Entrevista com Antoine Karam - Presidente do Conselho Regional da Guiana Francesa.
Para o Jornal do Meio Ambiente


Por Flávio Barros e Frantz Montolban (Tradução: Flávio Inácio (Adap) Meio Ambiente e Cooperação Regional

O professor de História do Instituto de Estudos Superiores da Guiana, Antoine Karam, é presidente o Conselho Regional da Guiana desde 1992, para o qual acaba de ser reeleito pela terceira vez. É também secretário do mais antigo partido da Guiana, o Partido Socialista Guianense, que comemorará seus cinqüenta anos em 2006. Como milhões de brasileiros, é um apaixonado de futebol, que pratica todas as semanas.

JMA: Como começou na política ?

KARAM: Desde o segundo grau, eu me interessei pela política, militando em partidos de esquerda. Militei bastante em Paris na União dos Estudantes Guianenses.
No meu retorno à Guiana, fui eleito pela primeira vez vereador de Caiena em 1977.

JMA: Já militou como ecologista ?

KARAM: Não militei em um partido ou um movimento que se diz ecologista, mas eu sempre fui sensível a este discurso político, pois o homem está no centro das preocupações e não o crescimento ou o lucro a qualquer preço.

JMA: Quais são suas relações com os ecologistas da Guiana ?

KARAM: Dentre todos os partidos, os ecologistas perceberam que o Partido Socialista Guianense era o único que se interessava sinceramente pela temática do meio ambiente. Além disso, temos em comum a luta contra o racismo e a xenofobia.

JMA: Recentemente, a líder dos verdes na Guiana pediu para votar para o senhor. Os ecologistas contribuíram para a sua reeleição? É o início de uma aliança entre o Partido Socialista Guianense e os Verdes? Vossa Excelência apoiará Brigitte Wingard, candidata do Partido Verde para as eleições européias ?

KARAM: Acho que é possível estabelecer temas de trabalho com o Partido Verde na Guiana e à nível nacional. Concordamos em inúmeros pontos, especialmente a grande importância do desenvolvimento sustentável e a evolução institucional da Guiana.
Apoiamos Brigitte Winegaarde durante as eleições européias. Seu partido ganhou na Guiana.

JMA: Há alguns dias, vários painéis surgiram nas rodovias para anunciar que 2004 é o ano do meio ambiente na Guiana. Quais são as ações que serão realizadas para sensibilizar a população?

KARAM: Mencionarei algumas ações, mas esperamos outras propostas das associações: Palestra para sensibilizar as crianças ( rallye na cidade); Eventos sobre o meio ambiente, em parceria com o Ministério de Educação; Concurso de cartazes; Conferência sobre a limpeza; Organização de cursos sobre a água.

JMA: Desde 1992, falamos da criação de um parque nacional na Guiana, como está o andamento deste projeto? E em relação ao parque natural regional, como estão os trabalhos? Quais são as áreas reservadas para cada um deles?

KARAM: Em relação a criação do parque nacional na Guiana, um grupo foi constituído para tratar o assunto. Entretanto, esta é uma questão delicada que suscita a hostilidade da população afetada e da maioria dos políticos guianenses.

JMA: Qual o seu projeto comum com o Estado do Amapá para a proteção do meio ambiente ? Como vê de uma maneira geral a continuação das relações entre a Guiana e o Amapá ? Como pretende desenvolver a Guiana economicamente preservando a qualidade do meio ambiente ?

KARAM: Nossa política de cooperação regional com o Estado do Amapá nos interessa bastante. Ano passado recebemos, durante um simpósio, uma delegação oriunda do Brasil, composta pelo ex-governador João Capiberibe.
Sobre este tema, participamos com nossas reflexões e ações para a promoção da proteção de nosso meio ambiente amazônico. Em termos de desenvolvimento sustentável, acredito que temos muito a aprender com nossos vizinhos brasileiros e não fico chateado que eles estejam avançados sobre esta questão, mesmo porque temos nossa própria visão das coisas.
Contrariamente a inúmeros estados brasileiros, o desenvolvimento da Guiana leva em consideração o meio ambiente. Assim, temos necessidade de empreender tudo neste país em termos de gestão do território
construção de rodovias e pontes) e desenvolvimento do setor secundário, que deve ser a base para nós passarmos para uma economia dotada de um verdadeiro setor produtivo.

JMA: Qual é a porcentagem do orçamento destinado para a proteção do meio ambiente na Guiana? Este orçamento é maior ou igual aos dos últimos dez anos ?

KARAM: O orçamento para a proteção do meio ambiente é de aproximadamente 1.500.000 euros por ano. É um orçamento que tem aumentado constantemente nos últimos dez anos, pois damos uma atenção cada vez maior para a proteção do meio ambiente e para a questão energética.

JMA: Em relação a ponte sobre o Oiapoque, como estão as discussões na França ? Quando começa a obra ?

KARAM: Em relação a ponte sobre o Oiapoque, as discussões continuam entre as autoridades brasileiras e francesas. No início do ano, tivemos uma reunião em Brasília no Ministério de Relações Exteriores. Nossos homólogos nos explicaram que eles ainda deveriam realizar alguns estudos antes de passarmos para a fase das obras.