A CARA DA HARMONIA

Está aí um bom exemplo que a mídia local deveria tomar para si. O gosto pelo debate sem discriminação, sem censura e mentiras. Oportunidade de legitimar a prática democrática e a livre manifestação do direito de opinião, como em qualquer país civilizado e preconiza a Constituição.

O cidadão mostrando a cara, se posicionando sobre temas tão importantes como ética, moral, conduta e responsabilidade social, por exemplo. Quando isso ocorre temos elementos que nos permitem dizer que vivemos realmente num Estado Democrático de Direito.

Mas o debate por si só ainda é pouco. Temos que ter a garantia que as leis do Estado Brasileiro continuam vivas e não as tais letras mortas resultado da inépcia e conivência de quem deveria fazer as leis cumprir com lisura e isenção seu papel regulador da convivência social, tornando-nos, de verdade, iguais diante delas.

Também de nada valerá se a sociedade não exercitar o seu papel de cobrar dos operadores da justiça essa equidade e impessoalidade na sua aplicação e essa gente não vir à luz debater com a sociedade como fazemos agora, abdicando do seu pedestal. Sentir um pouco o gosto da terra.

Ao contrário que possa parecer, estamos satisfeitos com o fato da harmonia argumentar e dizer o que pensa. Isso ajuda no processo de construção de uma sociedade. Reflete seus contrastes, aborda suas iniqüidades, fraquezas e virtudes. Torna-nos capazes de diferenciar um cidadão de um canalha, o honesto do seu corruptor, o bom e o mau político; de constatar se a justiça é cega como dizem e mais que isso, enxergar com clareza um governante que mente e não cumpre suas tarefas.

Bem vindo, portanto, ao clube do debate. Não sem antes garantir ao José Sena e a Lia Oliveira que, ao contrario que imaginam, sabemos da aridez do Direito, da complexidade de seu rito processual e da sutileza de suas decisões que podem sim ser contaminadas pelo interesse político, nossa discordância fundamentalmente. Até porque magistrados de todos os calibres não escondem o seu “ Capi nunca mais” e não pedem reservas.

Ousar trilhar caminhos tão tortuosos e espinhosos pode parecer insensatez ou um ato de estupidez porque os operadores do direito, inclusive porteiros, ascensoristas, vigilantes, motoristas e por aí afora, se acham donos de pendores divinos, com poderes de vida e morte sobre as pessoas. Discutir seu conhecimento e doutos saberes é como desafiar a morte. ‘“Decisões judiciais não se discutem, se cumprem”. Quantas vezes ouvimos essa expressão que parece um simples axioma, mas que se trata de puro autoritarismo?

Sabe com quem está falando? É outra frase que tem a cara da prepotência e do autoritarismo. Quanto a acusação que temos o interesse da desgastar o TRE, me valho da minha velha mãe dona Antonia que dizia que o homem vale pelo que faz. Ou que cada pessoa deve responder pelos seus atos. Bobagem é imaginar que a sociedade não vê, não ouve, não pensa e não julga também.

E essas pessoas sabem muito bem do que falamos quando levantamos as questões que levantamos e que nunca foram respondidas. E foram só algumas, e pouquíssimas até, a respeito da eleição que fez de Roberto Góes prefeito (pro tempore?) dessa cidade e tanta polemica causou considerando-se o acinte das transgressões cometidas.

Com boa vontade é fácil saber do que falo. Óbvio, desde que não sejam aqueles ETs, navegantes do espaço, que se refere com razão Correa Neto. Pombas! Com a devida vênia de Correa, de quem emprestamos a expressão, onde estavam Lia e José que não viram as barbaridades do pleito? Nunca dantes vistas neste Estado, diria Lula? Esse enredo conhecemos bem! Inclusive seu mandante.

E por favor, olhem para esse cidadão perplexo como uma pessoa normal! Que deseja respostas singelas para questões prosaicas. Questionamos a divulgação antecipada da decisão do Desembargador Carmo Antonio em jornal ligado a mídia do governo ou se é correto e ético uma autoridade judicial fazer comentários, 24 horas antes, sobre uma decisão que ainda tomaria entre outras coisas? Ninguém respondeu porque ninguém quer saber disso.

Essa estratégia reducionista e velhaca, antiga como o mundo, se presta, entre outras coisas, a tornar o debate anacrônico, estéril e simplificado, reduzindo-o à condição chula de “choro de perdedor”. Há mil anos, diria Nelson Rodrigues, de tão contumaz é a sua prática, já estava escrito o destino desses personagens e episódios, se nos reportarmos aos acontecimentos de 2004 e 2006. Isso é importante, precisa e deve ser discutido.

Por que a enxurrada de processos contra Roberto Góes, que já dormita em algum lugar, apesar da celeridade exigida pelo TSE, não está sendo considerado um fator de risco político. Que na hora de largar o cargo de deputado sequer pestanejou e se mandou pra Prefeitura. O “omi tá eleito” e essa ninguém tasca. Sobre essa questão e o seu futuro político faz-se um silêncio tumular, típico da conivência.

E antes que esqueça de novo, dona Lia, para que estrebuchar, se pelas esquinas dessa sofrida Macapá só se falava do final dessa novela? Pra que estrebuchar, insisto? É verdade que sendo médico, não sou do ramo do Direito, embora uma coisa não exclua a outra. Mas também não me tomem por um idiota. A propósito, de qual terceiro turno se refere mesmo dona Lia? Ah! Deixa pra lá, deve ser os tais pendores mediúnicos da autora ou os sábios desígnios da lei. Pode ser.

O “RACHA” DO PSB
Anos atrás um jornal local produziu uma análise sobre o futuro político do Estado, tendo como foco principal o pleito eleitoral da Prefeitura de Macapá que simplesmente ignorava o PSB, principal força de oposição do Estado, entre aquelas capazes de influir no resultado da eleição, como ficou provado depois.

Mais uma vez o dito autor, considerado autoridade em análise política, em matéria recente no mesmo jornal, voltou a ignorar a influencia e a força política do partido, cuja figura principal é o ex-Senador Capiberibe, desconhecendo novamente as evidências e a história política do Amapá.

Na falta de argumentos consistentes e minimizando os fatores extras eleitorais que aqui decidem os pleitos, resolveram “fabricar”, para sustentar o seu imaginário, um “racha” no PSB, capaz de enfraquecê-lo e atrapalhar a sua trajetória rumo às eleições de 2010 quando, mais uma vez, será fundamental, quer queira ou não o jornal e seu articulista. Basta olhar os números e lá estará que os socialistas, apesar das fraudes, só cresceram nas ultimas eleições.

Convocado a falar sobre o assunto, Azolf Valente, economista e uma das vozes mais credenciadas do PSB, minimiza a divergência considerada natural num partido onde não se recebe ordem unida e cujas decisões, depois de discutidas e consensuadas, devem ser respeitadas em favor do projeto coletivo do partido como é comum nas esquerdas. Cristina Almeida concorda.

Depois ficou claro nas últimas eleições que Ruy Smith, suposto mentor do “racha”, inflado pela mídia governista, não tem força política para alterar o desempenho do PSB. Tanto que, não só se ausentou do processo como em alguns filiados reside a certeza que andou pedindo voto ao adversário de Camilo, o pedetista Roberto Góes. Ele e outros seguidores. Alguns, é verdade, apenas fizeram corpo mole e torceram contra.

Apesar de tudo que se viu o PSB teve uma atuação a altura de suas tradições e perdeu mais uma vez para fatores externos como todo mundo sabe e conforme constam os autos dos processos eleitorais que entulham as gavetas do TRE, até agora sem resposta.

O mais são desejos ocultos e inconfessáveis da harmonia a quem servem jornal e articulista, na tentativa de passar a falsa idéia de enfraquecimento do partido e tirar os socialistas da disputa para agradar o Chefe Sarney.

LIMPEZA DE ÁREA

Fazer conjecturas sobre o futuro é um exercício arriscado e incerto. Principalmente de matéria movediça como política que os mineiros consideram, numa felicíssima comparação, a nuvens que hora estão de um jeito, hora de outro.

Imaginem projeções estatísticas, matemáticas, sociológicos e não sei mais o que, sobre a vontade do cidadão, condicionada a fatores tão insólitos como a doença de um filho não atendida, uma escola sem merenda, desemprego ou um sistema de transporte deficiente, para citar apenas esses.

Além do que não se pode desprezar o caráter altamente volúvel dos políticos quando se trata de garantir seu futuro. Sem ideologia, bandeira e pátria são feito ratos: os primeiros a abandonar o barco diante do perigo. Apesar de tudo é possível se detectar - com margem razoável de erro, mas com senso apurado de observação e análise, por quanto anda o humor desse mercado.

Primeiro é fundamental se saber do paradeiro de Sarney, cada dia mais dono dos destinos do Amapá, impossibilitado de recuperar o Maranhão, sua querida terra arrasada. Como em 2006, ano em que foi obrigado a descer de suas tamancas e apelar para manter seu mandato, não tem rejeitado sequer uma pelada de terceira divisão. Impõe sua vontade sobre tudo e todos e quando não pode simplesmente adere.

Foi o caso da escolha de Rilton Amanajas (PSDB) para presidente da Câmara Municipal, contra sua vontade, já que optara pelo “comunista” Nelson Souza. Vitória atribuída ao primo Jorge Amanajas (PSDB), numa manobra heróica para salvar sua candidatura ao governo, seriamente comprometida pelo assédio de Lucas Barreto (PC do Sarney), forte entre os empresários e os sarneysistas de carteirinha.

E a limpeza de área que me refiro é construir um cenário político que favoreça a harmonia a ponto de não existir dissidência de monta que possa colocar em risco o objetivo maior que é a continuidade do projeto de poder, impedindo o retorno do PSB, uma obsessão da turma da mamata, comensais do governo.

A harmonia passa, inclusive, se preciso for pela cassação do atual Vice-governador Pedro Paulo Dias que teima ser candidato à revelia do cacique maranhense. A acusação que lhe fazem na AL, cujo patrono é Dalton Martins (PMDB), outro da tropa de elite de Sarney, é a mesma que caberia a muitos dos membros do governo. Só que nem todos carregam o risco do titular da Saúde, cuja caneta e poder poderão fazer enorme diferença e produzir estragos a partir de maio de 2010.

POUCAS & BOAS

Enquanto o Bar do Abreu dos irmãos Ronaldo e Marquinhos faturou o sucesso de sempre com o seu revellion, o evento do Xodó foi um fiasco+++ Aliás, para muitos não deveria sequer existir desde que Albino, o bom Albino, se mandou dessa par outra+++Na melhor das hipóteses não geraria despesas ao erário público e não pagaríamos a conta+++ Aprendi com D. Antonia a ser justo. Por isso tenho que reconhecer a bela ornamentação natalina de alguns logradouros como a Fortaleza de São José de Macapá, o Mercado Central, de alguns prédios públicos, do Tribunal de Justiça cada ano mais imponente, e do presépio da Veiga Cabral. E só. A de rua continua um lixo+++ Em queda livre o competente médico Cláudio Leão, membro do PDT, que já perdera o cargo de adjunto da Secretaria Estadual de Saúde, segundo se fala, deverá ocupar a mesma função na Secretaria Municipal como segundo de Eduardo Monteiro+++ O Eduardo Monteiro é filho de Calçoene e de Seu Joel e morou no Laguinho ao lado de pais e irmãos entre eles Roberto, falecido, Dirceu e Marilia+++ Jogou basquete na Praça Barão e freqüentava as tertúlias do Circulo Militar e curtia boas amizades. Há anos em São Paulo, onde cursou medicina, agora resolveu encarar essa dificílima missão de organizar e funcionar o sistema básico de saúde+++ Vamos torcer +++ O que você sabe sobre o orçamento do Estado aprovado recentemente pela AL? Nada, provavelmente. Breve falaremos sobre ele e suas aberrações +++ A Marcilio Dias, esquina da Eliezer Levy, ali em pleno Laguinho, a vista de todos, virou lixeira pública+++ Nas oposições Jardel Nunes é um nome sério e de respeito, segundo fonte creditada. Por isso não causa nenhum receio sua recente contratação por um grupo empresarial para um cargo executivo+++ Passaria em branco não fosse Jardel presidente do PMN, uma das poucas siglas que constitui oposição no Estado aliado do PSOL e do PSB e se o grupo contratante não fosse da tropa de elite do Sarney, para quem no jogo político vale tudo, menos perder +++ Pode ser até que eu me engane, mas a candidatura do maranhense Sarney a Presidência do Senado só acontece nos jornais daqui +++Para os partidos de oposição DEM e PSDB eleger Sarney é fortalecer o PMDB sem nenhuma recíproca. Votar em Tião Viana, que deve ser eleito, enfraquece o PMDB e o esquema de Sarney +++ Uma boa discussão é a que trata do aparelhamento do Estado para fins políticos com dinheiro público, usando instituições e pessoas sem a devida dimensão dos danos que isso causa a democracia. Isso faz vicejar a ignorância e a mediocridade. Tudo pelo poder. Nelson Rodrigues tem razão, não é fácil viver em meio a tanta mediocridade +++ Analisando o secretariado anunciado da PMM é fácil perceber que o PDT não conta nada. Só um mísero secretário, Conceição Medeiros, da Educação. O que prova que do outro lado da margem do rio o partido mais forte é mesmo o da harmonia +++ E olha que o secretariado não é lá essas coisas +++ Os Roque Santeiros da vida acreditam piamente que as pessoas não têm direito a reparação judicial das injúrias que são vítimas nos meios de comunicação, como se vivêssemos numa terra sem lei +++ Sou apologista da não violência, mas há momentos que ela se justifica como fizeram dois deputados federais vitimas de chantagem e extorsão. Depois é um desperdiço o Estado investir para formar um profissional, para ajudar sua comunidade e o país, trabalhando e dando bons exemplos e depois o mesmo se transformar em bandido. Isso não se ensina em nenhuma faculdade +++ Um amigo comum me informa que o Coronel Alves, ex-Deputado Federal, estuda possibilidade de retornar a atividade, provavelmente em outro partido que não o PL. Quem também articula muito é Badu Picanço. Outro do antigo PL. Mas nada poderão fazer até a decisão do Supremo sobre o mensalão +++ Aos amigos sinceros que não cabem nesse espaço, mas têm lugar no meu imenso coração, votos sinceros de feliz 2009 respirando novos ares. Nós merecemos depois da poluição que reinou nessas eleições, com promessa de continuar. Mas isso depende de nós. Ate ano que vem.