DESENCONTRO DOS TAMBORES

O Encontro dos Tambores foi uma sacada inteligente e já pode ser escrita como um marco cultural do Estado, responsável pelo resgate da nossa musica negra e das raízes afro descendentes a que estamos ligados.

São dezenas de comunidades reunidas num momento mágico de nossa manifestação cultural, no dia da Consciência Negra, na data em que se reverencia ZUMBI DOS PAMARES, figura mitológica da luta contra a escravidão negra.

Não há quem não se emocione com o rufar dos tambores, com a cantoria dos ladrões de marabaixo ou do som das caixas do batuque que vem de longe, da região dos igarapés, dos lagos e campinas das comunidades negras, dos remanescentes quilombolas.

Num encontro como esse é difícil exigir muita disciplina. O padre que rezou a Missa dos Quilombos reclamou do atraso por conta das comunidades que não chegaram na hora prevista. Pode ser que tenha havido falha da Secult e da direção da Una, mas nada que empanasse a pujança do espetáculo e se desencontro houve não foi do ritmo nem dos passos do marabaixo.

Sei que há uma coisa que incomoda todos os anos. A logística da hospedagem. Tanto que o Teatro das Bacabeira já serviu de hospedaria, por mais de uma vez nesse governo, que demonstra falta de planejamento e até de respeito com essas comunidades tratadas com certo descaso.

Registre-se a ausência das autoridades, governador no meio, Sarney nem pensar. Idem deputados e vereadores. Gente que gosta mesmo é de voto. Quando não está em jogo não dá as caras. Foi o que aconteceu. Sarney suando em bicas no seu fardão só em 2014, quando seu mandato estiver em disputa. Enquanto isso passeia na sua deliciosa Cururupu ou conspira a favor e contra nos subterrâneos do poder em Brasília.

O resto da fauna - deputados e vereadores, secretários de estado e funcionários de grosso calibre, marcam presença na orla do Santa Inês, o novo santuário e território livre da emergente e endinheirada classe social do Amapá. Entre um chope gelado da Bier Hausser e on the rock, selo azul, do Good Night devem se perguntar: que diabo mesmo é esse negócio de batuque? Deixa isso pra lá, sexta tem a levada louca, a banda Eva, a esfuziante micareta da Bahia.É mole?

OS SETENTINHA DE CORREA

Correa Neto é uma jornalista acima de qualquer suspeita. Um cidadão indispensável a qualquer mundo que se queira construir. Falo isso não só pelos seus setenta anos, completados nessa quinta feira, que muito honra o Amapá, terra que escolheu para viver, mas por ter edificado, tijolo por tijolo, uma respeitável trajetória de vida, que inclui a bela família que tem.

Àqueles que imaginam atingi-lo com o rótulo de inconformista, garanto que a adjetivação não o ofende, nem diminui a sua importância. Soa como elogio. O que seria do mundo sem os inconformados feito o primata de 2010, UMA ODISSEIA NO ESPAÇO, o antológico filme de Stanley Kubrick?

Que seria do mundo se habitado unicamente pelos acomodados conformistas? Quem inventaria a roda que nos trouxe de tão longe. E a ciência que evolui nas asas dos sonhadores, dos curiosos, dos inconformados cientistas, que como Correa, vivem a percrustar as entranhas das coisas e dos fenômenos sociais, materiais e espirituais na busca do conhecimento e sua aplicação em favor da humanidade?

É um homem, como se costuma dizer, na frente do seu tempo, que atravessou todos os estágios evolutivos do jornalismo, dos caracteres tipográficos de Gutemberg a digital internet, onde ancorou sua arca do conhecimento. Sua inquietude é própria de pessoas do seu caráter inovador e incontido.

Já ao nascer, abrindo os olhos, deve ter se perguntado: “que porra de mundo é esse?” Vamos mudar. E assim vem fazendo. Essa é a sua luta.

Correa, sem exagero, é um ser essencial onde quer que esteja, na luta contra as injustiças sociais, presentes como nunca nos dias atuais, no combate sem trégua aos maus governantes, ao desvio do dinheiro público e cobrando da autoridade constituída o cumprimento das normas e leis que regem a convivencia social.

Muito mais importante que tudo isso é ser um jornalista que não vende sua alma como Thomas Morus não vendeu sua crença. Nela, na sua alma, só há lugar para os justos. Deve ser chato não privar de sua amizade. Sinto-me honrado em pertencer ao seu circulo de amigos. São setenta anos redondinhos, quase perfeitos, não fosse ele vascaíno roxo e fã de carteirinha do Eurico Miranda.


SEM CENSURA

Considero o trabalho de Telma Duarte na Confraria Tucujus, muito positivo, mérito que deve ser dividido com sua equipe de trabalho em que realça a competência de Márcia Correa, Promotora de Eventos.

Bem dentro do espírito que norteou a sua fundação, num remoto sábado de julho de 96, a organização vem promovendo com competência o artista da terra nas suas mais variadas manifestações, na música em particular, nos encontros e saraus das sextas-feiras.

Agora precisa de uma atitude mais eficaz em defesa da sua historia, de seus personagens, da cidade e dos monumentos históricos como a sede da OAB, recentemente “enjaulada” por sua diretoria, que configura uma agressão a sua (dela) arquitetura e um total desrespeito ao nosso passado, para citar o exemplo mais recente.

Tanto quanto mereceria uma moção de desaprovação o uso dos nossos monumentos históricos, como o entorno da Fortaleza São José, com fins político eleitoreiros. Caso não se possa impedir, pelo menos reprova-la.

E falo cheio de razões. Enquanto o tal “lugar bonito” é realçado, os demais pontos daquele monumento não constam da propaganda oficial, por terem sido construídos em outro governo. Coisa pequena e por ser pequena ridícula.

Como ridículo mudar a sua denominação para Forte de São José, imposta por Sarney e nunca contestado por qualquer agente cultural do Estado, inclusive membros do Conselho de Cultura. Por sinal nesse governo, na falta do que fazer ( com tanta coisa pra fazer) virou moda se desrespeitar as tradições e apagar as obras de quem fez. Virou febre.

Diante disso é bom lembrar aos confrades tucujus que temos muito mais a fazer que cantar as belezas da cidade. Temos que resistir, mais que qualquer coisa, a tentativa de atrelar a entidade ao governo do estado como várias instituições que recebem subsídios do Estado e passam a ser braço armado e usados nos períodos eleitorais, como Troama, Grupo das Lagrimas, Desafio e fundações sociais de fachada..

Depois é bom que fique claro que é dever da União, do Estado e do Município apoiar entidades com o perfil da Confraria sem cobrar, fora o efetivo trabalho e aplicação correta dos recursos, fidelidade e atrelamento político.

Falo porque “agentes do governo” começaram a dar as caras nas asas do sucesso dos saraus e na hora do registro das presenças, começam as odiosas descriminações, com medo de desagradar o chefe, como se o recurso investido fosse um favor ou saísse do bolso da autoridade. Que fique claro, também, que no Largo dos Inocentes é garantido o direito de ir e vir, o espaço é livre, democrático e aberto a todos. Só não pode se prestar a manobras subreptícias.

POR QUE EMPACOU, EMPACOU POR QUE...

Nos shows musicais a platéia cobra em coro o fim do espetáculo. Não é bem o caso das diversas obras paralisadas ou empacadas como manchetou um jornal ligado ao governo, agora que as eleições passaram e já pode cobrar abertamente do Prefeito João Henrique, o responsável pelo longo empacamento da Beira Rio.

Aqui não se cobra responsabilidade porque todo mundo vive com os olhos voltados para o futuro....político. É um terreno minado e poucos se arriscam a exigir prestação de conta. O João Henrique é um exemplo clássico. Oscilou durante toda a campanha o tratamento da mídia oficial. Até que chegou o ... e aceitou , apesar do desgaste, apoiar o candidato governista.

Agora vem à tona as mazelas da obra. Da Beira Rio, do Mucajá e outras financiadas pelo PAC do Lula. Tudo isso, no entanto, se deve a Dra.Claudia Oliveira, do Ministério das Cidades, que baixou o malho não livrando a cara do governador , do prefeito e até do todo poderoso Sarney confirmando o que se sabe: faz pouco, quando faz, pelo Amapá. Não fosse ela ninguém saberia nada, pois esse é um assunto proibido na mídia.

Ficou horrorizada com as condições subumanas das pessoas que moram no Mucajá, segundo ela por falta de interesse e responsabilidade do governo. Não é bem assim Doutora, o governo faz bem o que e a quem lhe interessa. Bastava uma olhadinha, ali pertinho, e comparar com a orla do Santa Inês, onde moram dez dentre nove novos ricos, a classe emergente do Estado. Lá não tem poluição, é tudo clean.

O Amapá, nesse governo, se transformou no maior cemitério de obras do país, guardada as proporções. Aqui elas só começam, algumas nem isso, e logo empacam por conta de desvio de seus recursos e, pasmem, por falta de projetos. Aeroporto de Macapá, BR 156, Tancredo Neves, Zerão, Canal do Jandiá, Beira Rio e por aí afora. Enquanto isso a “grande mídia” dorme agarrada da teta do governo.

POUCAS E BOAS - A ornamentação natalina patrocinada pelo governo para o Natal desse ano, nas vias e praças, é de uma pobreza franciscana de fazer dó+++ Depois sob o ponto de vista da estética e criatividade está um horror+++Não sei qual o critério que norteia a concessão da feitura dessa ornamentação. Razoável se houvesse licitações para concepção artística, para arquitetos e artistas plásticos e outra de execução do projeto. O que não dá é para ser concebida na mesa de trabalho do empresário, de sua cabeça, mesmo que a concessão seja cativa, sem licitação portanto. Parece simples, não?+++ Continua o desfile interminável de deputados federais no programa dominical do J. Ney a falar o de sempre, coisa que ninguém viu e nem vai ver. O mais loquaz é Jurandil Juarez ( PMDB) falando em economêz para sua platéia preferida, os empresários, os grandes. Já Evandro Milhomem ( PC do B ) se tornou um ambientalista sazonal, dependendo do momento político+++ Tem hora que come, tem hora que abomina patê de chicória. Ou não come sem pedir ao Sarney. No geral repete Feijão e não toca na grilagem das nossas terras e nem explica porque, terminado o drama sobre o seu destino, continuamos sem política agrícola. E sem que o pequeno produtor tenha acesso aos benefícios da boa nova+++ É o mundo do faz de conta+++No real, garantido mesmo, só o deles+++ A carnificina no seio da harmonia anda feia. Só faltam socos e pescoções. As ameaças e “recados” não param de ir e vir. Uma coisa é certa, a candidatura de Pedro Paulo, o vice, ao governo em 2010, até domingo, era irremovível+++ A Conselheira Raquel Capiberibe vai ser pega pela compulsória e ter que deixar o TCE+++ Tem candidatos de todos os calibres: deputados, advogados, médicos, empresários e até delegado de polícia+++ O companheiro, colega, grande amigo e competente médico anestesista Jocy Furtado submeteu-se a uma delicada cirurgia de revascularização cardíaca, a chamada ponte, para restabelecer o fluxo sanguíneo para o coração. A tarefa coube a competente equipe do cirurgião cardíaco Furlan com o apoio do mestre Wilson Alfaia, mago da angioplastia, tudo bem aqui, no Hospital São Camilo+++ Segundo o Prof. Guilherme Jarbas Jocy passou “ na segunda chamada” , visto ser este o segundo procedimento que o amigo faz. O anterior foi em S.Paulo+++ Marcelo Tse, o colega médico obstetra me liga de Sampa onde participou de congresso da especialidade para dar noticias. No momento estava no Morumbi para ver o nosso querido Fluminense contra o São Paulo. Inconformado com os gols perdidos por Washington lhe sugeri entrar em campo e assumir a nove que garantiríamos a vitória. Deu só um empate+++Confesso que nuca tinha visto nem escutado mais gordo o cantor e compositor Enrico Dimicelli, acho que é assim que se escreve. Sexta, no Sarau da Confraria aconteceu. Só que vi, ouvi e não gostei do seu discurso. Nem o fato de Joãozinho Gomes e Val Milhomem serem bons músicos justifica que o governo faça todos os anos uma festa na Fortaleza São José para homenageá-los “com a presença de músicos locais e nacionais” e inserir tal programação no calendário cultural do Estado onde deverá permanecer, “ independente do governo que vier aí ”+++ Um absurdo ter que ouvir isso de um intelectual. Primeiro que o cidadão não tem obrigação da pagar para festejar aniversário de ninguém, nem do Zé Miguel quem considero a maior expressão musical dessa terra, um cidadão na acepção do termo e de convicções inabaláveis+++ Depois calendário cultural é política de governo e cada um tem o seu. Nesse caso não é condição pétrea, nem o autor de tal heresia tem autoridade para garantir isso em nome do governo que virá e do nosso também+++Aliás, a minha maior preocupação nem é essa, pois sei que os governos passam. O meu receio é o mesmo do IPHAN que desaconselha shows musicais no interior daquele monumento pelo risco dos incontroláveis decibéis do som afetarem suas ( da Fortaleza) bases. Os ouvidos do governo já foram há muito, tanto que insiste em fazer esse tipo de apresentação+++Mas como tudo não acontece ao acaso vim saber depois que o cidadão que ali se pronunciava é uma pessoa de múltiplas atividades. Musico mesmo só nas horas vagas. Trata-se, na verdade, de um próspero empresário com negócios no governo. Queria entender, entendi. E o Dimicelli acabou me enchendo o espaço e as medidas.+++ Por hoje é só.