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O reflorestamento
é alternativa na agricultura familiar
Helio Tonini
Pesquisador da Embrapa Roraima
helio@cpafrr.embrapa.br
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas, o
desmatamento na Amazônia até o ano 2000, foi de 59 milhões
de ha, o que corresponde a cerca de 15 % da área total. Desta área
desmatada, cerca de 18 milhões de hectares foram transformados
em pastagens, existindo estimativas de que pelo menos a metade desta área
estaria atualmente degradada ou em estado de degradação.
O reflorestamento destas áreas, além dos benefícios
ecológicos, aumentaria a oferta de madeira reflorestada na região,
aumentando a renda na propriedade rural e diminuindo a pressão
sobre as florestas naturais remanescentes.
O plantio de espécies florestais em propriedades rurais traz uma
série de benefícios indiretos como a ocupação
de áreas abandonadas, proteção das nascentes e cursos
de água, recuperação do solo, entre outros, sendo,
contudo, também considerado como uma atividade econômica,
tal como a agricultura tradicional.
Além da madeira (principal produto a ser colhido em plantios florestais)
diversos produtos não madeireiros podem ser aproveitados tais como
óleos, resinas e sementes, diversificando a produção
e aumentando a renda destas populações.
No oeste do Pará, os índios Parakanã, depois de receberem
treinamento em colheita e comercialização de sementes oferecidos
pela Embrapa Amazônia Oriental vem comercializando sementes de mogno
e tatajuba tendo atualmente a possibilidade de ganhar até R$ 10.000
por ano só com a venda de sementes.
No entanto, ainda existem poucas plantações florestais na
Amazônia, sendo que área reflorestada na região corresponde
a apenas 6% da área destinada a silvicultura no Brasil, que por
sua vez, ocupa apenas 1% do território nacional. Apesar de ocupar
uma área tão pequena, a madeira oriunda de reflorestamento
responde por 32% da madeira consumida no país, desempenhando papel
fundamental na substituição da madeira oriunda de florestas
nativas.
Um dos grandes problemas para a silvicultura regional,refere-se ao pouco
conhecimento sobre o comportamento das espécies nativas e exóticas
nas diferentes condições ecológicas da região
Amazônica. As recomendações de espécies para
plantios florestais devem estar baseadas em informações
experimentais conduzidas por centros de pesquisa como a Embrapa, Inpa,
Universidades e algumas empresas e organizações não
governamentais.
O projeto de pesquisa da Embrapa denominado “Zoneamento edafo-climático
para o plantio de espécies florestais de rápido crescimento
na Amazônia” foi uma das melhores iniciativas de gerar informação
a respeito do crescimento de espécies florestais na região.
Neste projeto foram selecionadas inicialmente 26 espécies plantadas
em diferentes condições ambientais em cinco estados (PA,
AM, RO, RR, AP). Como resultado, a Acacia mangium, o Eucalyptus urograndis,
o paricá (Schizolobium amazonicum) e o taxi-branco (Sclerolobium
paniculatum) foram as espécies que obtiveram melhor desempenho,
sendo consideradas as mais promissoras para reflorestamentos na Amazônia.
Para Roraima, em área de floresta, o Eucalyptus urograndis e o
Paricá são as espécies que tem apresentado, até
o momento, maior crescimento com um incremento médio anual em volume
de 57,2 m3/ha ano e 32,6 m3/ha ano aos 5 anos de idade. O eucalipto, originário
da Austrália, é um dos gêneros mais plantados no mundo
podendo ser utilizado tanto para produtos serrados como energia e celulose.
O Paricá, de madeira mais leve, pode ser utilizado na industria
de laminação e compensados.
Outras espécies que vem se destacando são o para-para (
Jacaranda copaia) e a castanheira-do-brasil (Bertollethia excelsa) com
incrementos médios em volume de 37,4 m3/ha e 14,6 m3/ha aos sete
anos de idade. Ambas as espécies podendo ser utilizadas no mercado
de produtos serrados.
Este bom desempenho apresentado por algumas espécies florestais,
indica que é possível praticar agricultura e silvicultura
em uma mesma área, planejando e ocupando a propriedade de forma
racional, trazendo benefícios ecológicos (proteção
do solo e cursos de água), econômicos (diversificação
da produção) e sociais (geração de emprego
e ocupação de mão-de-obra) para os produtores.
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