MOVIMENTO “LUTO PELA VIDA”
Este livro destina-se à colheita de depoimentos de cidadãos
usuários da saúde pública do Estado e o registro
de suas denúncias sobre a ineficiência dos serviços
nas unidades hospitalares de Macapá e de Santana que tanto revolta
e indigna o cidadão que paga impostos e não tem o retorno
dos serviços públicos.
Os relatos aqui colhidos serão encaminhados às autoridades
federais e dos organismos internacionais denunciando o atual quadro
caótico em que está mergulhada a saúde pública
estadual e municipal.
Os depoimentos foram todos prestados por pessoas que foram vítimas
do mal serviço e a maioria das denúncias foram dadas nas
portas dos hospitais durante ações do Movimento “Luto
Pela Vida” que nasceu da iniciativa popular e é fruto da
indignação do cidadão com a alarmante insatisfação
e ineficiência dos serviços que a saúde pública
estadual e municipal chegou nos últimos anos.
DEPOIMENTOS DE USUÁRIOS DO PRONTO SOCORRO OSVALDO CRUZ, PRONTO
ATENDIMENTO INFANTIL, HOSPITAL E MATERNIDADE MÃE LUZIA, HOSPITAL
GERAL, HOSPITAL DA PEDIATRIA E UNIDADE MISTA DE SANTANA, RELATANDO A
INEFICIÊNCIA E O DESCASO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE PÚBLICA
NO ESTADO DO AMAPÁ, COLHIDOS A PARTIR DE DEZEMBRO/2006, QUANDO
O MOVIMENTO “LUTO PELA VIDA” FOI DEFLAGRADO.
LIVRO I
1) MARIA DO SOCORRO OLIVEIRA TAVARES, nos relatou que sua madrasta,
Dona Benedita da Paz Moraes deu entrada no Pronto Socorro, hoje (23.12.06),
às 16:00 h nesta Instituição e até às
19:45 h a mesma ainda não havia sido atendida. Foi colocada numa
cadeira e até o momento está esperando a vez, pois só
existe uma enfermeira para atendê-la. Frisou também que
enquanto espera ela já desmaiou três vezes e mesmo assim
não houve sensibilidade para agilizar o atendimento.
2) RAIMUNDO NONATO ALVES DE MORAES, residente em Laranjal do Jari,
nos relatou que seu filho Ronivaldo do Carmo Moraes (19 anos) está
internado no Pronto Socorro desde o dia 10.12.03, pois foi esfaqueado
ao olhar numa briga e até o momento a Instituição
não tomou nenhuma providência em relação
à cirurgia que o paciente precisa para se restabelecer. O médico
informou para o seu genitor que a cirurgia só será realizada
no dia 27.12.06, o que causou constrangimento pois esta informação
só lhe foi prestada no dia 22.12.03. Sem condições
de manter-se enquanto espera alguma providência por parte das
autoridades competentes, procurou o Deputado Mandi duas vezes, mas não
o encontrou.
3) JOSÉ GOMES DE OLIVEIRA, ratifica o relato feito pela sua
irmã Maria do Socorro Oliveira Tavares em relação
a sua madrasta Benedita de Paes Moraes (50 anos). O mesmo afirmou que
na sala de enfermagem não tem aonde o acompanhante sentar e que
foi atendida, mas para tomar o medicamento a senhora Benedita teve que
tomar deitada no chão, pois já não existia mais
a cadeira para sentar.
4) RAIMUNDO OLIVEIRA DA COSTA, contou que seu amigo “Paraíba”
sofreu um acidente em frente a UNIFAP e não teve nenhum atendimento.
Que ficou mais de 10 minutos sem qualquer atendimento, apesar de ter
sofrido um grave acidente. Que foi retirado o oxigênio dele e
que faleceu cerca de meia hora depois, deixando esposa e filhas. Que
cansou de ver familiares de pacientes indo à farmácia
comprar remédios pois no hospital não havia. Informou
que ficou impressionado ao ver o vigilante do hospital jogar uma senhora
da cadeira de rodas, fazendo com que ela machucasse todo o rosto, causando
indignação em todos os que presenciaram o fato e que o
vigilante só não “apanhou” porque entrou rapidamente
no hospital. Ressalva: Os médicos que tratam mal os pacientes
são a Drª. Telma e o Dr. Jorge Tadeu.
5) RENATO BARROS, agente funerário, relatou que “cansou”
de ver pessoas morrerem sem atendimento, vendo, inclusive, pessoas que
são atendidas sentadas no chão, por falta de leitos. Informou
que a partir de meia-noite o movimento fica caótico.
6) MARINALDO FURTADO MORAES, noticia que seu filho Mário Rony
de Souza Moraes sofreu um acidente e machucou (estalou) o braço.
O atendimento péssimo, os médicos ficam conversando e
não dão o atendimento necessário. O médico
solicitou o Raio X e informou que seria necessário operar, mas
como a agenda estava cheia, foi marcado para a próxima 3ª
feira. Isso, o pai da vítima acredita, foi por causa do movimento
em frente ao pronto socorro “Luto Pela Vida”.
7) ASSUNÇÃO CORDEIRO DA SILVA relata da falta de medicamentos.
Acha impossível atender o paciente sem medicamento.
8) LUCIANE EVANGELISTA, estudante, relatou que trouxe o marido ao hospital
e o médico disse que não era caso de emergência,
que deveria ser acompanhado no posto médico, sendo que seu marido
sentia grande dor no peito, no fígado, chegando a tossir sangue.
Contou que esperaram terminar o plantão do médico negligente
e falaram com a médica do outro plantão, que o internou
e está tomando medicamento, que já fez os exames para
diagnosticar as doenças e está esperando médico
para avaliação.
Obs: Os depoimentos retro foram tomados na noite do dia 23/12/06 na
porta do Pronto Socorro.
9) RAIMUNDO RODRIGUES DE CASTRO, morador de Fazendinha nos relatou
que o posto de saúde só funciona das 21:00h às
23:00h com médicos de plantão. Antigamente existia médico
em outros horários, hoje só no horário acima citado
e nem todo dia. Caso a pessoa precise outro horário, terá
que se deslocar para o Hospital Geral, pois o posto fica fechado com
o cadeado no portão. Enfatizou também a falta de medicamentos
e material para aplicação que muitas vezes o paciente
precisa comprar seringa para aplicar o medicamento.
10) EDNA MARIA DA SILVA CORRÊA, cunhada de Luana Andrade Santos,
nos relatou que a Luana chegou no hospital às 07:00h da manhã
sentindo fortes contrações pois está prestes a
dar à luz, porém, está impedida de ir para a sala
de parto por que não existe leito disponível, o que deixa
os familiares preocupados com o bebê e o futuro da mamãe.
11) FRANCISCA PEREIRA GOMES, esposa do Sr. Antonio Cosme Fernandes,
ela nos relatou que o seu esposo está internado há três
meses com derrame e diabetes. Antes do internamento o referido paciente
estava apenas com estes problemas. Hoje, ele se encontra com duas feridas
enormes nas nádegas, além de não estar mais falando
e não tem nenhuma informação dos médicos
a respeito da real situação em que se encontra seu esposo.
Tem também uma filha, Maria Pereira que segundo os médicos
tem reumatismo e faz cinco meses que tenta marcar consulta e não
consegue porque não tem médico. Tem época em que
a Sra. Maria Pereira fica sem andar devido as fortes dores reumáticas.
12) MARIA VALDIRENE COSTA SOUSA nos relatou que faz um ano que espera
vaga para fazer uma cirurgia de mioma. Enfatizou que na verdade vai
fazer, em abril, dois anos que já está esperando e não
consegue fazer um dos exames para poder fazer a cirurgia. (Maternidade
Mãe Luzia)
13) JOSIEL ALVES CORRÊA fala que seu filho menor Kaique está
há 4 dias com diarréia constante. Relata que veio ao hospital
infantil e que foi feito só soro. Ele quer uma solução
para saber do seu filho o que as autoridades tem a dizer para ele. Por
que ele paga todos os impostos, ele não aceita mais seu filho
ser furado de agulha. Ele exige solução imediata para
o caso do seu filho.
14) JOELSON BRITO CARDOSO caiu do telhado e foi ao Pronto Socorro pela
parte da manhã com o braço quebrado. Chegando lá
não foi atendido porque não tinha médico. Disseram
que era pra ele voltar no outro dia e o pior é que veio de ambulância
de Porto Grande e teve que ficar sentindo dores durante o resto do dia
e a noite toda, sendo atendido no outro dia às 11:00h, tendo
como consequência o braço ficou torto e até hoje
sente fortes dores.
15) JOELSON BRITO CARDOSO nos relatou que sua filha Vitória
Carolina pegou pneumonia com quinze dias de nascida. Levou-a para o
Pronto Socorro e o médico disse que era preciso internar, mas
não tinha leito. O genitor conseguiu um colchão e quando
chegou o outro médico, disse que não precisava interná-la,
poderia cuidar em casa. A criança ficou boa com remédios
da farmácia e caseiro.
16) LISIANE LOPES MACIEL nos relatou que seu filho Douglas Pureza Maciel
Filho, de 1 ano, está com infecção intestinal.
Chegou no PAI às 16:00h e só foi atendido às 19:00h.
Colocaram o bebê no soro, porém quando o soro parou ninguém
fez nada apesar da criança estar chorando muito. O soro ficou
parado por uns vinte minutos e ninguém tomou providência.
Desesperada, a mão mandou tirar o soro. A criança está
com assaduras nas nádegas e o médico falou que ia passar
um medicamento e não passou.
17) ROBERTO LACERDA nos relatou sua indignação contra
o descaso e a discrepância entre o atendimento às crianças
do nosso Estado e ao desperdício de dinheiro e pessoal exercido
pelo Governo. È flagrante a falta de respeito, o crime contra
a saúde pública praticado por este Governo. Enquanto há
um médico para todo o Pronto Socorro Infantil, existem recursos
contratado, apadrinhados do poder para encher seus bolsos enquanto dezenas
de crianças padecem diariamente com um único médico
para atender. Eu, Roberto Lacerda tenho nojo dos governantes que hoje
estão no poder.
18) DÉBORA BATISTA MOURA nos relatou que o atendimento é
muito precário pois só existe um médico para atender
o Pronto Socorro Infantil, passando até cinco horas para ser
atendida, sentada nas cadeiras pois as salas estão todas lotadas.
Após ser atendida espera mais meia hora para poder dar alta à
criança.
19) ALACID DE JESUS COSTA BORGES nos relatou que trouxe seu neto para
consulta. O médico passou o RaioX. A sala estava fechada. Procurou
pelo rapaz do RaioX e ficou sabendo que ele não vem hoje, talvez
amanhã.
20) IVANILSON CORRÊA FERREIRA nos relatou que sua filha Sara
Adriele foi atendida pelo médico Valdo Mauro que passou uma receita
para a criança “dipirona” que foi aplicada na paciente
que por ter tomado o medicamento ficou com a perna roxa e dura. Já
vai fazer um mês dia dezessete e ela continua com a perna roxa
e dura. Faz dois dias que está internada no PAI novamente.
21) RUBENS (Taxista) nos relatou que chegou uma mãe com a criança,
que foi tratada mal. Como estava desesperada com sua filha doente, tratou
mal também o atendente e como consequência foi empurrada
e chamaram a Polícia que levou os pais presos, ficando a criança
no PAI com outra pessoa da família.
22) CLEBER DEL CASTILHO CARVALHO nos relatou que sua filha Maria Eduarda
Costa Carvalho, com um ano de vida está gripada. A médica
pediu um RaioX do peito da criança, porém, a sala está
fechada. A médica mandou eles procurarem o RaioX do Pronto Socorro
e ainda disse que a mãe precisava aprender a tratar dela sozinha.
A mãe disse que já havia comprado remédios para
a criança que não resolveu.
23) CLARIDALTO ROCHA RODRIGUES (copeiro) nos relatou que os pacientes
reclamam da alimentação que é só frango,
almoço e janta, além do mais eles, os funcionários,
já estão três meses sem receber e se fizer qualquer
reivindicação são demitidos. A firma que presta
serviços já ameaçou que se até o dia 18
não repassarem verba para pagar os funcionários vai parar.
A cozinha do Hospital Geral é bastante suja, uma imundície,
esgoto entupido, frigorífico com carne estragada que a Vigilância
Sanitária apreendeu e até os funcionários já
pegaram infecção da água e da alimentação
servida aos pacientes, lixeiro aberto, bastante mosca, a cozinha tem
um mal cheiro horrível. Quando a Vigilância vem, eles escondem
as coisas.
24) RAIMUNDO SANTOS TRINDADE (Serra do Navio) nos relatou que foi contaminado
por CIANETO15 na Mineração Amapari. Está em tratamento
há um ano e meio. Ficou internado 60 dias e o resto do tratamento
é feito por sua própria conta em Belém.
25) OZENIR DA SILVA MONTEIRO (Macapá) nos relatou que dia 12.01.07
trouxe sua irmã para a Maternidade às 23:00 h. Eles disseram
que ela ainda não ia entrar em trabalho de parto, mas se ela
quisesse ir para casa, tudo bem ou então podia ficar esperando
aumentar mais a dor. Então ela ficou andando ai fora até
mais ou menos uma hora da manhã, quando ela entrou e eles fizeram
o toque e eles disseram que ela ia ficar internada. Então a enfermeira
disse para a D. Ozenir que ela podia ir embora pois sua irmão
só ia ter o bebê no outro dia. Porém, ao chegar
às 15:00h para visitar sua irmã após ter saído
do trabalho, ficou assustada ao perceber que sua irmão não
se encontrava na maternidade, porém, não há registro
de saída, só de entrada. Como não registro de saída
na portaria, foi-lhe dado um cartão de visita para procurá-la.
Procurou em todas as enfermarias e não encontrou sua irmã.
Como não encontrou, perguntou aonde estava e ninguém soube
informar, vai até o São Camilo saber se a sua irmã
está lá ou não, caso não esteja vai voltar
para a maternidade.
26) DEUSVANIRA DOS SANTOS BATISTA (Macapá) nos relatou que sua
irmã Maria Raimunda dos Santos Batista teve um derrame e foi
atendida no Pronto Socorro e passou 13 dias. No oitavo dia perdeu a
voz e não conseguiu maia andar. Com treze dias, apesar de estar
sem conseguir falar e nem andar, o Dr. Negrão lhe deu alta, com
muita febre e com infecção urinária, dizendo que
derrame se cuida em casa e também a febre e a infecção.
Passou cinco dias em casa e voltou novamente para o Pronto Socorro,
passou três dias lá, então o D. Deusvanira pediu
para transferi-la para o Hospital Geral. Sempre no Pronto Socorro dizia
que não tinha leito. Vindo ao Hospital, ficou sabendo que tinha.
Com bastante dificuldade conseguiu sua transferência. Hoje (20.01.07)
faz vinte dias que ela está internada e continua com febre, sentindo
fortes dores no corpo e na barriga que toma conta, ninguém lhe
informa nada.
27) MARIA DUVANDIRA LEITE nos relatou que sua irmã chegou na
maternidade sentindo fortes contrações e ao ser atendida
o médico mandou ela voltar para casa que ainda não estava
na hora de parir. D. Marta Leite voltou, passou a noite sentindo dores,
voltou para a maternidade no outro dia de manhã e o médico
mandou ela voltar pra casa. Eu disse que ela não ia voltar e
sim ficar na maternidade. Ela ficou na sala de espera andando porque
não tinha leito. Meio-dia comecei a brigar, ai levaram minha
irmã pro leito. À noite, depois de eu brigar bastante,
o médico aplicou uma injeção para o bebê
nascer e quase minha sobrinha morre porque ela estava toda enrolada
no cordão do umbigo. Ficou todo roxo o pescoço e os braços.
(Pediatria Infantil)
28) MARIA DAS GRAÇAS JANSEN nos relatou que está desde
quinta-feira (15.02/07) sentada numa cadeira com o bebê no colo
porque os berços não têm cobertor e não tem
leito. Indignada, já vou embora pois estou doente da coluna.
A Enfermeira-Chefe disse que eu tinha que trazer cobertor de casa, pois
eles não têm obrigação de dar lençol.
Meu filho ainda não recebeu alta mas eu vou fugir. Já
estou doente.
29) MARIA LUCIENE DA SILVA OLIVEIRA nos relatou que está com
oito receitas e não tem remédio em nenhum posto. Ela vai
pegar e não tem. 10 filhos em casa e está desempregada,
pois tem problema de saúde, dor na cabeça e seu marido
também desempregado, quando aparece bico ele faz, mas é
difícil. Seu filho está com febre e dor, está com
infecção intestinal e não sabe o que fazer para
conseguir o remédio.
30) MARCOS VEIGA DA SILVA nos relatou que sua filha de 4 anos, após
tomar soro, foi servido um mingau e tinha fio de palha de aço
no mingau. Ficou preocupado se existia mais e se sua filha vai ficar
mais doente por engolir fios de palha de aço. Obs: No livro de
depoimentos foi anexado uma amostra da palha de aço, então
tirada pelo pai do mingau que foi servido para seu filho.
31) CÁTIA GOMES DE ALMEIDA nos relatou no dia 03.03.07 às
19:40h, no Pronto Socorro de Santana que seu filho menor Altamir Almeida
Silva deu entrada neste Pronto Socorro no dia 08.01 com uma furada de
prego no pé esquerdo e tomou 1 antitetânico e foi liberado.
No dia 09.01.07 deu entrada novamente no mesmo PS e deram Dipirona e
foi liberado novamente. No dia 12.01.07 ela levou numa farmácia
e lá abriram e fizeram limpeza e foi colocado dreno e ficou sendo
cuidado em casa no que ele continuava sentindo dor e febre e começou
a inchar. No dia 16 foi ao PS de Macapá e não foi atendida
porque o médico disse que era do Posto de Saúde. Já
no dia 22.01.07 ele deu entrada novamente no Hospital e nada foi feito.
Ao retornar para casa ele sentiu muita dor. Ele mesmo tirou o prego
que estava dentro do pé de Altamir. Ele retornou ao PS onde até
hoje se encontra internado e correndo o risco de perder o pé.
32) ADRIANO MORAES LIMA nos relatou no dia 03.03.07 às 19:45h,
no Pronto Socorro de Santana que observou o atendimento quando tinham
08 pessoas na fila e entrava uma após outra no consultório
médico. Observando o rápido atendimento dado a cada paciente
constatando ao entrar no consultório que o médico residente
sequer olhava ou examinava o paciente e liberava logo em seguida. O
estudante de biologia Adriano se sentiu envergonhado com esta atitude
e com esta prática errada deste profissional médico.
33) ROMEU LEITE EVANGELISTA no Pronto Socorro de Santana relatou que
presenciou uma senhora que estava precisando de uma consulta por ser
hipertensa e não tinha médico para atendimento da paciente.
A paciente só foi socorrida por que houve uma revolta dos demais
pacientes que se encontravam. Nesse momento foi que surgiu o Dr. Roberto.
Roberto se sentiu revoltado com esta situação pois ele
é um cidadão e paga seus impostos e para onde vai nosso
dinheiro.
34) ELIZANGELA BATISTA PEREIRA relatou ao Grupo Luto Pela Vida no dia
03.03.07 às 20:25h, no Pronto Socorro de Santana que ela é
acompanhante de um paciente que teve derrame há 2 meses. Agora
ele está há 30 dias dormindo no pátio do hospital
e ainda não conseguiu marcar a consulta para Neurologista. O
que ele pede é que cheque para saber que médico fará
o diagnóstico pois o paciente ele tem 65 anos é de 3ª
idade e tem urgência.
35) RAIMUNDO PEREIRA DE SOUZA nos relatou no dia 03.03.07, no Pronto
Socorro de Santana levou sua filha ao PS, foi atendida e o médico
mandou que levasse sua filha ao Posto de Saúde. Ele não
aceitou porque no Posto não oferece condições de
tratamento, pois sua filha é uma criança de 7 anos, ele
quer que seja resolvido o problema de saúde de sua filha. Seu
pai fica revoltado porque ele paga impostos e é um cidadão.
36) JOÃO SILVA DE SOUZA relatou ao Grupo Luto Pela Vida, no
dia 03.03.07 às 21:00h, no Pronto Socorro de Santana, que sua
esposa Rosete Barreto sentiu dor abdominal, é de Fazendinha,
pois mora no Pólo e ao chegar ao Posto de Saúde só
encontraram o vigia que ao atendê-lo relatou que havia plantão
no posto 24 horas. Teve que levar sua esposa para Santana com todas
as dificuldades. Ele pede providências.
37) EDINELMA DE LIMA GONÇALVES relatou ao Grupo Luto Pela Vida,
no dia 03.03.07 às 21:45h, no Pronto Socorro de Santana que Amélia
deu entrada com uma facada. Fizeram curativo e mandaram para casa. Ao
chegar em casa começou a passar mal com dor. Ao chegar no PS
disseram que não seria atendida novamente. Quando outro médico
chegou e levou a paciente para o centro-cirúrgico. Edinelma disse
que este procedimento poderia ter sido feito logo de manhã.
38) MARINEIDE OLIVEIRA VIEIRA relatou o que segue: “No dia 05
de dezembro de 2006, por volta de uma hora da manhã, levei meu
irmão João Nobre de Oliveira para o hospital de emergência,
pelo motivo do mesmo estar com fortes dores no estômago e ter
vomitado sangue, onde foi atendido pelo médico plantonista que
receitou medicação para dor e vômito. Visto que,
o médico prescreveu que o meu irmão estava com vômito
sanguinolento, quando observei o que estava escrito na ficha de atendimento,
deixei meu irmão sendo medicado e fui procurar o médico.
Ao encontrá-lo falei que meu irmão estava vomitando sangue
vivo e não sanguinolento como ele havia prescrevido na ficha
de atendimento, sendo que o mesmo ignorou o que eu estava falando, não
dando importância para a vida do meu irmão. Retornei para
ficar com meu irmão. Não satisfeita e não sentindo
melhora com a medicação a qual foi receitada pelo médico
plantonista, voltei a procurá-lo duas vezes e apesar do esforço,
foi em vão. Às sete horas da manhã entrou outro
médico no plantão onde fui conversar com o mesmo sobre
a situação em que se encontrava o meu irmão, o
mesmo respondeu que vomitar sangue não era normal e que ele ia
chamar um especialista. Quando o médico conseguiu localizar o
especialista, o mesmo respondeu que só trabalhava à noite,
mesmo sabendo a gravidade em que meu irmão se encontrava, o médico
plantonista liberou meu irmão alegando que não havia leito
disponível e que era pro meu irmão só retornar
à noite para consultar com o especialista. Às 19:00h retornamos
para o hospital de emergência e o médico especialista foi
acionado, onde o mesmo procurou meu irmão no leito, não
encontrando, foi embora. Vendo o sofrimento do meu irmão, questionei
com o enfermeiro a demora do especialista, onde o mesmo falou que o
médico especialista havia vindo e não encontrando meu
irmão no leito, foi embora. Insisti para que o médico
especialista fosse chamado, foi quando ele o encontrou no chão.
O médico especialista indignado como meu irmão estava
sendo tratado, percebendo a gravidade em que meu irmão se encontrava,
exigiu para que ele fosse levado para um leito. Em seguida, o médico
solicitou o exame de endoscopia para às 09 horas da manhã
do dia 06/12/2006. O exame foi realizado no Hospital São Camilo
no horário marcado pelo médico especialista, onde foi
diagnosticado que meu irmão estava com gastrite hemorrágica,
logo em seguida, o médico que realizou o exame entrou em contado
com o hospital de emergência pedindo que a ambulância fosse
com urgência buscar o paciente para que fosse feito uma transfusão
de sangue. A ambulância chegou duas horas depois da solicitação
do Dr. Borgeia, ao retornar para o hospital de emergência meu
irmão estava agonizando, onde foi atendido por uma médica
que ao examiná-lo disse que ele estava bem, que eu não
me preocupasse que ele ficaria bem. A médica entrou em contato
e enfermagem para agilizar a transfusão de sangue, onde a mesma
foi informada que ao sangue já estava chegando. Meu irmão
poderia estar vivo hoje se o primeiro médico que o atendeu tivesse
dado mais importância à gravidade em que meu irmão
se encontrava, se o médico especialista ficasse de sobreaviso
e que não trabalhasse só à noite, se o hospital
de emergência possuísse um aparelho de endoscopia, se o
hospital de emergência tivesse mais ambulâncias e se o sangue
tivesse chegado a tempo. Como meu irmão poderia ter sobrevivido
a tudo isso, não resistindo ele morreu às 14:15h, morreu
com 52 anos. Para os médicos que foram indiferentes, a morte
de meu irmão não significa nada, mas para a minha família
foi terrível. É como se meu irmão tivesse sido
assassinado e não tem nada que conforte senão a luta por
Justiça.
39) DEUSIMAR OLIVEIRA nos relatou que a cunhada de seu genro estava
com malária, deitada no chão e no Pronto Socorro lhe foi
cobrada uma certa quantia para lhe arrumarem leito. Relatou ainda que
o Dr. Alejandro cobrou R$ 300,00 para fazer uma cirurgia da cabeça
do seu vizinho que foi atropelado.
LIVRO II
1) D. SUELI nos relatou que no dia 19.12.2003, às 10:45h seu
filho Nélio Miraja saiu de sua residência para pegar o
pagamento no escritório da Beta Material de Construção.
Às 11:05h ele deu entrada no Pronto Socorro vítima de
acidente de trânsito. No registro do Pronto Socorro foi registrado
com nome de outro paciente. Estava nesse registro ou endereço
onde ele morava, Av. Galibis e diante dessa dificuldade só muito
depois foi possível encontrar seu filho e ele já estava
em coma. Só então sua mãe Sueli teve a certeza
de que havia perdido o seu filho. Sueli acha que se seu filho tivesse
sido bem atendido e com dignidade pela equipe médica e se tivessem
feito a cirurgia, quem sabe teriam salvado a vida de Nélio Jr.
Apesar de Nélio estar em coma no CTI, o cirurgião não
fez a cirurgia. Nélio morreu por falta de socorro médico
especializado e neurocirúrgico. A mãe de Nélio
finaliza dizendo: “O Dr. Alejandro deixou meu filho morrer”.
14.01.07.
2) EMYLE DA SILVA, relatou que em Julho de 2006, sua irmã Terezinha
da Silva, Funcionária Pública lotada na Secretaria de
Saúde do Estado e prestava serviços para o município
começou a sentir um estado febril, dor cefálica e na face.
Começou a formar um tumor de grande proporção.
A partir daí mudou sua vida. Começou uma batalha pela
vida. Os problemas só estavam começando. Todos os meios
de pesquisa que há em Macapá foi submetida. Todos os laboratórios
do Governo, sem resultado. Encaminhada para fora do domicílio,
Terezinha começou sua peregrinação em Belém
até ser encaminhada ao Hospital do Câncer. Foram 08 meses
de desespero fora do domicílio. Ela que não teve apoio
do Governo e nem do Município. Teve que arcar com todo o seu
tratamento. Hoje ela encontra-se totalmente condenada pois não
tem familiares aqui nem quem a ajude. Quando é que os órgãos
vão tomar consciência que somos parte deles. Ela encontra-se
abandonada pelo sistema que era para protegê-la. 15.01.2007.
3) JAILSON BATISTA FERREIRA DOS SANTOS, agricultor, relatou que no
dia 28/12/2006, deu entrada no Hospital de Pediatria com seu filho Richardson
e desde então não apresentou qualquer quadro de melhora.
Encontra-se com o corpo todo inchado, apresentando quadro de tosse e
diarréia. O médico disse, quando da entrada no hospital,
que a criança apresentava pneumonia e desde então não
tiveram mais nenhuma informação a respeito. Que desde
o dia em que sua esposa começou a acompanhar seu filho, soube
de pelo menos cinco óbitos. Que todos os dias eles (enfermeiros)
colhem sangue da criança para fazer exames, mas não dão
qualquer informação. Sua esposa Clarisse disse que seu
maior medo está em relação à falta de informação
sobre o estado do seu filho, que completou ontem (dia 19/01/07), quatro
meses de vida. Que todo exame de sangue que é feito a criança
é novamente furada. Que se o acompanhante não avisar a
equipe de enfermagem que tem algo de errado, ela também não
faz o acompanhamento. Que residem no município de Afuá
e vieram para Macapá com uma embarcação alugada.
20/01/2007.
4) MARIA THEODORA DA SILVA RAMOS, doméstica, relatou que na
terça-feira (23/01) veio ao hospital com seu filho José
Daniel e ficaram esperando no hospital pelo atendimento, visto que faltava
leito. Informou que foram maltratados pela equipe de enfermagem. Que
a filha de uma amiga deu entrada no hospital e morreu após receber
uma injeção no hospital. Que relatou ao médico
da pediatria a série de problemas que seu filho possuía
e que foi internado na quinta-feita. Que na sexta-feira o médico
deu alta ao seu filho informando que ele não tinha nada. Que
conversou com muitas pessoas no hospital, mas não recebeu qualquer
apoio. Que foi insultada pela médica ao exigir tratamento para
o filho que sofre de problemas mentais. Que teve que tirar pessoalmente
o soro de seu filho, uma vez que não foi atendida pela enfermeira.
Que foi expulsa pelo médico da sala de consultas. Que mesmo com
o rapaz cuspindo sangue, não teve atendimento. Que já
presenciou diversas vezes o descaso no atendimento. Que os enfermeiros
humilham as pessoas que precisam de atendimento. Que no dia de hoje
foi atendida por uma enfermeira e que agora encontra-se em melhor estado.
27/01/2007.
5) CRISTINA DA CONCEIÇÃO OLIVEIRA, de 37 anos, relatou
no dia 24.03.07 às 10:47h que é mãe do menor Diego
Quaresma dos Santos e que na quarta-feira, dia 21.03.07 às 21:00h
estava em sua residência quando se deparou com seu filho Diego
que estava asfixiado. Foi chamada a ambulância para o Pronto Socorro.
Foi recebida pela equipe médica que tentaram socorrer. Sem um
resultado satisfatório, chamaram um especialista que transferiu
o menor para o PAI, aonde foi submetido a indução. A partir
desse momento Diego entrou em coma induzido. Após 5 dias D. Cristina
tem certeza que Diego não recebeu atendimento correto, além
de não ter tido chance de ajudar seu filho, faltou socorro. D.
Cristina perdeu Diego, seu filho, por negligência médica
da equipe do plantão. Além de tudo mantiveram seu filho
já falecido desde domingo, dia 18.03 e só foi avisada
na segunda-feira, às 06:00h da manhã. D. Cristina pede
Justiça pela morte de Diego e pelas outras.
6) WILLIANS DE SOUZA MACHADO é morador de Tartarugalzinho e
trouxe sua esposa Elenilde para Macapá porque o médico
se negou a atendê-la. A mesma ficou três dias tomando soro
e o médico não apareceu. No 4º dia o médico
apareceu mas não atendeu a Sra. Elenilde por que ela teria que
ir para a fila marcar a consulta, mas a mesma encontrava-se no soro
e por isso sua mãe foi para a fila e no dia seguinte o médido
não atendeu. Apareceu no hospital pela parte da tarde e só
tomou a iniciativa de encaminhá-la devido a pressão dos
familiares que encontravam-se revoltados pelo fato da Srª. Elenilde
estar com hemorragia há 5 dias. Concluindo, o Sr. Willians não
queria mais que o médico examinasse sua esposa, queria apenas
o encaminhamento para Macapá, onde o mesmo teve que fretar um
carro para trazer sua esposa, por que a ambulância estava lotada.
Chegando em Macapá, foi para o Pronto Socorro e não foi
atendido. Foi encaminhado para o Hospital da Mulher que não teve
resposta alguma. A médica que recebeu o encaminhamento disse
que estava errado e disse que iria encaminhá-los para um posto
de saúde. O Sr. Willians, cansado de ir de um lugar para o outro,
pediu a ajuda de amigos e terá que consultar sua esposa em consultório
particular.
7) MARILDA NASCIMENTO DE LIMA, indignada com a saúde pública,
relata que a indiferença dos funcionários e médicos
do Pronto Socorro é desumano. A senhora Marilda, totalmente transtornada,
afirma que há um ano atrás ocorreu a mesma situação,
aonde seu avô Zuílo, de 102 anos não recebeu o tratamento
adequado quando deu entrada no dia 22.03.2006, em estado crítico
pelo fato de ser cardíaco e hipertenso, onde ficou em uma maca
de 6 horas da manhã até 10 horas para ser atendido. Ao
ser atendido pelo médico, este o encaminhou para o RaioX. Ao
sair do RaioX seu avô retornou para a maca. A Srª. Marilda
pediu um lençol para uma funcionária, praticamente implorando
e foi ignorada. A mesma alega que não acredita mais que a saúde
tenha solução, mas infelizmente não tem outra alternativa.
Seu avô só conseguiu um leito às 4 horas da tarde,
mesmo assim o atendimento é precário, ou seja, não
tem melhora alguma, tanto na maca do corredor quanto no leito. 31.03.2007.