| |
Do livro "França; um sonho de viagem" (no prelo)
- Vania Beatriz V. de Oliveira
Apagão
em Paris
(9)
O
convite para um encontro dos participantes do BrésilPassion (BP) em
Paris circulou na lista, antes mesmo que eu saísse de Porto Velho.
Sônia, uma espécie de relações públicas
do site BP organizou tudo. O local escolhido foi o Blue Note um bar, que fica
em Barbèes, bairro onde predominam os africanos do norte (magrebinos)
e África Negra. A entrada é gratuita, mas paga-se uma consumação
de 35FF, o suficiente para um único drinque.
O
grupo formado não passou de 20 pessoas. Era o virtual tornando-se real:
jovens, menos jovens, brancos, negros, falantes e tímidos, um pouco
de cada. Pelo menos três casais eram franco-brasileiros. O ambiente
de bar não era muito propício ao entrosamento. A conversa ficou
restrita aos que estavam mais próximo.
A
atração da noite era a cantora Alba Maria, uma paraense de bonita
voz, que faz a noite parisiense acompanhada de um músico paulista.
Seu repertório é variado, canta a MPB, a Bossa Nova, mas o melhor
foi ouví-la cantar a música do Norte do país, desde as
do maestro Waldemar Henrique ao carimbó do Pinduca. Estavam lá
também, as irmãs de Alba, recém chegadas de Belém;
Cleide que é paraense de Vizeu; e um casal, cuja mulher nasceu em Belém,
mas foi criada no Rio de Janeiro, e já mora há 23 anos na França.
Enfim, era quase uma noite paraense.
Silvana,
uma mineira casada com Jean Pierre, o francês que me recolocou em contato
com Cleide, também deu uma canja: cantou e encantou a todos com sua
bonita voz. Eles moram em Reims, região onde é fabricado o champagne.
Ele comanda um programa de rádio sobre música e cultura brasileira.
A simpática dona do bar é uma apaixonada pela boa música
brasileira. Amor registrado nas fotografias de artistas brasileiros e paisagens
do Nordeste do País, que compõem a decoração da
casa.
O
jovem francês ao meu lado contou-me que estava prestes a ir a Porto
Alegre, fazer uma surpresa à namorada brasileira, que conhecera numas
férias em Fortaleza. Disse-lhe para tomar cuidado para não ser
surpreendido. Contei-lhe a história que eu lera em uma revista a respeito
de um carioca, que viajara até ao Amapá para rever uma namorada,
chegou de surpresa e ficou perplexo ao descobrir que a moça era casada.
Para
animar a reunião levei lembranças do Brasil, uma pequena
garrafa de cachaça e um CD Música de Barzinho, que foram
sorteados entre os presentes. O papo rolava animado, quando fomos surpreendidos
por uma falta de energia elétrica. Janete, a dona do bar, só
encontrou uma explicação: forças ocultas teriam percebido
a grande quantidade de brasileiros ali reunidos, provocaram o apagão,
em solidariedade ao racionamento que, por aqueles dias, começava
no Brasil.
|