1-8-09

A BOA VIDA DA BIA

João Silva

Coisas da política e dos políticos atrasados, a Bia e a sua boa vida. Quando eu ouvi a voz daquela gatinha manhosa no Jornal Nacional, lembrei do Sarney naquela roda de marabaixo lá no Laguinho, no auge da campanha para o Senado!

E o Fernando, na base do Senado é nosso, conversando com o Sarney sobre pedido da netinha, este já declarando seu aval? Aí eu já pensei nos jovens desempregados do Amapá atrás de um trampo, bote tempo!

Sei que a Bia, nascida em berço de ouro, se lixa para essas coisas de sentimento, mas não foi fácil vê o Sarney cheio de poder e dinheiro jogando pessoas daqui, algumas notoriamente despreparadas, contra uma mulher nascida e criada neste lugar, sua oponente!

Perpetrou-se então o mau, o homem levou, uns e outros ganharam com aquela farsa; certamente não foram as inocentes senhoras de saia rodada, contentes em poder tocar as vestes azuis de um ex-presidente ou falar com alguém que só viam através da televisão.

Mas não há mal que dure para sempre - ou você não está acompanhado o suplício do Sarney no horário nobre da televisão, na Web, no rádio, nas primeiras páginas dos principais jornais do País?

Perdemos tempo sim, mas um dia chegaremos lá. Basta seguir o exemplo do Acre, que amadureceu politicamente com Jorge Viana, Tião Viana, Marina Silva, e deu ao Brasil e ao mundo a saga de Chico Mendes.

Depois fico pensando nas onze representações contra Sarney, em tanta bandalheira; pensando que havia uma bela alternativa, uma esperança, uma mulher de mãos limpas querendo trabalhar por nós! Se eleita Cristina Almeida certamente honraria suas raízes, jamais desabonaria a reputação do povo do Amapá.

Diferente da neta do Sarney, que é um prodígio da concentração de renda, das desigualdades que martirizam historicamente o Maranhão; mocinha nascida e criada em casa de políticos que a crise nos revela aprendeu a tirar o “seu” da mistura do público com o privado, “normal”, segundo um cara de pau do PMDB, para variar.

Na eleição para o Senado Bia não estava aqui, claro! Na verdade, nunca veio aqui, ao que me consta; não sabe onde fica o Amapá nem no mapa do Brasil, se duvidar! Portanto não dançou marabaixo no Laguinho, não votou no avô, mas usufrui do mandato que nos pertence, tanto que seu pedido foi prontamente atendido!

Agora, saia daqui uma eleitora do Amapá, uma adolescente que seja, e vá à Brasília pedir ao cacique do PMDB emprego para o namorado desempregado...Claro que não será atendida, até por que o senador octogenário está vivendo para livrar a biografia das consequências das estripulias que o levaram ao patíbulo da opinião pública.

Sobre retaguarda no Amapá, presidente do Senado parece despreocupado, achando que o Governo de Waldez vive o clima da publicidade da NUTRIAMA (aquela balela!), mas não é bem assim. Na aldeia tucuju muitos negócios dependem da saúde política, da influência e da bênção de Zé Sarney. Dois mil e dez depende do que acontecerá com ele nos próximos capítulos da crise no Senado, anote.

Mas, abrindo uma trégua, que acho muito difícil, Sarney poderia sair do esconderijo da praia de Pururucu para assistir um jogo no Zerão, lavar a carcaça com a água da CAESA (beber nem pensar!) e depois sair por aí, sem segurança, para sentir o eleitor destes quintais do Brasil - nem por isso tão longe de Brasília, nem por isso desinformado sobre a crise.

Além daquele beija-mão, poderia aproveitar para checar a declaração do senador Papaléo Paes (PSDB), que não pode engrossar denúncias feitas por lideranças do seu partido “por que isso seria uma posição adotada contra as bases”, como chamou o eleitorado do Amapá - Ora, ora!

Vento a favor, na visão sectária do tucano, convida a Bia, o namorado, tal de Henrique Dias Bernardes, traz o genro, o Fernando, o Zequinha, o mordomo da Roseana; traz também o amigo do Agaciel lá de Barcelona, os motoristas do Maranhão que trabalharam na tua campanha dirigindo picapes com chapa de São Luis e convida o Gilvam Borges para caminhar ao longo da ponte sobre o Rio Oiapoque - já está pronta, sabia?

Ah, ia esquecendo: mostra aos teus convidados o novo aeroporto, o Hospital do Câncer, hospeda-os não tua casa de mentirinha, destrincha a história da cassação dos Capiberibe, explica o nome da Roseana na agenda do Zuleido, explica como consegues segurar na justiça os processos dos teus amigos, agilizar dos teus inimigos, enfim, como pudestes ser candidato sem domicílio eleitoral.