O JÔGO BRUTO DA MÁQUINA

João Silva

Sobre eleição, esperança, candidatos, é muito bom que a gente fale com o eleitor olho no olho, sem entrelinhas, sem rodeios que poderiam prejudicar a compreensão dos fatos. E um fato incontestável é que a campanha está nas ruas, literalmente batendo às portas das nossas casas, e logo vai chegar ao rádio e a televisão.

Como sempre do mesmo jeito, a começar pelo envolvimento do Governo do Estado e da PMM na campanha, a que políticos atrasados se referem como máquinas de fazer voto em véspera de eleição, reduzindo, segundo eles, a quase nada as chances dos adversários.

Não que seja sempre assim, até porque está aí o exemplo de 2004, da candidatura de Sebastião Bala Rocha à Prefeitura de Macapá a bordo da “Vencedora”, que não venceu, não deu certo, em que pese apoio do Governador e padrinho Waldez Góes.

A prática é antiga, e o Tribunal Regional Eleitoral sabe; tanto é que o culto à máquina e a sua utilização devastadora pendendo para um lado ou pra outro virou parte da disputa, com um agravante: no Amapá quem pilota a máquina não tem a mínima preocupação em demonstrar que está trabalhando duro pra iludir o eleitorado.

Lamentavelmente gente culta e de bom nível também festeja a máquina como se mal utilizada não fosse fabricante de resultados e de crimes eleitorais, uma coisa que devesse ser combatida com rigor, ao invés de ser saudada como arma letal que governantes tivessem direito de acionar contra seus opositores.

Quem faz isso, e sempre repete, são gestores com mais de uma razão para confiar na impunidade, na frouxidão da lei; gente sem programa de governo, que passa de mandato em mandato sem dar resposta aos problemas da população vivendo em centros urbanos caóticos ou em Estado como o nosso precisando de obras arrojadas para desempacar e melhorar a qualidade de vida do seu povo.

Eu disse que iria falar com sinceridade, e o faço assumindo os riscos: será que algum entendido em política tucuju, ou representante do TRE acha que sem máquina o Prefeito João Henrique elegeria a esposa deputada federal, ainda mais sem qualquer militância? Acho que aqui não, nem na China também.

É preciso contra-atacar essa gente sem obra, sem programa de governo, gente de mãos vazias; e eu estou fazendo a minha parte, já que poderosas máquinas, claro, pilotadas pelos prefeitos, em todo o Estado, e pelo Governador do Amapá, já estão nas ruas afrontando a lei, trabalhando acintosamente pela eleição dos seus candidatos.

No que diz respeito à Justiça Eleitoral, é animadora a determinação dos juizes Marconi Pimenta e Suely Pini, membros do TRE, parecendo bem dispostos; espero que não fique só nisso. Poderia se pensar em institucionais como do TSE, mais incisivos, mais esclarecedores em relação ao perfil do candidato que deve ser evitado pelo eleitor, caso do pessoal da ficha suja, no que a OAB/AP poderia dar uma força, se não estivesse tão comprometida com a classe dominante.

Preocupante o povo sob assédio da máquina e do poder econômico nessas horas que precisa de tranqüilidade para decidir o voto e o futuro próximo; o cidadão tem que se conscientizar, entretanto, que as ações que invadiram os bairros, ruas, praças nos últimos dias, próximo da sua casa, são eleitoreiras, são investimentos dos governantes nas suas ambições pessoais, nos parentes, nos correligionários a quem querem dar cargos, bons salários e poder.

Basta conferir com calma a lista dos candidatos para constatar número elevado de políticos que possuem mandato e querem dar mandato de vereador aos filhos, tias, sobrinhos, sogra, mulher, sem falar na deputada estadual trabalhando a volta do pai à Prefeitura de Santana e na Presidente da CVMM, de vice em uma das chapas que concorrem ao governo municipal, mas cavando uma cadeira pra filha na edilidade macapaense.

Não se protela benefícios quando se trabalha de verdade; a população não pode ficar na dependência de uma eleição, ainda mais vivendo em centros urbanos precários, violentos, necessitados de investimentos de monta, que não se constitui ilusórias miudezas, como o “asfalto casca de ovo”, ou outras obras de afogadilho que governantes saem executando por ai dias antes de um pleito. Isso é desrespeitar a lei eleitoral e jogar dinheiro público fora.