INVERSÃO DE VALORES E REALIDADE
Essa crítica é oportuna e necessária.
Reconheço em Papaleo Paes um bom cardiologista, um dos melhores
do Estado ao lado de “cobras” como Jose Cabral, Manoel
Brasil, Eduardo Costa, Antonio Furlan e Wilson Alfaia, par ficar só
nesses, embora haja outros tantos igualmente bem formados.
Ocorre que há uma distancia significativa entre o médico
e o político. Digo isso porque toda vez que o ouço discursar
na tribuna do senado sinto certo dejavú. Tão clara a
abissal diferença entre o médico e o político
que jamais deveria existir. Nada de pessoal, mas é duro aceitar
os conceitos morais, éticos e sociológicos do político
senador e descolar da imagem que procura difundir enquanto político,
no fundo, muito diferente da real e do excelente médico que
é.
Veja esse caso recente. Na eleição do seu mentor e
guru Sarney para a presidência do Senado foi apresentado ao
Brasil pela mídia escrita, falada e televisada, como um exemplo
de traidor político, de uma forma discutível e nada
edificante, sem que merecesse de sua parte uma mínima rusga
de contrariedade.
Enquanto o PSDB, seu partido, articulava com o PT a derrota do coronel
maranhense, por razões de interesse do seu partido, o nosso
representante negava o PSDB, seu estatuto, sua carta de princípios
declarando seu voto abertamente a favor do peemedebista.
E o papel parecia não constrange-lo. Ao contrário havia
na sua decisão certa dose de jactância. Também
pudera. Aqui a mídia especializada em enaltecer Sarney, servil
ao oligarca maranhense, ao poder vigente e afinada com a harmonia,
considerou sua postura coerente e elogiosa, deseducando os ouvintes
e dando um mau exemplo de jornalismo pela enésima vez.
O senador e o médico também, aí as figuras se
confundem, parecem morar em Macapá, sem viver em Macapá.
Tanto que é incapaz, apesar da imagem de politicamente correto
que tem, de colocar-se na defesa dos interesses da sociedade que representa
e denunciar as traquinagens e incompetência do atual governo,
a quem empresta incondicional apoio. Antes que me sejam apresentadas
as emendas e seus recursos, adianto que isso de pouco vale diante
do comportamento ético e moral de qualquer parlamentar.
De todas essas questões a que mais ressalta e incomoda é
o silêncio sobre os desvios de recursos da saúde, área
que deveria merecer sua total vigilância por saber, mais que
seus muitos eleitores, quais os danos que essa prática acarreta
a vida do contribuinte.
Ao contrário, quando pode, alfineta a oposição
que faz o seu papel e que, por ironia, lhe propiciou um mandato de
Prefeito de Macapá, na contra face dos elogios faustos ao atual
governo o que lamentamos bastante.
E tem mais.
Agora se juntou a cruzada pela diminuição da maioridade
penal. Falou em seu discurso tratar-se de medida importante para que
os “cidadãos de bem possam viver em paz”, diante
da escalda da delinqüência juvenil que assola o país.
Aqui também Senador, a coisa anda insuportável.
Esse tema, aliás, deveria merecer uma abordagem antropológica
e sociológica mais apurada do senador. Caso fizesse, não
precisaríamos alerta-lo que “essa gente que perturba
a vida dos cidadãos de bem” é subproduto dessa
mesma sociedade objeto de sua preocupação, os denominados
“cidadãos de bem”.
Na verdade são pessoas de bem com a vida, que circulam em
suas reluzentes Hillux, Captivas, Honda Civic, que não estão
preocupadas em buscar soluções que possam resgatar essas
pessoas da vida miserável que vivem, distraídas que
estão em acumular riqueza, poder e surrupiar o dinheiro público.
O enfoque, portanto, está equivocado.
E depois, sabe o Senador, não haverá prisão
suficiente para abrigar tantos filhos da desesperança criados
por maus políticos e excluídos da convivência
social justamente pelos “cidadãos de bem”.
Construir cadeia custa dinheiro. Outra verdade que o senador conhece.
Recurso que poderiam ser destinados a programas sociais, como não
cansa de pedir seu colega de parlamento Cristóvão Buarque,
incluindo a educação e a geração de emprego,
medidas que diminuiriam, sem dúvida, esse fosso que separa
ricos e excluídos.
Muito melhor que a violência da repressão que sugere
o nobre senador. Uma vez exitosa, a proposta exigiria o aumento do
numero de prisões, que nunca resolveu nada a não ser
enriquecer “os tais cidadãos de bem”, muito deles
construtores de “obras” superfaturadas, intermináveis
e financiadoras de maus políticos, eterna roda viva.
Por fim senador, Estado eficiente não se mede pelo número
de presídios que constrói ou de cidadãos que
neles abriga. O Estado ideal é aquele que distribui com justiça
o fruto do trabalho coletivo e é reconhecido pela rede de proteção
social que disponibiliza aos seus cidadãos Fora disso só
o discurso vazio, a mesmice de sempre.
SOBRE OS MEANDROS DA LEI
Toda vez que uma autoridade judicante é provocada a explicar-se
sobre seu trabalho reage de forma autoritária como um senhor
feudal ou um ditadorzinho de bananas.
Sua prepotência colérica resulta da presunção
da infalibilidade que não tem, no medo que incutem nas pessoas,
e na certeza que somos ignorantes dos meandros da justiça,
cuja definição simplória traduz os passos percorridos
por um processo do momento em que ingressa no Tribunal Regional até
a sua decisão final, muitas delas só possível
nas instancias superiores.
O Brasil inteiro reclama dos tais meandros. Não é preciso
ser iniciado no Direito para saber dos seus malefícios. Basta
acompanhar o noticiário. A ele se atribui o mal maior da justiça
brasileira, do qual se valem os poderosos e a turma da grana para
não pagar por crimes cometidos.
É também a razão maior da morosidade dos processos
por permitir uma série de manobras e recursos protelatórios
que só favorecem os ricos e malfeitores de colarinho branco.
Gente graúda que muitas vezes passa dessa pra outra sem ver
o sol quadrado.
Esses meandros também podem servir – segundo comenta
um advogado amigo, para toda sorte de sacanagem, acelerando e desacelerando
os resultados preliminares, ao sabor de alguns argumentos poderosos
e irrecusáveis.
É desse processo escuso, imoral, injusto, marginal que o Brasil
reclama. O uso desses meandros para decidir à margem da lei,
influindo no resultado eleitoral, favorecendo maus políticos,
engavetando processos que pune uns e absorve outros, autores de crimes
iguais e que acabam merecendo tratamento desigual.
Aqui mesmo no Amapá vivenciamos três processos eleitorais
atípicos em que ficou claro o uso decisivo do poder político
e econômico no resultado das eleições. A sociedade
sabe disso, uns como mero expectadores outros como estrelas de primeira
grandeza.
Apesar de tantas evidencias é comum a autoridade declarar
a normalidade do pleito quando os fatos desmentem e falam ao contrário.
Numa dessas eleições, tida como normal, o governador
Waldez Góes, por iniciativa do Ministério Público
Federal, e não pela de seus adversários, está
prestes a perder o mandato de governador por uso da máquina
pública e abuso do poder econômico no pleito de 2006,
que já poderia ser decidido não fosse os tais meandros.
Roberto Góes, atual Prefeito de Macapá, foi cassado
duas vezes e duas vezes favorecido por liminares expedidas pelo TRE,
sem que até o momento se tenha noticia de quando se julgará
o mérito. Ninguém fala nada. E estamos só na
ante-sala dos meandros.
A fila de processos contra o alcaide é grande, o que deixa
antever uma guerra sem fim previsível. A pergunta que não
quer calar, no entanto, é como pode alguém exercer mandato
tão importante apoiado em medida tão frágil?
Aí novamente os meandros emergem e deixam claro sua opção
contrária aos interesses da sociedade e da justiça.
O BRASIL AGRADECE
O Brasil agradece a Jarbas Vasconcelos, o senador pernambucano que
teve a coragem de desmontar a farsa de seu partido, o PMDB e do governo
Lula. Como sempre ocorre nesses momentos inusitados de choque moral
a praxe dos políticos pilantras recomenda que não responder
é a melhor estratégia visto não alimentar o debate.Em
outras palavras: deixar a poeira sentar.
Sarney, um dos mais atingidos pelos petardos de Jarbas, dono de imensurável
rede de benefícios no governo Lula, se acha o máximo.
Tudo porque num golpe do destino acabou presidente do país,
cargo que jamais assumiria dependesse do voto popular. Preferiu o
silencio a responder as acusações sob o pretexto de
não se submeter a um debate pequeno.
Quem falou que é pequeno? Quem decide sobre isso, sobre sua
importância? Esta é uma questão do interesse da
sociedade brasileiro já que se trata de conduta ética,
moral e do uso de seu suado dinheirinho que some pelo ralo da corrupção
e ajuda a classe política – exceções à
parte, a construir grandes patrimônios e poder ao seu redor..
Jarbas, provocado, promete mais. E é bom que venha mais. É
preciso tirar isso a limpo. O Brasil não pode ficar sujeito
a essas práticas escusas que infelicita milhões de cidadãos
e atrasa o desenvolvimento do país. Que todo brasileiro medianamente
informado sabe que existe e como funciona.
Minto: menos a TV Globo, seus noticiosos e outros gigantes da comunicação
do Brasil como a Folha de São Paulo e o Estadão. O Globo
ignora. Os outros passam de raspão. E só.
E não se pode absorver Lula e seu governo, conivente com essa
bandalheira que alimenta a sede insaciável de poder, agora
revelada, do ex-retirante, torneiro mecânico, hoje presidente
do país e sua troupe de aloprados.
POUCAS & BOAS
Mais um carnaval se foi e com ele o sonho de algumas escolas. O Boêmio
se repete, com ou sem mascote novo. O Guará, segundo as más
línguas, foi vitima da maldição da cobra destronada
impiedosamente pela falta de respeito às tradições
+++ Foi a Escola que mais gastou. Só o Governo do Pará,
estado homenageado, doou algo em torno de um milhão de reais,
segundo informou o bom jornalista Zé Maria Trindade, radicado
em Belém +++ Aprendendo com a Beija-Flor +++ A
mais prejudicada foi a Império do Povo de Santana. Bom samba,
boa organização e que trouxe uma grata novidade: Vivi
da Império, uma menininha safa que cantou como gente grande
o samba da escola ao lado do bom Meio Dia +++ Novamente pagou
por ser “um estranho no ninho” +++ O Piratão
é o Piratão. Ganhou utilizando a formula de sempre.
Vale tudo, quando se trata de ganhar. Tem força, organização
e gente capaz de tudo +++ Positivamente a implantação
dos COMANDOS MÉDICOS como instrumento de atendimento médico
a população do interior é um retrocesso. A reinvenção
da roda. Alberto Lima, Manoel Brasil, Aldine, Barbosa, Ribamar, Brasiliense
e outros já faziam isso há cinqüenta anos +++ A
medida não pode ser considerada acertada, conseqüente
e resolutiva de prestação de serviço à
saúde, como argumentam ignorantes sempre de plantão
na mídia +++ Está na verdade vinculada a estratégia
política do Secretário de Saúde, candidato ao
governo. Uma confusão entre o público e privado+++ Além
da fazer média com os prefeitos e eleitores, ajuda a classe
médica com mais um substancioso “bico”, reforçando
o time +++ Enquanto isso o CRM deixou de se interessar por
questões dessa natureza+++ Que tal aparelhar e dar
condições de trabalho e locação de equipes
multi-especializadas e profissionais nas unidades dos municípios?+++
Enquanto isso a oposição continua boa de boteco, boa
de papo e perdida quanto a sua estratégia e projetos+++ Daí
que dá margem para idéias estapafúrdias como
a que ouvi e fiquei de queixo caído: há quem acredite
que Moises Souza e Lucas Barreto são lideranças novas
capazes de nos tirar desse atoleiro. Ué! Todos eles não
são do time do Sarney ,desse governo e desse esquema?
+++ O Orçamento do Estado já é em si uma peça
bizarra, que todo mundo sabe existir apenas para inglês ver.
O que funciona mesmo é o saquinho de bondade do governador
Waldez que por sua vez ignora as leis e regras de sua aplicação
+++ É mestre no clientelismo e no aparelhamento do
Estado. Sua obra maior é manter sobre controle pessoas de todos
os níveis: de ignorantes presidentes de associações
comunitárias a graduados advogados, renomados médicos,
professores, evangélicos e por aí afora +++
Seu combustível é a grana do Estado+++ O recente
corte realizado não obedeceu ao menor critério técnico.
A exclusão dos poderosos poderes do Estado prejudicou o povo
em geral que se já não tinha, agora mesmo que não
terá melhoria em setores importantes como saúde e educação+++
Tiraram o sofá da sala. O prefeito Roberto Góes suspendeu
o atendimento médico dos funcionários da PMM sob a alegação
de fraude nas contas do convenio entre a PMM e a operadora dos serviços.
Ao em vez de auditar essas contas e punir os fraudadores, optou por
suspender o fornecimento do serviço. E pior, continua descontando
dos funcionários +++ O Jornal do Dia descobriu afinal
a pólvora. Falta só acender o rastilho. O governo teve
em 2008 quase três bilhões de reais de orçamento.
Para sermos precisos 2,7 bilhões de reais +++ Num
ano, tudo o que disponibilizou o PSB no seu segundo período
inteiro de governo: média de 700 milhões ano+++ Rastilho
aceso poderíamos saber afinal o destino dessa dinheirama toda.
Olhando ao norte, sul, leste e oeste do Estado não há
evidencias de obras ou eventos marcantes+++ As informações
oficiais não consideram os recursos extra-orçamentários
que elevaria esses valores a estratosfera. Depois as informações
são oficiais e não merecem crédito. Mais parece
propaganda eleitoral+++ Pra encerrar patética a reportagem
da Globo sobre o Estádio Milton Correa. Faltou alguém
com isenção e crédito suficiente pra dar a versão
correta da situação que responsabiliza o Governo e os
dirigentes do esporte local+++ Dinheiro sempre houve. O que
não há é interesse e responsabilidade social.
As tais arenas esportivas da periferia não passam de obras
toscas e baratas, instrumentos de política “caça
voto”. O mais sem comentários. Por hoje é só.