A QUEM INTERESSAR POSSA

João Silva

Quando as pessoas são pequenas mesmo, quando não estudaram, nunca leram um livro, não formaram, não procuraram adquirir conhecimento por conta própria, a gente aceita, mas quando elas são pequenas porque querem ser pequenas, ai não dar pra entender, porque isso é desistir de si mesmo, desistir de pensar grande, de julgar os outros com isenção devida, respeitando a verdades dos fatos.

Não quero ser melhor de que ninguém, mas em 42 anos de carreira, nada, nenhum governador, nenhum Prefeito, nenhum deputado, a minha necessidade de sobrevivência, nada me fez abrir mão das minhas convicções. Eu sou gente, eu sou humano, eu nasci pra ser livre, para ser o dono meu destino.

Preferências, paixões, sentimentos, idealismo, laços de família, sonhos, desejos são da essência do ser humano, dos filhos de Deus que não pediram pra nascer, mas nasceram neste mundo de injustiças, de violência, da fome, da recessão, do capitalismo selvagem. Como jornalista eu tenho que lidar com a minha condição de ser humano passivo de critica, de erros, de equívocos; o que não posso nem devo fazer é alugar minha pena, ignorar o povo, o Estado, e as suas necessidades.

Isso é complicado? Não. Eu posso como cidadão que é jornalista declarar o voto sem imprimir ao meu trabalho a parcialidade que destrói o que há de mais sublime para um profissional de comunicação, que é a credibilidade, o respeito ao cidadão, a cidadã, a quem se destina a opinião e a notícia.

Foi o que eu fiz quando Camilo me convidou para participar da sua campanha. Ele sabe que tenho história pra contar, que não sou uma invenção, que estou ligado ao futebol amapaense desde a minha infância vivida nos campinhos da Praça da Matriz; que poderia dar testemunho da necessidade da reforma do Glicério Marques.

Depois, ingressei cedo na crônica esportiva, em 1966, em A Voz Católica; trabalhei em seguida na Rádio Difusora de Macapá; mais tarde botei o futebol do Amapá na Revista Placar, projeção que lembra, no rádio, no jornal e na televisão, o trabalho de outros companheiros importantes, como Horácio Marinho, Haroldo Vitor, Humberto Moreira, Francisco Salles de Lima e Ivo Guilherme de Pinho.

Quem quiser ser pequeno que seja! Que a si mesmo destrua por vantagens passageiras, que não compensam do ponto-de-vista da construção de uma carreira respeitada pela sociedade, mas não queira levar os outros consigo, com a sua turma para uma vala que não me cabe nem cabe minha história, que não é de envolvimento com as mazelas que cercam algumas figuras da imprensa em nosso Estado.

Finalmente, gostaria de dizer que gente do meu quilate, com a trajetória que construí respeitando a ética, fazendo bons amigos, seguindo ao lado de companheiros inesquecíveis nessa caminhada de emoção, que é fazer jornalismo por onde tenho passado, não pode votar em alguém por um lance de arquibancada, como diz o discurso afinado da imprensa chapa branca.

Em primeiro lugar, como cidadão, voto em Camilo e Randolfe porque são jovens, são honestos, estão preparados e comprometidos com a nossa cidade; voto porque os dois vão reconstruir o Glicério Marques e oferecer ao futebol, ao torcedor, a crônica esportiva, um estádio decente. Também é uma posição firme contra a imprensa marron, contra as mazelas do governo, contra um projeto de poder nocivo ao Amapá, incluindo os currais eleitorais mantidos com dinheiro público e acordos das elites políticas que traem o povo, felizmente disposto a romper com essa realidade no voto, como manda a Constituição Cidadã de Ulisses Guimarães. E é assim que tem que ser.