DISCURSO MAROTO

João Silva

Gostaria muito de entender como funciona a cabeça de políticos que representam o povo brasileiro, principalmente no Legislativo, muitos deles figuras que de representantes do povo nada têm, investidos nos títulos pomposos de senador, governador, deputado federal, deputado estadual, prefeito, e vereador, respeitadas as exceções, claro.

É o caso da senadora Idelli Salvate, do PT, que generoso povo de Santa Catarina elegeu para o Senado da República. Tem um discurso sobre maioria e democracia que mais me parece caso de policia; se a tropa de choque do governo achar que pau é pedra, juntam-se os votos necessários e faz-se de um sapo belo príncipe de olhos azuis (entendeu?).

Na democracia, a maioria decide, mas se decidir errado vai ter que enfrentar críticas e desgastes porque a oposição não está morta, o cidadão também, e a mídia muito menos; nos sucessivos escândalos, o que tem se visto é a apuração dos fatos prejudicada pelos governistas determinados, emocionalmente, em preservar companheiros que deveriam ser afastados da vida pública.

Que senhora Ideli deveria aprender, é que ela é funcionária pública, que deve ao povo sua eleição e que na casa onde trabalha, repito, por delegação do eleitor de Santa Catarina, tudo é público, e a aplicação dos recursos públicos tem que ser correta e transparente. O povo tem, sim, direito de saber quem gasta, o quê gasta e como gasta o dinheiro dos tais cartões corporativos, incluindo o Presidente.

Simplória, senadora do PT acha que a maioria pode tudo por que na democracia manda a maioria, e pronto; e tem o apoio do Presidente Lula, que corrobora com essa prática que depõe contra os políticos e a atividade política em nosso País, nivelando por baixo o papel do Congresso Nacional, rolando ladeira abaixo todo dia um pouquinho mais.

Claro que a maioria é o leme, sim, deveria conduzir o Brasil sob o céu azul-claro do bom tempo, do respeito ao dinheiro público gerado pelo esforço de todos os brasileiros que pagam impostos; deveria, mas insiste, pelo contrário, em não oferecer a um País como o nosso a contribuição que precisa para superar dificuldades históricas, como a desmoralização do serviço público, acentuada no governo do Presidente Lula.

Qual o exemplo que oferece ao Brasil, um presidente que sai em defesa de político da extirpe de Severino Cavalcante, considerando todas as provas contra ele, provas que nem ele mesmo agüentou, optando pela renúncia dos mandatos de deputado e presidente da Câmara Federal? Uma instituição como o governo não pode ser depósito de políticos corruptos e impunes.

O governo, na sua relação com a maioria, não é uma farra, não é um balcão de negócios, não é cabide de empregos, não é uma fábrica de privilégios e mordomias á disposição dos seus ocupantes temporários ou não! O governo não pode ser absurdamente grande, tem que ser honesto, competente, atender as demandas da sociedade e viabilizar o país econômica, social e culturalmente; seus ocupantes temporários ou não, seus agregados, apoiadores e beneficiários não estão acima da lei, mas abaixo da lei, como parece não entender a senadora Salvatte.

É assim em qualquer democracia consolidada. Os políticos sabem que incorrendo numa falta grave, serão acionados e pagarão por isso, inclusive com o voto e a desaprovação dos próprios companheiros de partido, porque nas sociedades mais avançadas as questões éticas e morais não são politizadas, mas apuradas com rigor. Partido político não é máfia, para lembrar exemplo de Rui Barbosa e a sua campanha cívica pela construção de um grande país.

Convocar rolo compressor diante das câmeras da TV Senado, tratorar denuncias contra correligionários no Conselho de Ética, inviabilizar CPIs para não colocar em xeque a imagem do governo, não é nada republicano; tem a ver com falta de princípios que todos devem aprender em casa e levar pela vida afora, inclusive para os partidos e atividade política, da qual dependem todos nós, já que cabe aos políticos a tarefa de governar nossas vidas em quanto sociedade organizada.

Fazer diferente disso é prestar um desserviço ao País e ao crescimento da classe política, pra lá de desacreditada, segundo senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), em entrevista á revista “Veja”, mais que admitindo a necessidade de uma reforma política de rijo; e isso não se faz com truculência, conchavos, impunidade e sujeira escondida sob o tapete dos palácios de Brasília, mas com amor ao Brasil e respeito á Constituição Cidadã.

No caso da senadora de Santa Catarina e o seu discurso maroto, creio que nada melhor que a avaliação feita por cidadãos esclarecidos e atentos, caso do eleitorado capixaba que já deve estar fazendo o julgamento que merece a conduta da representante do PT. É uma questão de tempo, até que as urnas se abram para receber o veredicto do povo catarinense.