes que desenvolvem trabalhos nas Feiras de Ciência, promovidas anualmente pelas escolas é uma forma de popularizar ciência.

Os produtos da agricultura estão estreitamente relacionados com a saúde do consumidor. A falta de conhecimento sobre a tecnologia do DNA recombinante, por exemplo, não afeta o cotidiano do cidadão, mas , as informações sobre os benefícios e riscos à saúde humana e ao meio ambiente, que podem ser causados pelos produtos transgênicos, já passa a ser um direito do cidadão e um objeto da alfabetização científica. O alfabetizado cientifico, não precisa conhecer a terminologia que os especialistas usam, mas sim entender os fenômenos, em linguagem acessível e correta, tarefa para o jornalismo científico.

O Estado de Rondônia foi pioneiro na elaboração de um Zoneamento Socioeconômico-Ecológico, entretanto, avaliações do programa têm evidenciado a falta de definições sobre a sua utilização prática, especialmente em termos de instâncias de negociação e de tomada de decisões. Nesse contexto, foi elaborado um projeto de pesquisa, encaminhado para aprovação das instituições financiadoras, que tem por objetivo tratar a temática do zoneamento, junto a lideranças de comunidades, membros de conselhos municipais de desenvolvimento e de comissões locais de zoneamento, técnicos municipais,etc. Através da alfabetização cientifica, se buscará superar as dificuldades de entendimento do zoneamento agroecológico e da percepção de sua utilidade, garantindo assim a observância aos princípios da educação e da participação democrática, paradigmas do modelo de desenvolvimento sustentável, que o zoneamento agroecológico pode orientar.