Chuva
ácida deixa a Amazônia sensível ao fogo.
Fonte: Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia
Link: www.ipam.org.br
Cientistas do Woodshole Research Center promoveram hoje (29) um
seminário na Rio+10, em Johanesburgo, para discutir uma estratégia
de
inclusão da temática poluição por nitrogênio
nos acordos
internacionais.
O nitrogênio, usado na forma de nitrato, é amplamente
usado como
fertilizante agrícola, com fortes impactos sobre o meio ambiente.
Um
desses impactos se dá quando as águas da chuva carregam
o nitrogênio
para os rios, onde ele pode ter um efeito tóxico sobre diversas
espécies, provocando perda de biodiversidade. Em outro caso,
as
queimadas agem liberando o nitrogênio do solo para atmosfera.
Esse
nitrogênio acaba se depositando em outros locais, sendo lançado
na
forma de chuva ácida.
De acordo com o pesquisador Eric Davidson, esses dois casos acontecem
na Amazônia. "Há chuva ácida na Amazônia,
devido às queimadas anuais
nas áreas de capoeira, embora ainda não haja pesquisas
identificando
se há perda de espécies relacionada com isso. Essa
chuva ácida,
porém, tem o efeito de aumentar a suscetibilidade da floresta
ao
fogo", explica Davidson.
O uso excessivo de fertilizantes nitrogenados para enriquecer o
solo
do cerrado para a plantação de soja também
pode ter efeito nocivo
sobre a biodiversidade amazônica, embora seja necessário
pesquisar
mais esse efeito dos nitratos. "O que nós estamos querendo
aqui é
sensibilizar a comunidade internacional para que sejam adotadas
medidas efetivas para o controle do uso do nitrogênio, reduzindo
a
incidência de chuva ácida ou de envenenamento dos ecossistemas
por
nitratos", explica Davidson.
Entre as medidas que podem ser adotadas, de acordo com ele, está
a
plantação de espécies que fixam o nitrogênio
junto às plantações,
para evitar que ele se desprenda do solo e seja carregado pelas
chuvas, para os rios.
André Muggiati
Johanesburgo, África do Sul