PROJETO QUELÔNIOS

Cesarbernardo@bol.com.br


A cidade de Pracuuba vai indo, aos trancos e barrancos mas vai indo, ao que tudo indicava logo teria sua primeira rua asfaltada porém com achegada das chuvas de inverno terá que esperar mais um pouco ou dar quitação a um serviço de asfaltamento de péssima qualidade. O município de Pracuuba, como se sabe, está diretamente referenciado ou na confluência da maior isoieta do Amapá e talvez uma das maiores do mundo: 4.000 mm/ano de precipitação pluvial. Daí dizer-se, como se diz ainda hoje, que em Amapá (município que englobava territorialmente os de Pracuuba e Tartarugalzinho), chove tanto que urubu cai do galho e quando no chão arrasta as asas.

Pracuuba é o município dos lagos naturais, belos, grandes demais, ricos depósitos de biodiversa ictiofauna. Esses lagos, agora, também estão cheios de quelônios e de muitos homens predadores que os caçam em quantidade. Aqueles predadores estão usufruindo criminosamente dos tracajas do projeto valendo-se da incapacidade que tem o Ibama para com a Sema e ambos para com a Prefeitura de Pracuuba de estabelecerem um entendimento institucional que ao fim reconheça as facilidades e a legitimidade que a PMP tem para fiscalizar e recolher os impostos derivados da pesca naquelas águas.

Em mil marreteiros, novecentos e noventa e nove com o pescado pela única estrada de acesso à cidade de Pracuuba, o um único sai por água ou voando., e tem lá na cidade um destacamento do Batalhão Ambiental. Mesmo assim parece grande a dificuldade de fiscalizar a bagunça que tem sido a retirada de pescado (quelônios no fundo da caixa de gelo) sem que fique um tostão para a municipalidade.

Assim, poderia o Ibama dar um sentido econômico ao projeto ambiental de preservação de podocmenis sp, primeiramente reconhecendo que o consumo da carne desses animais é uma estrondosa realidade em toda a Amazônia. Prosseguiria o Ibama, considerando positivamente que a carne dos quelônios é apreciadíssima porque é muito palatável, digestiva e metabolizável, ou seja: faz bem e não engorda.

E como o Ibama faria essa abertura, na realidade um complemento ao comprovadamente bem sucedido projeto preservacionista? - Num primeiro momento conceberia um sistema enfatizando as ações de marketing e produção, fazendo uma mídia muito forte sobre as qualidades e proced6encia da carne de quelônios ecologicamente correta para a comercialização e, noutro, incentivaria os projetos de criação de quelônios em cativeiro aprovados pela instituição a partir da utilização de matrizes provenientes dos projetos "Quelônios" instalados no Amapá. Nada de graça, porém nada exageradamente caro e nem burocratizado a ponto de desestimular os produtores que surgissem. Todos os rendimentos auferidos seriam reinvestidos prioritariamente na matriz do projeto "Quelônios".

Moral da história: sem consumo regular, a co-sanguinidade e a superpopulação vão debilitar o projeto original, inclusive negando a teoria testada que diz que a proliferação de projetos de criação em cativeiro e o ganho econômico são os fatores mais importantes para o sucesso dos projetos institucionais de preservação ambiental de espécies animais na Amazônia.

Vale para o jacaré, paca, cutia, veado, capivara, algumas aves e até para alguns peixes (peixe-boi é um caso) o que se disse para os quelônios.