11-2-09

A azia de Lula

Das duas uma: ou o presidente Lula mentiu à revista Piauí e leu os jornais ou alguém leu para ele, pois chegou ao Centro de Convenções Ulysses Guimarães destilando uma baita azia.

Na abertura do Encontro Nacional de Prefeitos, Lula fez um discurso exaltado. Desceu o malho na imprensa dizendo que ela foi "pequena" ao afirmar que ele convocou o encontro para anunciar medidas de apoio às prefeituras e, assim, promover a candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Falando para quase 4 mil prefeitos, Lula disse que ficou "frustrado e triste" com o noticiário dos jornais sobre o encontro.

- Fiquei triste como leitor, porque abusaram de minha inteligência e pensam que o povo é marionete e pensa como boi, como manada. Mas acabou o tempo em que alguém achava que poderia influenciar uma eleição por ser formador de opinião.

Subindo o tom, Lula demonstrou toda a sua azia com o rótulo “pacote de bondades” com que a imprensa denominou as medidas anunciadas, pelo ministro José Múcio, como o terceiro parcelamento das dívidas das prefeituras com o INSS.

Sempre em tom exaltado, o presidente disse que não se poderia calar.

- Disseram que esse ato é para promover a dona Dilma Rousseff. Disseram que eu ia fazer um pacote de bondades para os prefeitos. Um foi mais longe e disse que o presidente vai dar dinheiro até para prefeito bandido. Como é fácil julgar as pessoas e condenar sem dar sequer uma oportunidade para vocês provarem que não são ladrões como eles escrevem.

Continuando os ataques contra a imprensa, Lula foi mais longe:

- Nunca fui eleito porque a imprensa brasileira me ajudou. Fui eleito por causa de cada gota de suor que passei para mostrar o ódio dos de cima com os de baixo. Posso perder minha postura, mas não perco a vergonha. Não posso permitir insinuações grotescas sobre uma reunião que pretende mudar a relação dos entes federados.

A meu ver, Lula cospe no prato que comeu. Ele só é o que é, por que teve uma cobertura generosa da mídia durante todos esses anos.

A meu ver, e repito mais uma vez, a popularidade de Lula está intrinsecamente ligada as suas aparições diárias nos telejornais das redes de TV.

Lula não suporta a verdade. Ele quer uma imprensa que concorde com todas as suas armações eleitoreiras como dizer que suas últimas atitudes não são para turbinar a candidatura Dilma, são eventos corriqueiros de um governo em ação.

Ora, bata-me um abacate, como gosta de dizer Mário Kertész.