TADINHA DE MACAPÁ

João Silva

Em grande parte são postulantes de outras eleições, gente de competência duvidosa, propostas mirabolantes, mas é só pintar vaga pra vereador, lá estão eles outra vez diante da telinha da TV atrás de um lugar ao sol ou de uns dias de pernas pro ar, já que muitos deles são servidores públicos, e candidato servidor público tem direito a licença para trabalhar na campanha.

No mesmo estilo dos candidatos a vereança, candidatos a prefeito também chegam falando grosso, pregando mudanças, políticas públicas pra isso, políticas públicas pra aquilo, construção de creches, um mundaréu de asfalto para melhorar malha viária de Macapá precisando de um choque de gestão e outras medidas de impacto.

Nada engraçado, mas já reparou que ninguém assume a cidade com as mazelas que foram se acumulando de uns tempos pra cá? Presidente da Associação Comercial e Industrial do Amapá disse que Macapá virou um lixão, mas tem também violência, buraqueira, ruas escuras, arborização escassa, praças sujas, dengue, transporte coletivo precário, ambulantes ocupando calçadas que deveriam ser do pedestre.

O eleitor mais atento já percebeu, indignado: ninguém explica direito a decadência de Macapá como centro urbano e Capital de Estado; por certo, algumas autoridades e seus aliados deveriam pedir desculpas ao povo por tanta negligência e ausência de governo; até imagino João Henrique na solidão de fim de mandato perguntando ao outro, refletido no espelho: E aí, ainda somos Prefeito?

No horário eleitoral o mote é meter o pau em Macapá, mas não no prefeito não, ele que ganha bem para proporcionar aos contribuintes, aos munícipes uma cidade boa de viver; estando nossa cidade tão maltratada, e isso é consenso entre os candidatos, por que então não fazer restrição a quem de direito, a quem nos nega um lugar mais humano, organizado e acolhedor?

Claro que a situação tem a ver com o fraco desempenho do prefeito, com a omissão dos vereadores (praticamente não existe oposição na Câmara Municipal), com a parceria nota dez, que de dez só tem o zero, e que foi pro espaço porque não tinha como ir pra outro lugar; o que espanta, é isso: ver que os dois maiores orçamentos do Estado, juntos, e mais os vereadores, não conseguiram acabar com a buraqueira sem precedentes na história de Macapá.

Com exceção de um ou dois candidatos, de um ou dois partidos políticos, demais agremiações, postulantes a PMM e a Câmara, incluindo vereadores concorrendo à reeleição, não podem arrotar independência do Governo do Estado e da Prefeitura de Macapá; muito menos Dalva Figueiredo (PT), e Roberto Góes (PDT) - ela apoiada pelo prefeito, ele pela Al e Governador do Estado.

Claro que os responsáveis pelo quadro de abandono da nossa cidade não irão se declarar culpados na praça pública, no rádio ou na televisão; nenhum candidato é ingênuo a ponto de sair por ai assumindo as mazelas, a omissão e a desordem urbana que infernizam o quotidiano do macapaense. Mas o eleitor tem o dever de dar uma olhadinha nisso com isenção, antes de decidir a quem dar seu voto precioso.

Certo é que a Parceria do Governo com a PMM, que já vinha capengando, desapareceu de vez desde quando as ambições políticas falaram mais alto; não resolveu problemas a que se proponha nem concretizou obras que convencessem o eleitor aprendendo, aos poucos, a separar as ações duradouras e bem intencionadas, daquelas medidas de afogadilho tomadas em véspera de eleição.

A consciência do votante pode ser um caminho, uma saída, uma janela aberta para o frescor das mudanças; pode ser o sol sobre uma cidade escura e entristecida pela incúria dos seus governantes. Não falte, portanto, ao encontro com o Brasil; não rasure, não deixe em branco, não faça negócio com seu voto; ele é um instrumento de cidadania com o qual eu, você, todos nós podemos ajudar a construir um grande país. Pense nisso.