16-11-09

Lula não aceita que Lobão e Dilma cantem de galo

Lobão e Dilma dizem que o apagão foi motivado por ventos, chuvas e raios. Cantando de galo, os dois deram o caso como encerrado. Os técnicos do Inpe desdisseram a dupla. O ministro Paulo Bernardo (Planejamento), diz que o governo ainda deve uma explicação convincente aos brasileiros. Tarso Genro classificou o apagão como um “micro-incidente”, uma declaração ridícula tendo em vista a grandeza do infortúnio. Bom senso, além de Bernardo, teve José Alencar ao dizer que é preciso diversificar a matriz energética do país investindo em fontes alternativas.

- Há topadas que ajudam a caminhar. Então esperamos que essa nos ajude a ter uma energia com segurança absoluta para que isso não se repita, disse o mineiro.

Aproveitando o bate cabeça do governo entrou em cena uma nova Dilma, a do Serra, que vem a ser Dilma Pena, secretária de Saneamento e Energia do governo de São Paulo.

Ela despachou a Brasília um documento. Nele cobra 14 providências emergenciais para que um novo apagão não afete São Paulo.

Diante de tanto disse me disse, na sexta-feira (13), Lula viu-se obrigado a botar ordem na bodega.

Disse Lula que o apagão carece de informações precisas. Lula colocou fim ao “achismo” da dupla Lobão/Dilma e a baboseira proferida por Genro e postou-se ao lado de Bernardo e Alencar.

Lula aguarda a conclusão da investigação para opinar.

- O que eu quero é um resultado final, depois de uma apuração correta, para que a opinião pública brasileira fique sabendo o que aconteceu.

Além do disse me disse, uma outra razão levou Lula a intervir na questão.

O “olhe aqui, minha filha”, dito por Dilma Rousseff a uma repórter mostrou ao presidente Lula que sua candidata tem um temperamento que não se encaixa com os maus momentos do governo. Falta-lhe “fair play”.

O problema é que decidiram transformar Dilma em porta-voz das boas notícias do governo, mas se esqueceram que durante uma coletiva de imprensa pode-se perguntar de tudo.

Por isso lhe perguntaram sobre o apagão, quando a pauta da coletiva era a estimativa de redução do desmatamento.

Além disso, é preciso lembrar que o presidente Lula corre o risco de ter dois candidatos com temperamentos difíceis. Este é o ponto comum de Dilma e Ciro.

Também, está começando a cansar o distinto público a superexposição de Dilma.

Quem diz isso são as pesquisas qualitativas feitas recentemente em todo o estado do Rio de Janeiro.

Aliás, na noite em que o Jornal Nacional exibiu o “olhe aqui, minha filha”, um jornalista via o telejornal em um boteco carioca, enquanto lanchava.

Quando Dilma surgiu na telinha um senhor comentou em voz alta: - Lá vem aquela chata. Ela parece um Chiquinho sabe tudo.

O interessante é que a maioria dos frequentadores concordou com a fala levantando o polegar.

Já diz o dito popular “tudo que é demais cansa”.