| 20-7-09
A ponte binacional
Foi anunciada a ordem de serviço para a construção
da ponte binacional sobre o rio Oiapoque, unindo por via terrestre o Amapá
à Guiana Francesa, vale dizer, integrando a única fronteira
entre o Brasil e a União Europeia. Alguns aspectos me parecem relevantes
nesta obra.
O primeiro ponto que chama a atenção é o fato de
ser um dos poucos projetos que transcende a um governo, pois a construção
desta aliança transfronteiriça começou na segunda
metade da década de1990, tendo tido que enfrentar diversos percalços,
entre eles a burocracia do Itamaraty, que ainda via a Guiana como uma
espécie de colônia da França. Tal fenômeno é
significativo, pois vivemos uma época em que todos os governantes
sofrem de “síndrome de Adão e Eva”, como se
nada tivesse ocorrido antes deles...
No bojo das conversações deste acordo, do qual a ponte é
apenas a parte mais visível, mas que também envolve cooperação
técnica e científica, ações ambientais, abertura
comercial, entre outros, já vieram ao Amapá quatro presidentes
da república, dois daqui (FHC e Lula) e dois de lá: Jaques
Chirac e Nicolas Sarkozy.
Um dos impactos positivos que se espera da ponte é o aumento do
intercâmbio comercial entre o Amapá e a Guiana Francesa.
No ano passado, o Brasil exportou para o departamento ultramarino pouco
mais de US$ 10 milhões, a maior parte em artefatos de madeira,
dos quais apenas US$ 310 mil (ou 3% do total) foram originados do Amapá.
Já com relação às importações,
o quadro é bem pior: O Brasil importou menos de US$ 300 mil, nem
um centavo do nosso Estado.
Qualquer um que tenha visitado a cidade do Oiapoque sabe que o volume
transacionado é várias vezes superior àquele, com
um intenso mercado negro na fronteira. Aliás, o Oiapoque é
uma cidade na qual se comprova na prática uma teoria monetária:
“nos locais onde circulam duas moedas, a mais forte expulsa a mais
fraca”, pois no comércio a preferência é clara
pelas transações em Euro.
Por tudo isso, a construção da ponte é muito importante
para a economia do Amapá, pois deverá ampliar o comércio
legal entre os países, além de estimular o turismo, os serviços,
etc. Só se espera que a obra não siga os maus exemplos do
Aeroporto, Porto de Santana, BR-156 ou estádio do Zerão
e consiga cumprir seus prazos sem os lamentáveis, mas costumeiros
obstáculos de percurso.
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