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25-1-10
Pega para capar
Quando se imagina que está tudo sob controle para as bandas de José Sarney, eis que eclode uma nova denúncia. Em resposta a nova denúncia divulgada pela Folha, a velha raposa maranhense reage achando que está sendo insultado. - Essa é uma história infame, sem pé nem cabeça, que considero um insulto enviado aos jornais com a intenção de atingir minha honra e criar escândalo, afirmou o senador peemedebista do Amapá por meio de nota. A reação de Sarney é a de quem se acha um ser “incomum”. Enquanto isso, o presidente Lula chama o aliado Ronaldo Lessa em Palácio para trocar a disputa pelo Senado pela de governador de Alagoas para atender a um apelo do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), cuja reeleição é tida como incerta se Lessa concorrer ao Senado. Talvez a resposta de Lessa não tenha agradado a Lula, pois este colocou como condição a formação de uma chapa dos partidos aliados de Lula em torno de seu nome. Talvez isso tenha deixado Lula irritado, tanto que descarregou sua ira no presidente do PSDB, Sérgio Guerra, chamando-o de “babaca”, em resposta a declaração do tucano, que havia dito que Dilma Rousseff, "mentiu no passado sobre seu currículo e mente hoje sobre seus adversários usa a mentira como método". No mesmo tom de Lula, o atual presidente do PT, Ricardo Berzoini e o futuro José Eduardo Dutra assinaram nota tachando o mesmo Guerra de "jagunço". Berzoini e Dutra usaram um termo nordestino para ferir um adversário pernambucano, o que deixa no ar certo preconceito para com os filhos da região, segundo o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) afirma em nota: “Chamar o senador Sérgio Guerra de jagunço é uma ofensa gratuita ao senador e um desrespeito ao povo pernambucano, que ele representa com muita dignidade e competência. Com que então um nordestino que é ponderado mas firme na defesa de suas convicções lembra ‘jagunço’ para o atual e o futuro presidente do PT? A escolha da palavra mostra um preconceito tacanho que há muito deveria estar banido do debate político. Infelizmente, é essa a imagem que a ministra Dilma Roussef e os petistas têm dos nordestinos. Para mim, isso não é novidade, pois grosseria, má educação e rispidez são elementos inerentes à personalidade da ministra Dilma.” Esse pega para capar é fruto da antecipação da campanha eleitoral, cujo autor é o presidente Lula. Aliás, Lula perdeu todo o pudor em relação às eleições de 2010. Chama um aliado ao Palácio para tentar dar-lhe uma ordem unida. Reúne o ministério na Granja do Torto para ajustar o discurso da campanha eleitoral de Dilma, conclamando os ministros a entoar um discurso plebiscitário com o PSDB. - Quero fazer a campanha do quem sou eu e quem és tu. Lula está usando as dependências públicas que ocupa como presidente para fazer campanha eleitoral. Mas, voltando ao Sarney, com certeza Lula vai sair em defesa dele. Talvez diga como o maranhense disse em 2002 quando do Caso Lunus, que a denúncia de agora tem o dedo de José Serra. Lula não quis forçar a barra. Desprezou o terceiro mandato, mas não abre mão de comandar pessoalmente as campanhas eleitorais de 2010, tanto a presidencial, como as eleitorais em que seus amigos estejam envolvidos. E irá fazê-lo usando a máquina, a caneta e pegando para capar quem lhe atravesse o caminho.
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