COLONIALISMO E SUSTENTABILIDADE

Desde que se fala em ricos e pobres, desenvolvidos e subdesenvolvidos, centro e periferia, norte e sul, negros e brancos, o colonialismo representa a “ordem” com que foram estabelecidas as relações sociais, econômicas, políticas e ambientais entre as nações. A desordem é considerada anarquismo e subversão. Simón Bolivar, Eduardo Angelim e Nélson Mandela são exemplos de subversivos.

A história do Brasil e o colonialismo se confundem. Primeiro os portugueses, depois os senhores de engenho e mais recentemente o sistema federativo. Os portugueses saquearam esse País e implantaram a cultura da sacanagem e da corrupção. Os senhores de engenho exploraram os negros e consolidaram uma elite que até hoje se beneficia da escravidão para sobreviver. O sistema federativo é perverso, pois diante de uma “ordem” constitucional que teoricamente iguala todos, na prática funciona como um sistema de concentração de poder, muito próximo ao que chamo de colonialismo moderno.

Colonialismo e desenvolvimento também se confundem. Desenvolvimento, pela visão colonialista, seria algo que vem de “fora para dentro”, de “cima para baixo”, do “modelo para a realidade” e quase sempre relacionado a questão econômica. A esse respeito, Celso Furtado, um dos maiores economistas da história, destaca que a idéia de desenvolvimento econômico é um simples mito, inventado para ocupar os povos da periferia em questões abstratas e submetê-los a enormes sacrifícios.

A princípio, desenvolvimento sustentável seria um conceito formado por duas palavras antagônicas. Uma de derivação colonialista, simbolizando o “desenvolvimento” pela ordem e progresso; a outra mais próximo da subversão, a sustentabilidade. Portanto, desenvolvimento sustentável e sustentabilidade são coisas diferentes. Subjuga-se, dessa forma, o conceito de riqueza como renda de longo prazo, um conceito mais próximo ao que entendo por sustentabilidade.

O Japão seria um exemplo de sustentabilidade. Destruído pelas grandes guerras, uma pequena ilha sem recursos naturais e situado entre placas tectônicas em movimento, o Japão teria tudo para ser um país insustentável. Sem desemprego, sem analfabetismo e com uma das maiores rendas per capita do planeta, o Japão subjugou a ordem do desenvolvimento e se tornou uma das maiores potências mundiais.

Onde está o segredo? Não resta dúvidas que somos um povo de comodistas e de uma religiosidade impar, capaz de transferir todas as dificuldades do cotidiano para os céus. Mas, penso que o primeiro passo é se libertar de todas formas de colonialismo que nós cercam. Romper com a ordem colonialista do conhecimento imposto pelo “homem branco” e da solução que um dia chegará pela pela mão de um salvador da pátria, se Deus quiser! Em seguida pensar grande, sem fronteiras, utópico e por que não...Subversivo.

 

Marco Antonio Chagas, doutorando UNIFAP/UFPA-NAEA
(marco.chagas@uol.com.br)