SOCIEDADE INDIVIDUALISTA: PROBLEMA DE POLÍCIA...
Não se aceita mais a forma desumana de tratamento entre o Estado
e a sociedade chamada civil, foi-se o tempo em que em nome das instituições
promoviam-se os mais variados delitos contra as pessoas, infringindo
os princípios fundamentais de direito do homem, principalmente
na sua honra e dignidade. A necessidade de limite e controle dos abusos
de poder do próprio Estado já é por si só
um ponto alto dessa busca. A crença principal das instituições
e os legítimos princípios de igualdade e da legalidade
vêm a seguir dar o norte para o Estado moderno.
O comprometimento com os direitos humanos é uma das principais
metas programáticas de qualquer governante que se diga democrático.
Tem-se procurado implantá-lo, na convicção de que
o respeito e a promoção desses direitos constituem a pedra
angular para a vigência de uma autêntica democracia participativa
e de um processo de desenvolvimento sustentável, com justiça
social.
A Constituição de 1988 incluiu uma vasta identificação
de direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais.
Com sua promulgação, o ser humano foi colocado à
frente do Estado atribuindo a ele uma rede de direitos inerentes, numa
prova inconteste de que a luta dos povos será a conquista de
toda a plenitude humana, desde o respeito à vida, o maior bem
supremo, até conquistas sociais para difundirem o trabalho constante
do bem comum.
Há um sólido consenso, na Sociedade Brasileira atual,
em torno do crescimento da criminalidade violenta nas áreas urbanas.
Esse consenso se manifesta, por um lado, nas reações das
populações, que experimentam, em sua vida cotidiana, os
efeitos do crime e da violência, traduzidas em intensos e crescentes
sentimentos de medo e fortes demandas por lei e ordem geralmente mescladas
e com avaliações negativas das instituições
de segurança pública e judiciária implementadoras
da ordem.
Na realidade, a violência, considerada em todos os seus aspectos,
constitui problemática grave e extremamente complexa. É
fenômeno de natureza humana e social, perene, intenso e constante.
Sua gênese, seus diferentes tipos e características, a
freqüência e intensidade com que se manifesta, variam no
tempo e no espaço em função de extensa gama de
fatores determinantes ou condicionadores. A violência, descrita
na forma de uma entidade onipotente e onipresente, parece incoercível
e imbatível. No entanto, quando observamos os atos violentos
de outro ângulo, percebemos que a pretensa homogeneidade e invencibilidade
do fenômeno não correspondem às atitudes criminosas
reais dos sujeitos.
O individualismo opõe-se a todas as doutrinas sociais que dão
prioridade ao bem comum. Deve-se entender o indivíduo como portador
de um conjunto de traços característicos, que compõem
a sua personalidade, não existindo nunca dois indivíduos
iguais. Aí começa o grande desafio; um é diferente
do outro: suas ações, seus modos, suas reações,
serão sempre diferentes diante de estímulos iguais.
Os individualismos não provem da perda de valores tradicionais,
nem do afrouxamento de vínculos associativos, antes consistentes,
como vêm ocorrendo em países mais tradicionais e adiantados
do chamado 1º mundo.
A falta do relacionamento entre pessoas que convivem numa mesma área,
propicia que criminosos ou os parias da sociedade possam agir livremente,
dando a sensação de desconfiança e insegurança
coletiva, onde a possibilidade de se encaminhar soluções
para os problemas está cada vez mais distante em razão
do anonimato, e aos órgãos responsáveis pela segurança
poucos lhes restam fazer, a não ser agirem coercitivamente após
o fato delituoso consumado.
Comunidade deve ser entendida como a reunião de indivíduos
com objetivos definidos e interessados na consecução do
bem comum.
No Brasil o que ocorre é o fato de contarmos com uma formação
histórica responsável por uma sociedade que ainda não
conseguiu criar e utilizar valores coletivos persistentes e vínculos
associativos eficientes. Assim, o brasileiro tem frouxo envolvimento
com o que é coletivo e assume um baixo grau de responsabilidade
com a coisa pública, com os outros que o avizinham e convivem
com os mesmos problemas locais. Isso o expõe aos abusos e transgressões,
na busca de vantagens e sucesso a qualquer preço, mesmo que seja
ilegal ou fora dos padrões sociais (objetivos que provocam a
violência e predispõe ao crime).
É utópico falar-se em extinção da criminalidade.
É irreal e pouco inteligente pretender-se minimizar os seus deletérios
efeitos através de medidas isoladas, não inseridas em
um contexto global de ação. A contenção
da criminalidade em níveis, digamos aceitáveis é
tarefa que exige significativos, permanentes e largos esforços
do poder Público e da própria Comunidade.
Pode-se admitir que o cidadão comum, talvez mal informado, esteja
convencido de que o crescimento da criminalidade seja conseqüência
exclusiva da ineficiência das Polícias e exige o uso da
força a qualquer custo. Entretanto, constatar-se que tal entendimento
seja adotado, definido e difundido, com suspeito ardor, por muitos que,
em razão de sua diferenciação cultural, profissional
ou de cargos públicos que ocupam, deveriam, necessariamente,
visualizar a questão, pelo menos de maneira um pouco mais inteligente.
A Policia Militar é uma instituição de proteção
Social, encarregada de proteger e socorrer as comunidades, obviamente,
a prevenção criminal aí está inserida, devendo
ocupar parte de sua rotina, da sua labuta diária. E é
exatamente esta atuação, face ao fenômeno da violência
urbana, a que vem exigindo a maior parte dos esforços policial-militar
em várias localidades.
A Polícia Militar, muitas vezes, é a única presença
do poder público no seio da sociedade, e por este motivo o povo
busca na Polícia a suplência do déficit de outros
setores. Por medo e desconfiança da polícia, a população
não colabora. É a lei do silêncio. O fato de a relação
entre polícia e comunidade ser podre. Então, a comunidade
não se sente de maneira alguma estimulada a chegar e dizer: "Olha,
eu sei quem matou aquele cara ali". Precisaríamos de vinte
anos para ter uma melhoria considerável, onde a polícia
é menos corrupta e mais profissional talvez isso demore menos
tempo. É ai que o policial militar não pode partir do
princípio de que, individualmente, pouco ou nada resta a fazer,
não podemos nunca desviar dos preceitos que norteiam nossa profissão,
ETICA, PROBIDADE, IMPESSOALIDADE E HONRA SEMPRE considerando principalmente
as ultimas decisões do Tribunal Superior.
Ricardo Leão DIAS – CEL PM