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22-2-10
Cabralzinho, a águia do Rio
O governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral Filho (PMDB) nos tempos em que presidia a Assembleia Legislativa, entre 1995 e 2002, era chamado pelos seguranças da Casa pelo codinome de Águia. O Águia é proprietário de uma mansão em Angra dos Reis comprada, em 1998, que motivou uma denúncia por ato de improbidade administrativa [adquirir bens, no exercício do mandato, incompatíveis com o patrimônio ou a renda do agente público] do então governador do Rio de Janeiro, Marcelo Alencar (PSDB), que acabou arquivada estranhamente. Em 2003 foi pedido ao MPE o desarquivamento do processo pela Associação do Ministério Público do Rio de Janeiro, mas até hoje não se tem notícia de as quantas anda o processo. Para o presidente da Amperj, procurador Marfan Vieira, o então deputado não "disporia de recursos lícitos" para a compra. Com certeza, como esse é um ano eleitoral, é possível que o caso retome as páginas e os segundos da mídia. Cabral anda cabreiro. Afinal, vai disputar o trono contra o ex-governador Anthony Garotinho (PR), que o ajudou a se eleger governador em 2006. Aliás, segundo Sebastião Nery, Cabral foi o autor de “uma das punhaladas mais chocantes da história da política do Rio”. Com a palavra Sebastião: “Cabral não tinha votos no interior para compensar sua fragilidade na capital. A governadora Rosinha, apesar da brutal e impiedosa campanha dos insaciáveis: jornal O Globo e TV Globo, tinha o apoio de mais de 80 dos 90 prefeitos do Estado. E levou todos a decidirem a eleição de Cabral. A natureza de Cabral não falhou. No dia seguinte à proclamação da sua vitória na eleição, deu uma surpreendente e violenta entrevista rompendo com o casal Garotinho, dizendo deles cobras e lagartos.” Cabral está inconformado com a ministra Dilma Rousseff em não recusar o apoio de Garotinho a sua candidatura à presidência da República. Já se queixou com ela e com Lula, que, aliás, já atendeu a um primeiro pedido de Cabral e tirou o Lindinho de seu caminho. Lindinho vem a ser o prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Farias (PT), que agora disputa a vaga de candidato ao Senado com Benedita da Silva, que é secretária de Assistência Social de Cabral. Cabralzinho, o Águia está preocupado, principalmente por que foi obrigado a ouvir uma reprimenda pública. - O Sérgio Cabral precisa tomar cuidado com a língua. A postura dele já atrapalhou o acordo do pré-sal. A Dilma não recusará apoio de ninguém. Se o Garotinho apoiar a Dilma, teremos dois palanques no Rio, disse o líder do Governo Lula na Câmara, deputado Candido Vaccarezza (PT). Segundo, ainda, Sebastião Nery, “o pânico de Sérgio Cabral tem dois nomes: Gabeira e Garotinho. Ele sabe que o Rio, com todos os seus bairros, inclusive evidentemente a Barra, Jacarepaguá, Santa Cruz, Zona Oeste, têm 50% do eleitorado. Nele, Gabeira vence os dois. Os outros 50% são da Baixada e do Interior. E as pesquisas já estão dando Garotinho na frente de Sérgio Cabral nos municípios da Baixada. Cabral tem que defender o Interior à unha”. Garotinho guardou a vingança na geladeira, pois “ela é um prato que se come frio”, como diz o dito popular. Com Garotinho na parada, com certeza finalmente o povo do Rio de Janeiro vai ter acesso a mansão de Cabral, pelo menos através de fotos. Mas, poderá também ter acesso a ligações íntimas entre Cabralzinho, o Águia, e os donos das empresas de ônibus do Estado. Dizem as más línguas, que os seguranças chamavam
Cabralzinho, o Águia, justamente por causa dessas ligações
íntimas.
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