O cão tarado e o Big Brother Brasil


Antonio Corrêa Neto

Conheço muito pouca coisa mais chata que o programa Big Brother Brasil e similares. Ainda assim tem gente, muita gente que gosta, fazer o que? É claro que algumas coisas que acontecem nesse tipo de programa, oferecem oportunidade para comparações com o que ocorre no dia a dia de cada um de nós. A segunda edição do Big Brother da Globo mostrou isso. Quer saber?
O programa tem um jovem de 28 anos, cozinheiro, simpático, completamente apaixonado por uma integrante do grupo que mora na casa, que não demonstra o mesmo nível de interesse do que ele tem por ela. Mas os dois vão namorando, o sujeito chorando pelos cantos, grudando na garota em tempo integral, provocando constrangimento até em quem vê o programa. É um drama exposto diariamente pela televisão. Foi olhando a melosidade do rapaz, que lembrei de algo que aconteceu durante algum tempo na minha casa.

Pelúcia era o nome de uma cadelinha "pequelata", um cruzamento de pequinês com vira-lata, baixinha, curtinha e de pelos completamente negrinha. Era considerada a "quenga" do bairro, tal a facilidade com que arranjava filhotes. Pelúcia não dava tempo, e as ninhadas se sucediam. E os filhotes eram sempre pretinhos e bonitinhos que nem a mãe.

A partir de um certo tempo minha curiosidade foi aguçada e passei a acompanhar os períodos de cio da cachorrinha. Acabei descobrindo uma coisa interessante: toda vez que a Pelúcia entrava no cio, aparecia um cachorro branco, tamanho médio, que babava diante do portão da minha casa pedindo pelo amor sabe lá de quem, uma chance de transar com a cadelinha. E ela nem aí pra ele. O cachorro branco ficava na frente de casa, olho fixo no portão, ganindo feito um louco durante todo o período da vadiagem da Pelúcia. Nunca vi a cadela enroscada com o cachorro branco para quem não dava a menor pelota. O cachorro ficava lá, babando.

Um dia descobri por que apesar da presença do cachorro branco, os filhotes da cadelinha eram sempre pretinhos que nem ela. Assediada por um monte de cachorros tarados, inclusive o brancão, ela conseguia escapar de casa e se entregava prazeirosamente à vadiagem com um cão pretinho, baixinho e meio estropiado que parecia por lá. E foi olhando o Big Brother Brasil, aquela baboseira do Thyrso em relação a Manuela, que lembrei do cachorro branco que passava dias de olhar fixo no portão da minha casa querendo transar com a Pelúcia. Será que tem alguma semelhança?

VERDANA