A questão da soja transgênica


Principais constatações sobre a soja transgênica liberada pelo governo brasileiro para plantio de ponta a ponta do País
(Medida Provisória 131)
1 - Não contém mais proteína que as sementes convencionais;
2 - Não rende mais óleo alimentício;
3 - Não produz mais por área plantada;
4 - Não deve ser plantada a semente colhida no ano seguinte;
5 - Não existe segurança à saúde humana e animal; e
6 - Não elimina o uso de produtos agrotóxicos na lavoura.

E neste último caso, só aceita o herbicida fabricado pela multinacional Monsanto, descobridora e patenteadora da semente transgênica especial (RR), o que, sem dúvida alguma, compromete e direciona a agricultura brasileira para uma dependência tecnológica e comercial sem precedentes na história do País.

De outra parte, existe entendimento de que já se encontra pronto pacote tecnológico agrícola, a ser posteriormente introduzido no Brasil, contendo o mesmo receituário e envolvendo sementes, também transgênicas, de milho, algodão, fumo, arroz, trigo, tomate, mudas de banana e roletes de cana-de-açúcar. Razão pela qual, a multinacional Monsanto já adquiriu e vem adquirindo, sozinha ou em consórcio, as principais empresas produtoras de sementes no Brasil e em outros países.

A persistir o conteúdo da Medida Provisória 131 para outras safras agrícolas, o domínio total da nossa agricultura é só uma questão de pouco tempo. Quase que inacreditável, mas as perspectivas são evidentes!


Cléo Vieira é jornalista e Flávio Garcia, engenheiro-agrônomo - Brasília
(DF)